nossa saudade não amadureceu. morreu ainda criança antes das viagens, do primeiro grande porre num boteco qualquer, da maresia, do afago.
nossa saudade sinalizava desde a primeira hipótese de vida, que não perduraria. que não haveriam beijos, gemidos, puxões de cabelo. que não haveria a primeira briga, o enrolar entre os lençóis, as risadas nas banheiras de hotéis caros.
nossa saudade nasceu e morreu na primeira vez que te vi e meu peito latejou porque depois de muito tempo, de tantos encantos furados, algo durou. algo que eu não levava fé manteve-se dentro de mim me fazendo rir atoa, ajudar mais as pessoas, saborear a vida com sabor de mar. mas, você sabe, tenho essa mania de prolongar o paladar. de querer entender cada detalhe do tempero.
talvez, se eu só tivesse ido - sem medo, ressalva. se talvez eu só tivesse ido com o desejo no bolso empurrando as incertezas com a barriga.
nossa saudade virou um talvez.
um talvez que acorda e dorme comigo todos os dias. que me estapeia a cara, chama de idiota e grita. que me faz ansiar pelo que, eu sei, não vem.
nossa saudade é o que menos entendo, mas estranhamente o que mais sinto. e ela me prova coisas, assina sentenças.
ontem me fez acreditar que eu te amo.
meus amigos dizem que ela está certa.
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