Prestes a sair da enfermaria carregando Holly, Ivory foi parada por Caim. Não era muito amiga dele mas o conhecia o suficiente para se entreter ao perceber a irritação do mesmo, ela não tinha intenção nenhuma de largar a loira que esperneava incessantemente. — “Ah, não, nem um pouquinho fofo!” — Provocou dando batendo com uma força controlada nas penas da loira, tentando fazer ela parar de acerta-la com seus joelhos. — “Sério que é uma enfermaria? Eu nem percebi…. Mesmo assim sua felicidade não é minha prioridade mas pra ser bem sincera eu já estava saindo daqui, ia jogar a loirinha no lago, ver ela se afogar e tudo mais. Aliais você é péssimo com esse negócio de ameaçar os outros, né?” — A ruiva respondeu tentando desviar do garoto que a beliscava fazendo uma pequena faísca de raiva surgir dentro de si, ela ia terminar a bagunça mas em grande estilo. — “Quer que a gente pare, né? Tudo bem, encerramos o assunto por aqui.” — Apesar dos machucados que ainda tinha foi com extrema facilidade que Ivory tirou Holly de seu ombro e jogou na direção de Caim. Como previa a loira acertou ele em cheio e agora os dois estavam caídos no chão chamando atenção de toda a enfermaria e causando uma alegria enorme na filha de Ares. — “É isso que eu chamo de grand finale!”
Cada vez mais irritada, Holly estava pronta para explicar para Caim como não era culpada pela situação, uma vez que Ivory era claramente a culpada por inserir o clima agressivo e começar a briga. Abriu a boca para retrucar, mas logo foi interrompida pela filha de Ares que declarou o fim da confusão. Aquilo definitivamente não era um bom sinal vindo de alguém como ela. Assim como o previsto, Holly sentiu os braços de Ivory se moverem e logo foi lançada na direção do filho de Tânatos. A garota soltou um grito e gemeu de dor ao sentir o impacto com Caim e, mais uma vez, ao sentir o impacto com o chão gelado. Já estava irritada antes do ataque final, mas perdeu completamente o controle quando se recuperou da queda. Holly encarou a filha de Ares, furiosa, e, involuntária e inconscientemente, bloqueou o ar que entrava nos pulmões de Ivory, sufocando-a. Não entendia o que estava acontecendo, sequer pensava naquilo, compreendia apenas sua vontade de eliminar a existência da garota que havia atacado-a tantas vezes no dia sem um motivo claro.
A ira era um combustível infinitamente melhor que gasolina, assim como também era tão facilmente adotada como semelhante por aqueles que não eram raras as vezes deixavam-se dominar pelo sentimento. A ira, juntamente com a adrenalina, era capaz de fazer a dor de uma queda tão brusca para um corpo já fragilizado se dissipar como partículas gasosas pelo ar. Caim estava furioso. E não somente furioso. O filho de Thanatos poucas vezes sentira sede de possuir em suas mãos o sangue de qualquer outro ser humano -- sendo estas na companhia de seu irmão --, entretanto, agora, a vontade era visível em seu olhar frio. O ambiente tornou-se frágil, frio e distante da realidade verdadeira. ❛ — Holly! ❜ A fala isenta de qualquer emoção trouxera para fora do eixo a garota mais jovem, entretanto, a filha de Ares não parou de sufocar-se em seu desespero. Caim, que havia experimentado tal poder em outros desavisados, conhecia o medo por detrás dos olhos humanos perante a morte; ele adorava isso. ❛ — Mostre-me o seu medo, Ivory. ❜ Os olhos amendoados encaravam os da filha de Ares, agora, com fervor. Agora era nada além de duas mentes ligadas pelo olhar fixo de Caim sobre Ivory, moldando com perfeição a cena que era sentida pelo corpo feminino: dor, desespero, vazio... ❛ — O que é a morte senão o futuro incerto, porém certo? Você cometeu um erro ao me desafiar, Saeger. A sua carne será o meu pão e o seu sangue, o meu vinho. ❜ O olhar de Caim, entretanto, mostrou a Ivory a verdadeira face do filho de Thanatos: o anjo negro cuja face causa repulsas ao descrever; os olhos belos eram fendas que se alargavam como a boca de um tigre. Caim, entretanto, não suportou. Novamente na enfermaria, ele caiu de joelhos e, em seguida, de costas para chão. A energia esgotou-se tão rapidamente quanto havia aparecido. O ambiente tornou-se colorido e ele sabia que Ivory estava respirando, embora o último segundo de consciência esvaísse.











