Era impossível que ela não o notasse, não quando os cochichos estavam tão óbvios em sua direção e parte da atenção da festa era roubada por ele. Sentiu seu olhar queimá-lo antes de vê-la e, mesmo que Celeste o olhasse como se quisesse matá-lo ali mesmo, sua respiração ficou presa na garganta por outros motivos.
Ela tinha escolhido vermelho novamente, mas o corte de seu vestido era mais rente ao corpo do que seu comum, desenhando sua figura até a altura dos tornozelos. O decote reto deixava a pele do peito sensualmente à mostra, ainda que de maneira sofisticada, e mangas longas e justas a protegiam do frescor da primavera. Os cabelos estavam soltos mas arrumados em ondas, com algumas mechas de franja adornando a face. Ela estava tão bonita que o Bondurant mal percebeu seu noivo prostrado ao seu lado.
Enquanto a observava em silêncio, Cedric tornou-se profundamente consciente das razões de ter perdido o juízo e comparecido àquela festa. Ele era um escravo de sua paixão por aquela mulher, capaz de tudo para tê-la de volta. Não sabia o que conseguiria por estar ali, mas precisava vê-la, precisava saber que era realmente aquilo que ela queria, lembrá-la de onde estava seu coração. Celeste estava irritada, mas isso nunca havia sido um problema para os dois, talvez até mesmo facilitasse seu mal elaborado plano.
Foi servido uma taça de vinho por um garçom curioso assim que os olhos quentes da maga se desviaram e Cedric a aceitou com gratidão. Lucien não se demorou muito para aparecer, trazendo um sorriso falso, mas bem treinado, nos lábios e leve pânico no olhar.
— Você precisa ir embora. — Ele murmurou, para que ninguém mais ouvisse. Manteve a expressão inalterada, certamente tentando evitar suspeitas.
— Por que? A festa parece ótima. — Cedric sorriu de volta, sentindo a mão de Lucien em suas costas para direcioná-lo alguns passos à esquerda, sob a copa de uma árvore iluminada.
— Cedric. — O amigo disse entredentes. — Ela está furiosa.
— É pior que eu vá embora em cinco minutos, não acha? Não faria sentido algum para os convidados sair tão cedo. — Deixou a voz cínica pouco acima de um murmúrio após se certificar de que ninguém o ouviria.
Lucien mostrou-se exasperado, mas fez o possível para esconder a propria surpresa dos demais.
— Por que você veio?
— Eu fui convidado. — Ele respondeu, apenas. O mago começava a irritá-lo e pareceu perceber isso, pois juntou os lábios firmemente e suspirou, como se desistisse. — Aproveite a festa, Lucien. Prometo que vou me comportar.
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Cedric precisou de vinte minutos para que Lance se afastasse de Celeste e ele conseguisse se aproximar. Ela conversava com um casal, que já se preparava para dar meia volta e ele usou este intervalo para se colocar à sua frente lentamente. Retirou do bolso do paletó um largo estojo de jóias e o colocou apoiado sobre a palma da mão.
Havia percebido que, se planejava fingir que trabalhava na diplomacia entre Bondurants e Mechathins, teria a desculpa perfeita para presenteá-la com aquela jóia.
— Parabéns, Vossa Graça. — Ele encarou seus olhos, que tentavam esconder a raiva que ela sentia. E sorriu. Sentia tantas saudades que apreciava até mesmo sua irritação. — Esse é um símbolo do vínculo entre nossas famílias.
Seus olhos escuros, por sua vez, tentaram traduzir o que ele queria dizer: um símbolo do que sentia por ela.
Cedric abriu o presente cuidadosamente, revelando um colar curto e prateado de diamantes, ricamente cravejado de uma fechadura até a outra. A espessura aumentava gradualmente até o centro, mas não passava de um dedo, em um design clássico que encaixaria como uma luva com o vestido que Celeste já usava. Podia imaginá-lo bem acima dos seios que evitava olhar e já o havia imaginado ali muitas vezes desde que vira a joia em um leilão, pouco antes de terminarem, e a arrematara. No centro do estojo preto, dois brincos de diamantes faziam conjunto com o colar.
Celeste poderia usá-lo em público, se quisesse, agora que teriam uma desculpa para aquele presente facilmente rastreável. Caso ela o guardasse em uma gaveta esquecida, contudo, Cedric ao menos saberia que tentara.
















