Like a Tsunami Wave || Adam x Charlie
Quando começava uma luta, era como se o mundo deixasse de existir. Adam era ciente de eu ele tinha problemas com raiva muito mais do que gostaria de realmente ter, mas não sabia como controlar. Não existia nada igual a brigar e aliviar toda a raiva e tensão que sentia, e, convenhamos, a sua tensão estava nas alturas naquela noite. Havia encontrado com pessoas que não queria e ainda havia visto a cara cínica e mentirosa do pai falando todas aquelas mentiras que ele e todos os rebeldes estavam cansados de saber que não condiziam com a realidade. Parte de Adam entendia que era um estado de negação que ele sentia, querer destruir as coisas com as próprias mãos sabendo que não podia mudar nada ainda, tendo de esperar sem uma data prevista para poder colocar tudo para fora.
Sabia também que era uma burrice o que estava fazendo. Ouviu a voz da garota quando se jogou em cima do outro rapaz, mas a raiva explodiu em seu peito, voraz, consumindo tudo que ele poderia sentir naquele momento. O rapaz, que não era tão mais velho do que ele, caiu no chão com ele por cima, amortecendo sua queda. Tentou lhe empurrar, mas Adam, acostumado a brigar, firmou os joelhos no asfalto e levantou a mão, desferindo o primeiro soco que bateu certeiro na mandíbula do outro. Uma torrente de socos começou a ser deferida, enquanto ele deixava toda fúria dentro de si se esvaziar e sua mente ficar praticamente em branco. Não se lembrou de quantos socos deu, mas sabia que precisava parar porque logo o homem não iria resistir – e ele não era um assassino.
Ofegante, levantou o punho que estava com o sangue do homem, o vendo ali largado no chão. Tentou controlar a respiração, mas não conseguia, os dois punhos doendo com os movimentos e força empregados, mas a mão direta estava com pequenos cortes por ela, carne batendo em carne, ossos batendo em ossos.
Levantou-se e em pé, passou a mão no rosto, tirando o suor, um rastro de sangue ficando ali. Sem uma palavra ainda, segurou as pernas do homem e o puxou arpa cima da calçada, o largando ali. Não pegou a bicicleta, deixando ela ali caída no meio fio, mas passou e pegou o revolver velho, colocando no cós de sua calça. Se sentia agora quase que anestesiado, tudo por dentro começando a se encaixar novamente, a imagem de seu pai sumindo na nevoa de cansaço que se instalou em seu corpo. Levantou a mão novamente, passando no rosto e tirando o pouco de sangue dele e do homem que estava ali e se aproximou ofegante de Charlie, que estava encolhida no lugar e somente agora se dando conta dela mesmo ali. Pensou que ela havia corrido – mas a ouvira gritar, não ouvira? Se aproximou mais, a vendo ali encolhida e se inclinou sobre ela, levantando as mãos, pronto para a segurar pelos braços e a levantar. – Vem, a gente tem que sair daqui. – Sem completar o movimento, falou, esperando para a garota se deixar levar – ou não.
Charlie queria desviar o olhar da cena, mas simplesmente não conseguia. Só acompanhava os movimentos violentos do garoto, acertando o outro caído no chão que ela sinceramente nem sabia se ainda estava vivo depois de apanhar tanto. Colocou as duas mãos nas laterais do rosto, um tanto por cima das orelhas, tentando tampar o som, tirar aquele barulho da carne acertando a outra que fazia a cabeça dela latejar com mais força ainda do que já estava antes, a dor tomando conta de cada centímetro dela. Queria sair correndo também, levantar e ir para bem longe, não ficar perto daquele garoto que pareceu tão tranquilo primeiramente, mas que agora estava demonstrando que não era nada disso, nem de longe. Viu ele levantar, parando de acertar o outro e o arrumar em cima da calçada, para logo em seguida pegar a arma que ficou no chão e vir próximo dela. Quis gritar também, mandar ele não se aproximar demais, mas não encontrou voz para fazer isso, apenas deixando um pequeno soluço escapar entre os lábios e só aí foi que ela viu que estava chorando, tamanho o medo que sentiu. Deixou ele a levantar, mas se afastou das mãos dele no segundo seguinte, sem nem tentar não parecer grossa agora porque o medo que ela sentia era maior do que tudo. Sentia medo de ter quase morrido com aquela estátua caindo, medo do quase assalto que sofreram, medo de estar numa rua escura que ela nem conhecia e medo também do garoto que estava na frente dela. Passou as mãos no rosto, limpando as lágrimas que tinham caído ali e moveu a cabeça, sem nem uma palavra, apenas começou a caminhar na direção em que eles estavam indo anteriormente. Se abraçou com mais força ainda do que estava fazendo antes, tentando conter o tremor do próprio corpo, os olhos baixos, quieta, pensando. - Ele ainda está vivo? - Nem conseguiu conter a pergunta que saiu bem baixa, quase que um sussurro, sem nem saber também se tinha coragem para suportar a resposta caso fosse que não, que ele não tinha.















