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@camaleando-blog
quanta doçura *-*
Obrigada! Você que é um doce! *-*
Um dia você vai aprender que nem todo mundo que te elogia quer teu bem e que nem todo aquele que te critica quer teu mal. Vai entender que aqueles que te odeiam muitas vezes o fazem por desejarem estar no seu lugar. Vai perceber que a bondade não está apenas nas palavras, mas principalmente nos atos. Que solidariedade é diferente de caridade que é diferente de exibicionismo. Que espiritualidade não precisa de religião. Vai aprender que um amor não se molda, se vive. Que só fazem conosco o que permitimos. Que perdoar não é esquecer e sim aceitar as desculpas e deixar que a ferida cicatrize sem precisar mostrá-la. Contudo aprenderá que insistir no erro é escolha. Que ser determinado é diferente de ser inconveniente. Que ter disciplina é fundamental para desfrutar da liberdade. Que ninguém é totalmente bom e nem totalmente mau. Vai perceber que todo mundo tem um preço, mas que nem todos estão a venda. Vai notar que aquele que muito se faz de humilde não sabe o que de fato seja humildade. Que quem muito ostenta é porque pouco tem para mostrar. Que maturidade é olhar para si sem ignorar o outro. É aceitar também que os estejam próximos tenham diversos defeitos assim como nós e que a amizade está em conviver com isso sem deixar de celebrar as qualidades. Vai notar que sabedoria é mais do que ter cultura e que tem mais gente culta do que Sábia. Que ser inteligente é diferente de ser esperto, e que para ser esperto não é preciso enganar os outros. Vai notar que há quem fale bonito e não tenha nada a dizer e há quem não saiba conjugar um verbo corretamente mas consiga expressar o que é preciso, na hora em que é preciso. Vai perceber que é preciso ouvir, mas que ficar sempre calado é omissão. Vai descobrir que o atraso na educação facilita a manipulação das massas. Que autoridades não gostam de ser questionadas. Que tem muita gente que trabalha para manter a calamidade sem saber e ainda acha graça e faz piada disso. Vai entender que existe limite para tudo e que para saber qual será o seu limite terá que ultrapassá-lo, contudo tendo consciência de que existem consequências e algumas sem volta. Que é no equilíbrio que se encontra a harmonia e que para chegar a este estágio será preciso bem mais do que apenas citá-lo. Um dia você vai aprender que tem tanta coisa para aprender por aqui e que essa é nossa função nessa existência que então perceberá o quão pequeno é perto do universo que existe ao redor. E quando tiveres a consciência de que tudo que acontece na sua vida seja fruto apenas de suas escolhas, então não apontarás mais o dedo para culpar ninguém pelo que não conquistou. E muito menos colocará a responsabilidade da sua felicidade em outro que não em ti mesmo. Que cada um usa as armas que tem, mas que é preciso responsabilidade e respeito aos que estão próximo para que estas armas não sejam usadas para prejudicar os outros e consequentemente a você. Que todos temos um dom, uma capacidade e o direito de optar por ser apenas mais um ou deixar sua própria história marcada. Nesse dia você aprenderá, que ainda não sabe de nada. Então começará uma nova busca…
Tico Santa Cruz
Entre um rosto e um retrato, o real e o abstrato. Entre a loucura e a lucidez, entre o uniforme e a nudez. Entre o fim do mundo e o fim do mês, entre a verdade e o rock inglês, entre os outros e vocês. Eu me sinto um estrangeiro, passageiro de algum trem, que não passa por aqui e que não passa de ilusão.
Engenheiros do Hawaii
Será que a terra dói quando as flores lhe são arrancadas?
Desconhecido
Às vezes é um instante A tarde faz silêncio O vento sopra a meu favor
Lenine
Engraxate. Lustrando sapatos alheios que pisam nos meus calos. Sempre com uma graxa impecavelmente preta, tirada do fundo do poço, um petróleo raro e sem valor chamado escassez de orgulho. Queixo desabado, narinas que respiram o suor e as meias podres daqueles que viveram antes e viverão melhor depois de mim. Em troca de um trocado de consideração. Já fui engraxate por muitas vezes na vida. Também já tive meus dias de biólogo. Conhecer vários corpos, estudar vários ares, desvendar os mistérios daqueles outros humanos tão meio bichos que tão pouco a humanidade precisava. Uma arara extinção não era mais saborosa de fotografar com olhos saudosos do que um sorriso espontâneo, uma boa vontade, um abraço confortável, uma caridade que não fosse de pão velho e culpa. Estudar a vida dos outros dava pouco dinheiro. Virei político, presidente da República de mal amados. Belos discursos, novos recomeços, amanhãs ensaiados com pura maestria, terno e gravata de pompa e por dentro, um saco de mentiras que só não mal cheirava por causa das boas aparências e da pele intransponível que todos julgavam impecavelmente limpa. Mas só a cara era lavada. A mão assinava contratos fantasmas com a minha própria comunidade. Eu prometo ser sempre feliz. Eu prometo aprender a engolir fantasmas, porque com sal, pimenta, noz moscada e um pouco de boa vontade qualquer medo é tragável. Eu prometo procriar e envelhecer, virar adubo de terra e jamais me render a corrupção. Abandonei os smokings depois das primeiras descobertas de fraude, quando meu nome nunca acabou em nenhuma mídia por tentativa de mudar o mundo. Já tentei ser coisa de criança, quem sabe algum tipo de bombeiro ou policial, mas os meus herois morreram de overdose de matemática, física, química, enrolação. Salvar a vida de alguns miseráveis não me parecia atraente. Tudo seria mais lógico num mundo exato. Longe de promessas, animais e graxas. Longe da vida. Tudo seria mais metricamente perfeito num mundo de raízes quadradas. Vivendo num planeta anaeróbio, onde números e números completariam o espaço entre quatro dígitos de nascimento e os mais esperados dígitos da morte. Tudo é contável e virei o contador da minha própria história. Matemático. Contava as lágrimas na hora da insônia, cumpria meus exercícios intelectuais, jamais me distraí com essas bobagens de sofrimento. Fui feliz ao quadrado, até o dia em que resolvi que o mundo precisava de mim, precisava descobrir a chave da sabedoria numérica. Mas o mundo já tem número demais e um zero a esquerda é só um zero a esquerda. Decepcionado, quis ser professor. Ensinei a mim mesmo com quantas pizzas se faz um domingo de solidão, com quantos meses de gestação minha alma desgraçada entrou no corpo de um bebê que tudo tinha para ser promissor. Ensinei tudo a mim, mas ser aprendiz e mestre dá chance aos erros. Novos rumos, novos anos, novas profissões. Aprender a ignorar. Alcoólatra, bailarino, equilibrista, tudo ao mesmo tempo. Um artista circense dramático como um palhaço, metendo medo em olhares pequenos que ainda tem o mínimo de fé na vida. Um pintor capaz de reproduzir o som do silêncio, em mais profunda ausência de tinta. Um violinista encantador de serpentes cujo veneno eu aproveitava nas sopas diárias de melancolia e autopiedade. Dramaturgo, formado na Academia Brasileira de Artes Inúteis, salvando Julieta para ver morrer Romeu. Egoísmo pelo amor vindouro dos outros. Um contador de absurdos, um lunático, um sociólogo descrente, um mentiroso. Alguém sem experiência, contratado para bicos que não emendam uma torneira de casa. Ninguém se importa com um funcionário atrasado para a própria vida, porque há outros que querem a vaga de permanecer vivendo. Vivendo a minha vida. Mas eu não abro mão das humilhações, de ter que implorar por um crachá que diga que eu sou eu, que trabalho entalhando a minha cara, como um marceneiro de arte abstrata quase incompreensível. Ora brilhante, ora amontoado de carne, ossos e velharia. Eu não abro mão de bater de porta em porta, procurando resquícios de férias e décimo terceiro. Funcionário público de um coração privado. Engraxate, advogado, professor, matemático, filósofo, geólogo, decorador de ambientes, empresário, político, médico, enfermeiro, psicólogo. Cresci sendo. Mas o que eu quero ser quando cansar de crescer?
Cinzentos
Eu me magoo com pouco. Um pouco que se junta, um pouco que se acumula, um pouco que, quando eu vejo, já é muito.
Jô Soares
Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.
Luis Fernando Veríssimo
“Não ache que consegue me abrir, me comover, me prender com apenas três palavras. Não quero ler ou saber que você me ama. Quero sentir isso.”
Gabito Nunes
A verdade é que palavras bonitas se tornam descartáveis perto das atitudes estúpidas.
Kurt Cobain