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@careaboutcarefor-blog
Ao optar por correr o risco, tropeçou. E voou nos braços do que tanto almejava. Por um acaso, conheceu aquele sorriso cheio de despropósitos e descaso.
Com que propósito foi se aconchegar com esse amor sem descanso, Helena? Dolorido e caloroso, desses que deixam calos desproporcionais?
Te conheço bem demais. Já estou aconchegado nessa sua preferência pelo "de propósito". E não foi sem querer, não! Foi por querê-lo. E por querê-lo demais.
Amanhecendo (Leo Bianchini / Caê Rolfsen / Pedro Viáfora) álbum: FELIZ PRA CACHORRO - Pedro Viáfora 2013
Sem rima.
Meus medos são, não só obvius, mas usuais.
E isso nunca me acostuma.
1 ano, 4 meses e 28 dias até
que eu cruzasse seu caminho novamente.
Eu estive pensando o tempo todo,
aguardei a oportunidade,
mas e você?
Nem sei se te lembras.
Tambem nem sei se faz questão.
Se continua ouvindo MPB
ou se eu te afugentei.
Quero mesmo te ver, mas existem tantos “mas”.
Tanto tempo muda tudo,
tudo muda tanto tempo
e talvez você nem acompanhe minha carreira.
Sortuda você
que tem como me acompanhar,
azar o meu que fui abandonado.
“Não era um dia bom”,
“Não sabia que teria show”,
“Longe demais”,
“Frio demais”,
“Nem te amo mais”.
“Não ouço mais MPB”,
“Não lembro mais de você”.
Mas dentre tantos motivos pra não ir,
só um te traz até mim.
E então, você vem?
2012 foi bissexto e agora eu sei por quê.
365 dias de mim, e um dia inteiro só de você. 21 de janeiro, já que você gosta de trabalhar com datas, o dia que você chegou.
Eu, a dona da maior sorte do mundo, me afoguei em você e enchi a cara de MPB. Dó de quem pensa que dá pra curar. Até desafoga, mas continua com o pulmão metade água e metade ar.
Mantive esse dia e os outros da semana em sigilo pra que ninguém me lembrasse, até que adormeceu. E meu ano bissexto até perdeu uma semana. Escolha própria: escolhi me abandonar de você.
Sua música me feriu. A minha, me curou. Ao invés de buscar um nome pra dar, aquietei o espírito, como se eu fosse uma daquelas pessoas que prefere o interior. Não quero o nome da música, pode ficar, quero o que tem dentro.
Meu corpo se acostumou, mas ainda havia água nos meus pulmões.
Eu não ia!
Mas era do lado de casa, quase nem choveu, não tinha mais nada pra fazer no dia.
Cada vez mais ouço MPB.
Ainda me lembro de você.
Não quero tumultuar, já esqueci tudo aquilo de altar, é apenas uma resposta que nem lhe dirijo. Aliás, prefiro que nem leia. Afinal, não é uma canção “para”você, e sim, “sobre” você: 1 ano, 4 meses e 28 dias atrasada.
Fernanda Antonelli
São Bernardo do Campo, 28 de junho de 2013
Excelentíssimo senhor Vendedor,
Venho, por meio desta, expressar a minha insatisfação com relação à falta de qualidade dos serviços prestados.
Há algum tempo se mostram presentes certas debilidades e ineficiências do produto vendido, mas o motivo pelo qual lhe escrevo é, na realidade, dois ou três efeitos colaterais notados recentemente que me causaram danos irreversíveis e inafiançáveis.
Muitos outros vendedores bateram em minha porta oferecendo esse tal de ‘amor’, mas as condições de uso e o custo nunca me pareceram viáveis. Não sei se por seus argumentos convincentes ou pela omissão dos reais efeitos, adquiri o produto em questão, ressalva, com pagamento à vista.
Porque sabe, seu Vendedor, se não por esses seus olhos tão penetrantes e por esse tom avermelhado com o qual o senhor se colore quando dá risada, chego a pensar que não faria nem questão de ‘amor’.
Mas seus argumentos me convenceram, Querido, e eu aderi com felicidade a essa moda.
Gostaria de lhe perguntar se, por algum acaso, você aceitaria minha devolução, porque, Anjo, não imaginei que o preço seria tão alto. Que haveria juros e que eles seriam tão incômodos. Não gostei e não quero mais. E peço que aceite de volta – junto com o amor - toda a formalidade do início dessa carta. E a nota fiscal.
Com todo o carinho que ainda me resta, muitos beijos,
FA
Seus olhos, vermelhos, imensos, parafraseiam meus sentimentos. Não sei se são causa ou consequência, mas eles têm ligação direta com esse descompasso ofegante que tem seguido meu passo.
Começo a achar que é a radiação proveniente deles que consome todo o meu ar, e é essa confusão que eles expressam que me tonteia.
Não existe nada por trás de tanto poder, não é mesmo? São lindos, são fortes, devastadores. Mas, (receio) são completamente ocos. São frios como o dono, e a constatação prática de que gelo queima.
E fogem o tempo todo! Fogem dos meus, fogem de mim, fogem da minha compreensão... O que você teme?
Me olhe! Me olhe de novo, e pare (um segundo que seja) pra perceber que o meu ser também ferve ao te ver.
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