Entre o aqui entre o ali, eu não sei para onde devo ir
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Entre o aqui entre o ali, eu não sei para onde devo ir
cah
No seu cabelo todo enrolado daqueles que cresce pra cima e pro lado vejo flores, lindas ricas jóias coloridas flores pequenas de cores fortes prismas que brilham livres de algema Vejo flores, cores, amores Vejo a vida, sinto a força que nos guia e ao nosso lado anda lutando hoje como aprendemos ontem com o povo que hoje habita Aruanda.
Cah, Há flores em nossos cabelos
Te escrevi isso faz um bom tempo, mas ainda aguardo você vir buscar essas palavras tão suas...
Sobre amores, tempos e transformações:
Sabe aquele vaso lindo que caiu e quebrou? Então, é tipo nosso amor neguinha, um dia tava ali lindo na prateleira, distante mas ali a salvo, no outro despedaçado no chão, eu não quero colar os cacos, me desculpe, mas não consegui achar todos os que caíram aqui do meu lado, ficou um buraco que nem sei como tapar... mas também não quero ter que joga-lo fora e assim encerrar nossa história por aqui. Quero um tempo pra pensar sobre o que faremos e se faremos... Vamos fazer assim, deixamos os cacos no momento como estão para que hoje não mais nos cortem e num futuro, juntas quebraremos mais ainda aquilo que restou, não devolvendo ao pó, mas reduzindo a pequenas partezinhas brilhantes para construir um mosaico e fazemos do vaso um quadro mostrando nossas transformações, vai nos ser mais útil, mas vai levar mais tempo. Por hora então, deixemos os cacos onde estão e respiremos, não há necessidade de nos machucarmos mais, vamos cicatrizar as feridas agora e amanhã buscar luvas para picar o que sobrou. O vaso ainda existe assim como o amor, só que hoje os cacos cortam, então sei lá, deixa cicatrizar e te vejo daqui um tempo para criarmos um lindo mosaico.
Cah.
E esse frio me trouxe cobertas e um cheiro de chá quente, aí deu saudades que quando tu me frequentava, lembrei de você toda encolhidinha, bem pequenina entre meus braços, nossa querida conchinha onde tu doce adormecia e eu ao seu redor simplesmente lhe aquecia...
Cah. Lembranças de um domingo frio...
Deus? Deus pra mim É preta, e é branca tb Deus não é homem Deus não é mulher Deus é trans! Deus é lésbica, Deus é bi, Deus é pan... Deus não tá na bíblia, ou no artigo cientifico, nem na Torá ou alcorão, Deus ta aí em cima da árvore, rolando no chão Deus ta aqui, Deus é você Assim como sou eu Deus é nós Deus me fez e eu fiz Deus Porque pra mim Deus é formado de eus! Agora deixemos claro, se não formos falar de amor qual importância tem a discussão e as ofensas que causam dor se você tem seu Deus e eu tenho o meu! E se no fim quem estiver errada for eu, não se preocupe que o Deus que me fez assim me ama e portanto nunca se arrependeu enquanto eu levo a vida que Deus me deu.
Cah Jota. Sobre Deus
"Estranhamente sonhei com você, na cadeira da varanda segurando um copo de Whisky, um charuto entre os dentes no canto da boca,ouvindo aquela banda cubana que você adorava, com um dos rottweilers prostrado aos seus pés. Com seu sorriso torto e me convidando a ver o por do sol. Eu, coberta apenas pela sua velha camisa azul me aconcheguei em seu peito coberto pela camiseta rosa que eu mesmo havia lhe comprado. Você me afagava os cabelos e sussurrava a musica que tocava, eu sorria e gargalhava afinal sua língua presa tornava sua voz engraçada sempre que falava em espanhol. Sorriamos! Nos levantamos e fomos dançar na grama mesmo, ao crepúsculo, seu chapéu havana sombreava seu rosto e apenas o sorriso tornava-se nítido a luz da lua. A criança acordava, eu ouvia-a de longe me chamar. Chega de dança, é hora de preparar o jantar. Eu entrava em casa, mais uma vez eu caminhava descalça sobre aquele chão frio de madeira com os cachorros ao meu lado, abria a porta do quarto para ver o menino, enquanto você se diria a cozinha para preparar nosso jantar. Acordado mas ainda na cama, ele sorria e pulando em meu colo, com seus olhinhos brilhantes de jabuticaba me fitava, nesse momento, acordei." Ainda deitada olhando para o teto percebi esse não era apenas um sonho... Era uma lembrança! Tão distante da realidade atual que mesmo sabendo que aconteceu há alguns anos atrás parece até que foi em outra vida... E onde quer que estejam aqueles olhinhos de jabuticaba desejo que eles sempre tenham como companhia aquele lindo sorriso que o menino possuía sempre que me via, pois aquele garoto era o filho que eu queria ter tido.
Cah J. Outra Carla, outra vida
Entre aquilo que fui e o que um dia serei me perdi no caminho e a resposta pro que eu quero agora sinceramente, nem eu sei...
Cah J.
Fortes pancadas de chuva e muito vento ... faz frio nesse outono mas só aqui dentro. E segue a solidão, que chegou antes do fim do verão... A praia cheia de barcos de sujeira, de restos, dos arranjos de flores sobraram apenas os velhos arcos. O mar de ressaca anúncia que dói e dos restos da fogueira não soubrou sequer lasca. O castelo parece ruína onde antes uma rainha feliz hoje uma bruxa de olhos de chafariz...
Cah J. Previsão do tempo e do conto
E já que alegria não escreve boa poesia... vou embora para o bar o caderno aberto a caneta a desenhar o contorno de doces letras o sentimento irregular o cigarro entre os dedos o copo de cerveja suado o sonho na mente cartola cantando ao fundo enquanto antes mesmo de chegar a boemia minha malandragem se esquiva e assim deitada inerte cai docemente na preguiça esquecendo-se assim do mundo tendo apenas a dor e a ausência do vazio vertendo sorrisos enquanto a alma chora cheia e próspera da dor de outrora que as vezes dói quase uma hora pois o jardim és lindo e florido o castelo antigo e colorido mas o mar é agitado e confuso faz frio e venta areias se removem e sereias se perdem...
Cah J.
De tudo aquilo que um dia eu tentei esquecer teus olhinhos sempre me seguiram de dentro do coração. Posso ver-lhe menino faceiro pelas entranhas do castelo um pequeno facho de luz a correr e se esconder. Seus cabelos cacheados que tanto fiz afago, seus olhinhos brilhantes que tanto me amaram seu sorriso radiante, aberto a iluminar meu dia, meu ano, minha vida Que saudades tenho, de te ter nos braços, te jogar para o alto, de velar seu sono e te contar novos contos, e te escrever cartas pra te ver aprender a ler de brincar, de bola chutar de ver desenho de cuidar da sua febre te secar lágrimas e te fazer rir, te abraçar e sentir nas batidas de seu pequeno peito que em meu coração tudo novamente está em paz
Cah. Dô (via vousendocomoposso)
Parece que foi em outra vida mas foi só em outro reino… E amor de verdade se perpetua por toda eternidade dentro da alma guardado no castelo mesmo que distantes o encontro daqueles dois seres pelo universo num amor de infância de luz e esperança.
Cah J. Neguim <3 https://www.youtube.com/watch?v=irW11zhzYcM (via vousendocomoposso)
Enquanto uns chamam de paixão, recuso esse título ao que sinto e traduzo como encanto… Pois não há posse, É único, mesmo que multiplo… e ao mesmo tempo um acontecimento mágico sem razão ou explicação… É o encontro de dois universos Um sentir de almas É livre e leve, de sabor agridoce, regado de afeto e cuidado temperado com desejo e tesão… É uma flor que nasce no jardim, uma nova estrela que brilha no céu…
Cah J. Encanto
(via vousendocomoposso)
Você me acha cruel e eu não nego, apenas te lembro que te trato da mesma forma que tens me tratado... se o mundo não é um lugar fácil criança, pare de torná-lo difícil!
- Você deveria lembrar do recado que você recebeu!
- Esses recados são para você, eu tenho linha direta haha
- Você adora fazer piadinhas com tudo. Cuidado!
- Só torno a vida mais fácil de lidar assim.
- Sinto falta de quando a gnt se entendia...
- Sinto falta dos anos 80.
- Impossível, você era só um bebê Carla!
- Pois é, é disso mesmo que sinto falta, a vida era tão simples mas tão boa...
E mesmo sabendo que você não virá mais, eu ainda te espero, eu ainda te procuro e nunca deixei de te desejar comigo. Mas apesar de sentir tudo isso, eu frequentemente, engulo minha dor e te desejo que seja feliz e a dor que eu possívelmente causei algum dia a você seja cicatrizada e nunca mais lembrada mesmo que para isso meu amor seja também esquecido...
Não, não era uma vez.
Aconteceu uma vez e no meio de tantas outras...
Aconteceu da pequena menina se tornar rainha, ela que como toda menina já nasceu princesa embora de origem simples e camponesa, acreditar em príncipes e sapos, descobrir nas bruxas a liberdade para governar seus próprios reinos, se tornar rainha, se perder em sua corte e rejeitar qualquer título de nobreza buscando reencontrar suas origens...
A Rainha, que não queria mais ser rainha, era agora mais uma pessoa normal, muito embora ela acreditasse que não haviam pessoas normais de verdade no mundo, mas apenas membros da realeza, cada ser era rei e rainha de si próprio e de seus mundos.
Ela que há muito havia saído em retiro, revisitando seus reinos de vez em quando, utilizando máscaras para que seus súditos não a reconhecessem e assim pedissem que ela agisse dessa ou daquela forma, sempre surpreendia-se quando reconhecida.
Mudou as vestes e a aparência, buscando fugir do reconhecimento e assim da culpa, ainda era de longe reconhecida pela aura que externava. Cheia das dores que causou enquanto fazia escolhas egocêntricas baseadas apenas na necessidade de seu prazer pesavam no fundo de sua alma e a saudades de um de seus reinos favoritos apertava-lhe o peito, buscou após uma cansativa tarefa que ela gentilmente se propôs a realizar foi visitar aquele espaço tão familiar...
A Rainha voltou ao final de seu reino e decidiu fazer o caminho contrário ao que ela costumava fazer, com o corpo cansado e a alma triste ela foi caminhando lentamente, rezando para que não encontra-se ninguém que pudesse fazer com que ela sentisse-se mais triste ainda, relembrando seu passado com dedos acusadores.
Porém, ao caminhar pé ante pé, aumentando seu trajeto, ela aumentou sua capacidade de amar a si mesmo. A velha alma que ela carregava no peito se inflava de amor a cada quarteirão que ela avançava em direção ao começo do tabuleiro. De todas as pessoas que ela poderia encontrar ela encontrou duas daquelas que um dia ela ajudou sem imaginar que um dia as veria novamente e que elas a salvariam...
Dois quarteirões depois de iniciar a jornada, após passar pela linda floresta escura que agora estava fechada e longe de seus domínios, pelas novas edificações que destruíram os templos de divertimento aos quais ela dedicara horas, riquezas e saúde a tristeza começou a lhe abater num profundo timbre nostálgico, até que foi chamada de volta ao amor por um nobre cavaleiro que estava a observá-la e reconhecer-lhe pelo sorriso que mesmo embargado em tristeza teima-lhe a aparecer em sua face.
- Olá, você não se lembra de mim não é? - disse ele segurando um daqueles tapetes mágicos que ela tanto amava.
- Olá, tudo bem? Bem, não me lembro muito bem, estou alheia em meus próprios pensamentos e cansada por demais hoje.
- Tudo bem, só queria lhe agradecer mais uma vez, eu sou um rapaz que se tornou seu amigo um dia, quando doente eu atravessava esse reino e você me salvou dividindo comigo as santas ervas que carregava em seu bolso, dizendo que meu sorriso pagaria esse favor. Você estava acompanhada de uma linda jovem e eu de um amigo, não mais nos encontramos até esse momento...
Ela lembrou-se então daquele dia e seu sorriso ficou mais radiante, os dois se abraçaram, ele que agora portava as ervas ofereceu-a a ela, mas apenas aquele abraço do jovem sorrindo e a memoria de algo bom que nem ela mais lembrava bastaram por aquela hora.
Despediram-se e tomaram caminhos diferentes. Um pouco mais adiante ela reencontrou uma moça, também rainha que uma vez ela salvara das investidas de um homem sujo e vil em um ambiente que ela tão bem conhecia na época e que hoje não mais a representa.
A moça também pediu-lhe um abraço e durante os minutos em que conversaram disse-lhe que sua presença em sua vida naquela noite foi algo realmente bom e que ela sempre quis reencontrá-la para disser lhe isso. A moça apresentou o namorado atual e alguns amigos, a convidou para ficar e prosear, mas ela estava muito cansada e desejava incessantemente seus aposentos num reino tão distante quanto sua corte.
A alma da rainha exultava-se tanto que mesmo diante de um desafio, um per causo da vida, o ato e andar sorrindo salvou-lhe a vida, mostrando assim que embora ela tivesse errado algumas vezes, ela também havia acertado outras tantas, e que jamais ela perderia seu reinado.
Cah J.
Tenho da vida exatamente tudo o que peço, nem sempre compreendo o que acontece e nem como sonhos idealizados podem significar tantas outras coisas, porém mesmo não entendendo eu sei que ainda tenho tudo o que pedi...