⠀⠀⠀[⠀.⠀ . ⠀.⠀]⠀⠀⠀Você também viu TIRIUS SUNGLASS ou fui só eu quem quase tropeçou em um descendente da Casa SUNGLASS DO CANAL DE PORTODOCE no meio da rua? Nascido em VILA GAIVOTA e atualmente com 36 anos, ele ficou conhecido por trabalhar como DONO DE UMA ONG FOCADA EM PROJETOS SOCIAIS, coisa típica de gente famosa. Nas matérias mais simpáticas, costumam descrevê-lo como PACIENTE, GENEROSO e INSPIRADOR; mas, nos bastidores, há quem diga que pode ser RESSENTIDO, COMPLACENTE e INSEGURO. Os tabloides parecem particularmente interessados em seu nome desde que SEU IRMÃO VOLTOU E TIRIUS FOI VISTO TENDO CRISES DE FÉ, mas talvez seja difícil resistir a alguém cuja presença lembra CHEIRO DE LIVROS VELHOS, AROMA DE CAFÉ, OLHEIRAS PROFUNDAS, TEMPESTADES E VOZ SUAVE.
#𝐇𝐄𝐀𝐃𝐂𝐀𝐍𝐎𝐍𝐒;
Seu quarto é cheio de livros jogados pelas mesas e prateleiras.
Dorme pouco e isso é uma consequência da sua ansiedade recém adquirida.
Raramente levanta a voz quando briga, nunca teve esse costume e isso pode irritar as outras pessoas.
Mantém uma coleção secreta guardada de desenhos e cartas que recebe de crianças da sua ONG.
É uma manteiga derretida quando se trata de filmes e ficção.
Não se sente bem em ser chamado de "inspiração."
#𝐁𝐀𝐂𝐊𝐆𝐑𝐎𝐔𝐍𝐃;
Tirius não se lembra da vida passada que teve nascendo na Vila Gaivota, foi a família Sunglass que moldou o homem que ele se tornou.
Adotado ainda jovem em meio a uma crise familiar causada pela fuga do herdeiro biológico, Tirius cresceu sob os holofotes de uma das instituições religiosas e filantrópicas mais respeitadas do país. Desde o início, sua chegada foi celebrada como um gesto de compaixão e renovação, e ele rapidamente se tornou o símbolo perfeito dos valores que a família desejava representar.
Gentil, disciplinado e naturalmente empático, Tirius dedicou a vida a causas sociais, transformando a filantropia em algo mais do que uma obrigação familiar. Ao fundar sua própria ONG, tornou-se uma figura admirada pelo público e pelos fiéis ligados aos Sunglass. Seu trabalho com comunidades carentes, programas educacionais e projetos de acolhimento consolidou sua imagem como um homem íntegro e inspirador.
Por muitos anos, acreditou ter encontrado seu lugar. Faith Sunglass foi quem mais contribuiu para isso, oferecendo um amor genuíno e fazendo com que ele nunca se sentisse diferente dos demais. Com Gunther, a relação sempre foide admiração e gratidão, embora Tirius carregasse em silêncio uma pergunta que jamais teve coragem de fazer: se ele deixasse de ser útil, ainda seria amado da mesma forma?
Essa dúvida, antes adormecida, despertou com o retorno inesperado do filho biológico da família. Pela primeira vez em décadas, Tirius sentiu sua posição ameaçada. Não por causa de dinheiro ou herança, mas por algo muito mais doloroso: a sensação de que talvez tenha sido apenas uma resposta temporária para uma ausência.
Fiel aos princípios que aprendeu, Tirius jamais demonstra abertamente o ressentimento que sente. Pelo contrário, mantém uma postura acolhedora e respeitosa em relação ao irmão. Mas por trás da voz suave, das olheiras profundas e da paciência quase infinita, existe um homem em crise.
#𝐂𝐎𝐍𝐍𝐄𝐂𝐓𝐈𝐎𝐍𝐒;
PROCURO POR: ⠀ Alguém que conheceu Tirius ainda criança; alguém que sempre faz doações pessoalmente para sua ONG; alguém que sempre tenta testar a fé de Tirius, acreditando que ele seja uma farsa; alguém que não acredita muito nas boas ações do Sunglass; alguém que simpatiza com sua situação atual; alguém que sempre busca Tirius para ouvir conselhos sinceros demais.
Não tenho interesse em plots envolvendo shipping e smut. Tirius já possui um endgame.
Nerissa já estava saturada com toda a confusão em relação à viagem. O que era para ser um momento breve de distração acabou se tornando um inferno com todas aquelas pessoas rodeando-a, pedindo para que resolvesse a questão das bagagens. Ela não queria resolver coisa alguma! Estava ali apenas para as formalidades do casamento, como convidada, e não queria saber de processos até o seu check-out.
Sua única alternativa era fugir do olho do furacão e se esconder em algum lugar por algumas horas, até que todos se acalmassem um pouco. E foi nesta situação que foi abordada pelo rapaz. A verdade era que Nerissa não estava com muita paciência, mas acabou se virando para ele para pegar a imagem e dar uma olhada. Surpreendeu-se com o resultado; isso até a acalmou um pouco, mas acabou devolvendo o desenho para o outro. ━ Não. ━ Suspirou. ━ Seria muito injusto te roubar um trabalho assim. E eu também não quero ficar explicando o motivo de eu ter um retrato assim. É um hobby ou você veio trabalhar com isso para o casamento?
⠀⠀⠀Agradeceu baixinho. Tirius gostava de ter seus desenhos; às vezes, os deixava expostos em um mural em seu pequeno estúdio improvisado em casa. Mesmo assim, não acharia ruim se Nerissa ficasse com seu retrato — afinal, era a imagem dela.
— Uma pena. Eu tenho muitos desenhos assim. E digamos que... mais ou menos? — Deu uma risada curta. — Me pediram para fazer, até quiseram pagar, mas eu neguei. Quero que seja meu presente para o casal. — Olhou para a confusão mais à frente. — Você perdeu alguma coisa também?
Devido à sua ansiedade, Jake se via extremamente nervoso com a confusão, apesar de sua própria mala estar perdida. Em outro momento ele poderia resolver e recuperar, mas agora estava desesperado para sair daquela briga. Mesmo sendo alguém de estatura alta, se encolhia com os gritos sem saber para onde ir. No momento em que conseguiu se afastar voltou a respirar com calma, enquanto contava até cinco repetidamente para se controlar. Como se fosse possível, se encolheu ainda mais com a presença do homem, seus ombros já estavam bastante rígidos com toda a tensão de estar em pânico. Ficou calado olhando para o desenho, o desconhecido era realmente talentoso e capturou bem o quão ridículo ele se sentia sempre que se diminuía com a postura. — É… Obrigado, você desenha muito bem. — Respondeu após finalmente encontrar a própria voz. — Mas você que fez… Não deveria ficar com ele?
⠀⠀⠀Negou, sorrindo gentilmente para o rapaz à sua frente. Percebia, mesmo à distância, o quanto ele estava ansioso; talvez fosse uma boa ideia distraí-lo por um tempo.
— Quando desenho outras pessoas, não. É um retrato, de certa forma. Se quiser ficar com ele, é todo seu. — Estendeu a mão. — Sou Tirius Sunglass. Eu fugi da bagunça, não queria estar lá. Você perdeu alguma coisa?
⠀⠀⠀Toda aquela atenção e comoção eram demais para Tirius. Nunca soube muito bem se era extrovertido ou introvertido; tudo dependia do ambiente e de como se sentia perto de quem não conhecia. Em reuniões familiares, ignorava as diferenças óbvias entre o laço de sangue e o laço emocional, e os Sunglass faziam aquilo de forma suave. Tirius raramente se sentia como um peixe fora d'água, o que o tranquilizava desde pequeno. Na ONG, era fácil se soltar, sentia-se em casa, principalmente com as crianças. Ainda tinha o sonho de se tornar professor, talvez mais para frente, quem sabe?
⠀⠀⠀Se afastou de toda a briga sobre as bagagens; todos ali tinham dinheiro suficiente para viajar apenas com a roupa do corpo e comprar um guarda-roupa novo, então não entendia tanta gritaria. Encontrou um bom lugar para se esconder e começou a anotar seus pensamentos no sketchbook que levava no bolso da jaqueta. Com o tempo, passou a desenhar muse sem sequer perceber que o fazia, e sentiu um pouco de vergonha quando se deu conta disso.
⠀⠀⠀Andou até muse e lhe entregou o papel com o desenho.
— Olá, não se assuste! Não sou um stalker! Você acabou entrando no meu campo de visão, e acabei lhe desenhando sem perceber. Gostaria de ficar com ele?