Desde que me deparei com a lei do eterno retorno de Nietzsche, não houve uma semana sequer em que eu não tenha pensado nela: ter que reviver toda a nossa vida em um ciclo eterno.
Para mim, isso seria uma tortura. Claro, a minha vida não foi só sofrimento; porém, os prazeres e as alegrias são tão efêmeros que, às vezes, é difícil lembrar de um momento realmente feliz. Quando tento lembrar desses momentos, eles soam para mim tão pueris quanto o jogo de uma criança que ainda está aprendendo sobre a vida. Não obstante, eu fico me perguntando se a vida é só isso: um tipo de existência, na maioria das vezes, medíocre — ora com dor, ora com choro, ora com risos, ora com alegria. Sim, talvez. Mas dura pouco. Claro que a religião e a crença em Deus podem explicar muita coisa e até mesmo nos dar um norte, mas, às vezes, o silêncio dEle é ensurdecedor.
Claramente me falta elevação moral e intelectual para entender o que é justo aos olhos de um ser perfeito como Ele. É justo uma pessoa como eu nunca ter tido uma boa oportunidade? É justo pessoas menos qualificadas que eu terem oportunidades que eu não tive? É justo eu vê-las tendo-as e eu não? Eu não sei.
Não me interpretem mal, senhores. Eu não estou sendo invejoso; só estou tentando entender como funciona o mundo de acordo com a lógica de um ser que é infinitamente justo. Pois, se há justiça, claramente não é uma justiça que um mero mortal possa entender. O mundo é injusto, sujo, feio, maléfico e desagradável. Claro, Deus se importa com cada um de nós, mas parece que o universo é indiferente à nossa existência, aos nossos problemas ou sentimentos. Sei que não estamos sós, mas, às vezes, é como se estivéssemos.
De ninguém escrita em lugar nenhum, 05/21/2026