[Flashback] Call it fate, call it karma | Urquabott | January 2014
Cecilia não era uma pessoa difícil de agradar e se considerava alguém que sabia reconhecer até mesmo os pequenos prazeres que lhe eram oferecidos, tentando ao máximo aproveitá-los da melhor maneira possível. De fato, eles estavam passando por tempos estranhos e a presença constante de Aurores no castelo lhe fazia com que ela se sentisse mais incomodada do que segura, mas se sentia satisfeita que ao menos havia sido permitido com que eles mantivessem o campeonato de quadribol ― fazia com que ela sentisse que estava dentro da normalidade novamente, sem grandes ameaças ou conflitos com o que se preocupar. E mesmo depois de perder terrivelmente para a sonserina no primeiro jogo do ano o esporte ainda era uma das coisas que ela mais gostava de fazer e, no que dependesse dela, daria tudo de si nos próximos jogos, treinando e treinando até que suas habilidades melhorassem e suas partidas fossem vencidas.
Naquele dia não foi diferente, depois de um treino extremamente puxado de quase duas horas, Cecilia caminhou de volta para o castelo com o restante do time da hufflepuff na esperança de tomar um banho e trocar de roupa antes de subir para o salão comunal. Suas colegas de quarto sempre reclamavam que ela demorava muito no banheiro quando chegava dos treinos e, por causa disso, daquela vez preferiu escolher um banheiro vazio do quinto andar, onde sabia que teria paz e sossego antes de finalmente decidir voltar para o dormitório e desabar na cama, aproveitando aquela sensação dolorosamente prazerosa de trabalho bem feito e músculos magoados até o dia seguinte.
Para sua sorte, o local estava vazio quando ela chegou e, sem sequer pensar no assunto, começou a se despir e a procurar por um box que pudesse usar, deixando suas roupas em cima da pia e entrando de encontro com a água fria que caía do chuveiro, saboreando a sensação agradável que fazia com que todos os músculos do seu corpo relaxassem quase instantaneamente.
E foi então que ele atacou. O maldito, maldito, maldito Pirraça.
Oh, céus, porque diabos Dumbledore ainda permitia que aquele poltergeist inútil andasse pelo castelo? Tudo o que ele fazia era causar confusão e caos por onde passava, se divertindo da cara dos alunos e pregando peça aqui e ali, sem nenhuma noção de limites. E, bem, dessa vez não seria diferente, não é? O maldito havia dado um jeito de roubar as roupas da garota, pegando a muda de roupa que ela havia deixado em cima da pia e as vestes de quadribol que havia deixado jogadas no chão e simplesmente atravessado a parede, sua voz fantasmagórica ecoando uma música improvisada e potencialmente ofensiva, enquanto as risadas ecoavam pelos corredores vazios.
A única coisa que havia sido deixada no local era a toalha branca e felpuda que estava pendurada na porta do box e, ao perceber isso, Cecilia não perdeu tempo antes de se enrolar no tecido e sair do banheiro exatamente do jeito que estava ― toda molhada ―, gritando xingamentos a plenos pulmões para o poltergeist abusado que estava voando de lá para cá, rindo da sua desgraça. Ela nunca havia sido muito boa em controlar o seu temperamento, afinal, e aquela não era a primeira vez que o maldito havia resolvido lhe pregar alguma peça.
“Seu filho da puta!” Esbravejou, tentando alcançar o fantasma e, quem sabe, recuperar as suas roupas antes que alguém aparecesse ali. Oh, Merlin, por favor, faça com que ninguém apareça por ali, ela pensou, levemente desesperada “Eu vou te matar, Pirraça. Te matar! Seu… Seu…”
E, apenas porque Cecilia Abbott nunca tivera muita sorte na vida, acabou esbarrando com alguém no meio de sua perseguição no corredor, logo que saíra do banheiro, fazendo com que ela própria caísse no chão devido ao impacto e ainda fizesse com que os pergaminhos de Richard Urquart voassem para longe. Ao fundo, as risadas de Pirraça apenas pareciam aumentar.