Você não sabe quem eu acabei de encontrar na Praça das sete famílias. Isso mesmo, DRAVEN STRAHD! Ele é um DEMÔNIO VAMPIRO que atua como ESTUDANTE DE MEDICINA aqui em Ninivae, sabia? Ouvi dizer que possui 50 anos, embora aparente ter 25 anos. Os ventos sopraram que esse rostinho angelical é ARDILOSO, mas são os rumores sobre ser INSTÁVEL que ameaçam a nossa paz. Será que teremos problema em lhe estender a mão?
Quão difícil é enganar um sobrenatural?
Bom, Draven não poderia responder por outras criaturas, mas, para ele, era tão simples quanto contar até três. Arrogante de sua parte, claro — mas nem por isso menos verdade. Gostava de pensar que o destino, a Graça ou quem quer que comandasse o jogo insano que viviam, havia-o escolhido para apimentar o enredo. Afinal, um demônio como ele não devia ter tantas... regalias. A primeira delas era um pai.
O que poderia parecer estranho de se vangloriar tornava-se chocante diante de sua hibridez. Demônios mal eram tolerados, quem dirá queridos. Draven, porém, foi mantido por Alaric, educado por ele e protegido em meio ao seu clã. Não fora descartado nem submetido ao destino cruel reservado a outros de sua espécie. O único privilégio que parecia fora de seu alcance, no entanto, era a liberdade — e mesmo essa vinha maquiada de carinho.
Sua origem, na melhor das hipóteses, era nebulosa. A versão oficial contava a história de um bebê por quem Alaric se compadecera, como o bom samaritano que alegava ser. Uma criança abandonada em seu laboratório; uma criança humana que, desde cedo, levava no pulso um amuleto mágico para proteção e raramente fazia aparições públicas. Por anos, sua figura frágil e mirrada, sempre aparentando menos idade do que tinha, serviu de justificativa para o zelo excessivo de seu tutor.
A primeira aparição de Draven fora do círculo de confiança do pai se deu apenas no dia de sua suposta transformação, aos 21 anos. Apresentado como o herdeiro Strahd, sua introdução ao mundo vampírico foi relativamente fácil. Mesmo sua fome não fora descontrolada — o que causou certa comoção. Parecia acostumado, como se tivesse tido décadas para aprender a lidar com os contras da espécie. O que era impossível, claro. Os membros do clã o viram crescer, tornando-se, aos poucos, a promessa que Alaric acreditava que fosse.
A cada negócio que auxiliava a fechar, a cada obstáculo que se encarregava de neutralizar, Draven ajudava a reafirmar a escolha de seu criador. Por décadas, agiu como aprendiz, obedecendo ordens às cegas, absorvendo tudo o que podia ao seu redor. Décadas passadas sob a ilusão de que significava mais para o pai do que uma mera posse. Por descuido, Alaric acabou perdendo o investimento de uma vida sem sequer notar. Bom, pelo menos, não até que o demônio decidisse mostrar-lhe exatamente quanta lealdade lhe devia.
HABILIDADE & ARSENAL
Roubo de habilidades — Draven é capaz de absorver habilidades através do toque. Não aquelas concedidas por natureza ou linhagem, mas as que têm origem direta na Graça. Para alcançar tal feito, além de estabelecer contato físico, o Strahd precisa ter a intenção de replicar a magia alheia. Não basta encostar ou segurar a mão, é preciso querer. O poder extraído, contudo, não é transferido de forma permanente nem integral. A magia se fragmenta entre o portador original e o demônio por minutos — ou, no máximo, horas. Embora possa soar como fraqueza, há uma vantagem estratégica nessa fragmentação, já que a magia não desaparece de suas vítimas, tornando o processo de compartilhamento quase imperceptível.
Entretanto, como nem só de abusos de poder se sustenta um demônio, o dom apresenta limitações claras.
Draven só pode absorver uma habilidade mágica por vez;
Quanto mais poderosa a Graça apropriada, menor sua duração e maior o desgaste físico;
O uso prolongado pode causar hemorragias, tremores, exaustão intensa e agravamento da instabilidade mental;
Vale ressaltar que a ingestão de sangue do alvo prolonga e potencializa o efeito da habilidade, sem torná-la permanente.
EXTRAS
Não houve nada de sem querer na concepção de Draven. A sedução de uma bruxa, um acordo para manter a criança, o encaixe de novos peões em seu tabuleiro… Nada estava fora do planejado por Alaric. O “herdeiro” que desejava, viria do seu sangue, com mais poderes que os de seu inimigo. Um plano arquitetado por décadas, que levaria outras mais para se completar. Mas então, o que o vampiro tinha senão tempo em suas mãos?
Alaric trouxe Draven para sua casa com dias de vida e um amuleto de proteção preso ao punho minúsculo. A pulseira, no entanto, garantia que sua essência sobrenatural fosse ocultada — uma magia delicada, que precisava de manutenção regular para continuar funcionando. O objeto garantia, também, que caso fosse detectada alguma aura mágica na criança, essa fosse atrelada ao amuleto e não a Draven.
Suas primeiras décadas foram passadas em reclusão. Draven não tinha acesso ao mundo exterior a não ser ao lado de seu pai; e eram poucas as pessoas que tinham acesso a ele em privado. Alaric montou uma equipe seleta para cuidar de seu filho, que fora apresentado apenas ao líder dos Valsombra ainda criança, como prova de sua humanidade. Ninguém questionou a criação paranoica do Strahd, que sempre foi uma figura… Excêntrica.
Alaric não tinha desejo de usurpar a liderança de seu clã, mas desejava, sim, mais poder — para além do que Elias lhe dava. A escolha de uma prole demoníaca não foi feita à toa e os anos treinando Draven e o usando como arma para angariar segredos de seus inimigos, se provaram sábios. Seu pequeno negócio farmacêutico cresceu consideravelmente desde que adicionou o rapaz aos seus planos.
O envelhecimento de Draven começou a retardar quando bateu a marca dos 18 anos. Seu envelhecimento por muito tempo, porém, não seguiu a regra para os demônios — um efeito colateral dos feitiços ao qual fora exposto por toda a vida e do consumo regular de sangue sobrenatural. Nos primeiros 10 anos após o retardamento iniciado, envelheceu 1 ano aparente. Nos próximos 12, mais 2 anos aparentes. Nos últimos 10, foram 4 anos aparentes. O que, sinceramente, ajudou bastante a manter a fachada como vampiro. Agora, porém, parece estar envelhecendo como qualquer outro demônio.
Para todos os efeitos, desde a encenação de sua transformação, Draven é um vampiro. A pulseira que muitos pensam ainda usar por valor sentimental, agora oculta sua parte bruxa, fortalecendo a encenação orquestrada por Alaric. A manutenção do feitiço é mais espaçada atualmente, já que apenas uma de suas essências está oculta. Claro, há muitos detalhes vampíricos que Draven simplesmente não consegue replicar, então se vira nos 30 para ir enrolando outros sobrenaturais como pode (usando charme e usurpando poderes alheios). Por questão de segurança, apenas sua família sabe de sua verdadeira origem.
Alaric possui uma rede de laboratórios que, nas últimas décadas, vem permitindo que Draven tome a frente. O negócio, é claro, tem uma parte ilícita que facilita o tráfico de sangue na cidade fantasiado de doação.
A favor de manter a imagem para os humanos e liderar os negócios abertamente, Draven se inscreveu para cursar medicina. Já está no último ano de curso, se preparando para sua residência e cada vez mais perto de “herdar” a rede de laboratórios do pai. Nepobaby sempre.
Ainda continua a fazer trabalhinhos sujos para Alaric, obviamente. Apesar de agora possuir interesse pessoal nos esquemas do pai e menos lealdade.













