osdoisladosdecruella:
Conhecia os efeitos do Soul, tanto como usuária da magia que cingia o lugar, quanto como parceira da bruxa do mar. Por isso, poupava o uso daquelas pulseiras malignas de Úrsula — dispensando o funcionário que havia lhe oferecido uma e não economizando a carranca de descontentamento presente no rosto quando ele tentou insistir para que colocasse o maldito acessório que fazia parte do pacote de clientes VIP. Que piada. Sequer deveria compreender que tinha a sua alma sugada pela feiticeira tanto quanto os frequentadores do local. Bateu os saltos contra o piso enquanto se dirigia em passos apressados até o escritório de @seawitchxs, muito mais impaciente do que empolgada, ou qualquer tipo de sentimento ligeiramente positivo, em reencontrar a mulher. “Precisamos conversar.” Abriu as portas duplas sem se preocupar com cumprimentos ou permissões, ela era Cruella De Vil, no fim das contas, e adentrou o cômodo bem decorado, parando em frente à mesa da mulher e apoiando as palmas sobre esta antes de continuar: “Como está a sua magia, darling? Porque eu preciso de um favor. Urgente.”
‘’Luto é uma coisa... engraçada, não acha?’’ Começou, sem se dar ao trabalho de responder as perguntas que lhe foram feitas ou quiçá direcionar o olhar para a outra mulher no cômodo, não ainda. Sua atenção estava focada além do grande espelho recoberto por fumê, no andar de baixo, até as pessoas que riam e se divertiam no estabelecimento que era dona. No meio de toda aquela algazarra quase parecia que não havia acontecido tragédia nenhuma na cidade, que tudo estava como costumava ser e a primeira dama ainda estava aproveitando o recém casamento com Pierre. Tolice. Úrsula conseguia sentir a tristeza que carregavam em suas almas, o medo. Seria cômico se seus pensamentos não estivessem preenchidos com um sentimento semelhante, raiva. Ódio pelo Dark One e suas ameaças, ele realmente achava que uma coisa como aquela afetaria ela, a criatura mais poderosa dos mares? Estava decidida a mostrá-lo o oposto, de alguma forma. Não tinha tempo para favores. ‘’Eu não faço favores, love.’’ Saiu de seus devaneios, finalmente virando o rosto para a direção onde Cruella estava, para que pudesse pegar o isqueiro que se encontrava no canto da mesa de madeira. Não estava mentindo, ali apenas acordos eram realizados. Benéficos para os dois lados... Bom, mais para o lado de Úrsula. Nada mais justo, afinal o poder utilizado era o dela de qualquer forma. Não costumava ouvir reclamações de suas cláusulas complicadas... geralmente plantas amaldiçoadas em seu jardim não costumavam falar muito. ‘’O que quer?’’ Levou o cigarro até os lábios, tratando de acende-lo em seguida. Algo vindo de Cruella, - ou melhor, Andressa - sempre era interessante.












