ㅤ onde. cabana
ㅤㅤㅤ quem. @hulyz
ㅤㅤㅤ quando. em algum final de tarde chuvoso, pós evento de abertura.
cavalgar era uma das outras paixões da princesa bastarda. era com meia-noite, seu cavalo, que a garota visitava a vez ou outras alguns bairros de sua cidade. o animal era seu companheiro e sentia muita falta dele, agora com um oceano de distancia. para diminuir um pouco a saudade, a princesa resolveu passear pelos arredores do castelo, acompanhada nada mais, nada menos do que angus. naquele ponto, ela não iria admitir aos quatro ventos mas não desejava a presença de outro guarda. ele conhecia seus jeitos, suas manias e não era julgada como provavelmente seria com outros. e a aproximação permitiu que o guarda insistisse que cairia uma tempestade e que eles deveriam voltar. a teimosia da princesa acabou lhes custando caro e, no meio do caminho, a chuva chegou, obrigando-os a encontrarem abrigo. graças as diversas instalações no reinos, hülya se viu em questão de minutos dentro de uma cabana; completamente encharcada mas a salvo.
“ok, da próxima vez eu escuto você de primeira.” avisou enquanto tentava se secar, totalmente em vão. encontrar o aposento abastecido foi um milagre que a garota agradecia mentalmente, não hesitando em aceitar as roupas que lhe foram oferecidas e correr para o outro cômodo e se trocar. “então, como estou?” perguntou divertida, girando até o meio do aposento quando saiu do banheiro. não esperava por uma resposta de qualquer jeito então não focou-se muito em esperar, desviando sua atenção para as diversas mobílias ali. foi somente quando avistou a cozinha que seu estômago reclamou, avisando estar com fome. por favor que tenha comida, por favor que tenha comida, fez uma leve oração enquanto caminhava em direção aos armários. ao mesmo que abriu a primeira porta, seu corpo congelou. e não foi porque descobriu da existência de diversos snacks mas porque angus começou a falar. mais precisamente, começou a ler. o seu tom de voz calmo e firme e despreocupado atingiu a princesa que automaticamente relaxou, nem sabendo que precisava daquilo até realmente acontecer. fechou os olhos alguns segundos, aproveitando a sensação e quando ele parou, apenas virou pra ele e sorriu, os olhos brilhando e praticamente gritando para que continuasse. em questão de segundos pegou algumas batatinhas e uns doces e correu para o sofá, sentando ao lado dele. “por favor, continue.” expressou-se, com medo que ele não tivesse entendido. “já te falaram que você tem voz de locutor? é gostosinho demais, vai continua.”
uma sobrancelha se ergueu ao ouvir aquelas palavras, duvidava que ela o escutaria, chegava a ser cômico o quanto algumas pessoas insistiam em não ouvi-lo e sempre acontecia alguma coisa, era o caso de yumin e celestia também. só balançou a cabeça em negativa e não deu muita atenção depois disso, a viu sair do banheiro e rodopiar, conteve a vontade de rir, ela era tão viva quanto celestia e mesmo que não dissesse, era algo que ele admirava nelas. apenas um fraco sorriso despontou no canto dos lábios dele enquanto se ocupava a encontrar o livro que começara a ler em seguida. estava prestes a continuar quando ouviu as palavras finais da princesa que já se encontrava no sofá junto com ele aquela altura. o rubor tingiu sua face, poucas pessoas tinham a ousadia de falar aquele tipo de coisa para ele e quando acontecia, ele sempre ficava sem graça. pigarreou e voltou a ler, os olhos focados no livro em suas mãos. “Eis a cidade insular dos manhattoes, rodeada pelo cais como o são as ilhas indígenas por recifes de corais – o comércio a cerca com sua ressaca. À direita e à esquerda, as ruas levam ao mar. No seu extremo sul fica Battery, onde o ilustre quebra-mar é lavado por ondas e refrescado por brisas, que poucas horas antes sopravam no mar alto. Veja o grupo de pessoas que ali contempla a água” começou a narrar. “ Perambule pela cidade numa tarde etérea de sábado. Vá de Corlears Hook para Coenties Slip e de lá para o norte, via Whitehall. O que se vê? Plantados como sentinelas silenciosas por toda a cidade, milhares e milhares de pobres mortais perdidos em fantasias oceânicas. Alguns encostados nos pilares; outros sentados de um lado do cais; ou olhando sobre a amurada de navios chineses; ou, ainda mais elevados, no cordame, como que tentando conseguir dar uma olhada ainda melhor no mar. Mas estes são todos homens de terra; que nos dias da semana estão enclausurados em ripas e estuques – cravados em balcões, pregados em assentos, fincados em escrivaninhas. O que é isso, então? Acabaram-se as verdes pradarias? O que eles fazem ali? “ só com aquele trecho já começava a char que a vida no oceano poderia ser interessante.