hoje, uma pequena de quatro anos após chorar por horas se encontrou rindo de mim. riu do nada.
ela não ria pra caretas ou para piadas ou para cosquinha. tratava-se de uma revolucionária implacável do choro. uma criança com um choro afiado e armado mirado à queima-roupa.
mas então, como se abrisse sol na enxurrada, riu. riu sem parar. eu me desesperei, não sabia o que fazer. comecei a rir também. a criança chorava de rir e eu chorava de desespero com riso misturado com impaciência ou paciência demais.
ela me disse: vou comprar uma roupa de dino pra você.
nunca em toda minha vida fui atingido tão fortemente pelo cruzado da surpresa. uma roupa?
sim, ela disse seriamente, você precisa de uma roupa nova.
abri mão de tudo. talvez um Schoppenhauer resolvesse brigar no argumento, ou um Sócrates ficaria indagando paradoxando o conceito de novo. eu me vi obrigado a acenar com a cabeça, sorri, tudo bem, espero a roupa amanhã.
e lá se foi, subir no escorregador para descer e subir de novo.
















