dvville·:
observando aquela cena nada confortável, Deville se questionava se Callisto estava fazendo aquilo de propósito, para irritá-lo, ou se só estava sendo ela mesma. as duas hipóteses faziam sentido, ela era presunçosa àquele ponto de pensar que ele se importaria com que ela fazia ou deixava de fazer, e, bom, suas experiências pessoais mostravam que ela era bastante incisiva quanto ao contato físico prematuro. os lábios se curvaram para baixo, involuntariamente, quando viu a mão tão conhecida subir a coxa de outro homem, e ele só percebeu que encarava insistentemente a cena quando sentiu as orelhas se esquentarem. estava com raiva. perguntou-se se ela fazia coisas assim tão descaradas com todos os que conhecia e bufou alto, sozinho, sem perceber que o rádio estava ligado. recebeu algumas perguntas dos outros soldados preocupados se havia acontecido algo, as quais ele prontamente respondeu que não. então, tornou a voltar a observar o baile nos jardins, Callisto, mesmo inconscientemente o distraía de seus deveres. nos últimos dias, além de tentar esquecer treinando e lidando com a loucura que tinha sido a ideia (em sua visão, estúpida) de lançar um evento com tantas pessoas após um assassinato, Deville tinha conseguido colocar mais ou menos seus pensamentos em ordem. ele, talvez mais do que ninguém, sabia o que era dizer coisas no calor do momento– ainda sim, não a perdoara por aquilo. seria um processo lento, o qual, talvez, ele estivesse disposto a esquecer. talvez; mas o primeiro ministro russo estava deixando tudo mais difícil. a forma com que ele a encarava; de repente, sentia que ele estava tentando tomar algo que era seu. que irônico ele pensar isso, sendo que a Ible tinha deixado claro que não havia intimidade nenhuma ali.
A ideia era nojenta. Não, era absurda. Quando em sua vida havia pensado que se submeteria a algo do tipo? Callisto não gostava do pai, mas seguia buscando sua aprovação, sequer entendendo exatamente o motivo. Por isso lá estava a moça, suas mãos delicadas e macias pousando na calça de tecido escuro que revestia a pele do mais velho através do terno feito sob medida. O minitro russo não era feio, e com sua tendência a gostar de homens de idades mais avançadas, em outro contexto aquela situação talvez fosse genuína. Mas naquele momento, sentia-se suja, usada. Na realidade, sentia como se não valesse nada. Respirou fundo, decidida a continuar. Eram sentimentos inúteis que a separavam da glória de seu pai. O rosto do politico apenas não se iluminou com a insinuação pois já esperava exatamente aquele desfecho, assim, somente um sorriso satisfeito e presunçoso se pôde notar. “Acho que posso pensar melhor, nesse caso.” O homem proferiu, olhando em volta brevemente. As máscaras no rosto de ambos não os protegiam do reconhecimento caso alguém chegasse perto, mas de longe, eram apenas dois indivíduos bem arrumados se dando muito bem. Oh, se soubessem. “Mas posso falar com ele depois. Agora, eu acho que você e eu temos alguns outros assuntos bem mais interessantes.” Disse, a mão grande subindo pelo braço esquerdo de Callaway, em seguida acariciando seus ombros. Ela congelou. Para alguém que muito apreciava intimidades, e já havia, sim, utilizado sexo muitas vezes para conseguir o que queria, sentiu-se acuada. Não era uma escolha sua. Seu pai a havia mandado tomar aquele postura, e aquilo dava um peso inteiramente diferente. O estrangeiro então levou a outra mão à cintura fina, repentinamente a puxando para perto. Perto demais. Instintivamente, levou as mãos ao peitoral alheio, pronta para empurrá-lo. Lembrando-se da situação, sorriu meio torto. — Ministro, não acha que está indo rápido demais? — Tentou disfarçar o próprio nervosismos, mas o outro já parecia experiente naquela dinâmica. “Quanto mais rápido fizer, mais rápido acaba para você” Sussurrou, e a mão que estava em seu ombro então foi até seu cabelo, descendo pela lateral do rosto, como se ela fosse um objeto à disposição em uma prateleira.











