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Joshua, embora eu fique feliz que você está finalmente admitindo suas tendências sexuais, eu gostaria que não as demonstrasse comigo.

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Joshua, embora eu fique feliz que você está finalmente admitindo suas tendências sexuais, eu gostaria que não as demonstrasse comigo.
[30th Chancellor's Anniversary] May your limits be unknown | Holden & Rupert
Holden nunca fora de ir a festas - nos túneis, elas eram raras e, quando aconteciam, não exigiam que ela usasse nada além do jeans acompanhado das camisetas estampadas com nomes de bandas punk que havia confeccionado assim que as ouviu pela primeira vez. Isso, em suas primeiras semanas nos túneis. Estava lá há alguns anos. Por isso, havia tentado de toda forma encontrar algum vestido em meio às roupas que tinha, obtendo sucesso apenas quando estava perto de desistir. E deixar Rupert esperando.
Era um vestido preto, sem muitos detalhes e um tanto quanto largo - sequer lhe caiu muito bem, mas era a única opção que tinha. Passou horas demais tentando ajustá-lo até que se moldasse a seu corpo e calçou o velho tênis de sempre. Deixou o cabelo minimamente arrumado, ainda que ele naturalmente fosse bagunçado e parecesse apontar para todos os lados e carregou um pouco de maquiagem nos olhos. Durante todo o período entre decidir que precisava se arrumar e estar pronto, a ideia de não ir havia passado pela sua cabeça mais de cem vezes. Haveriam pessoas demais. Certamente, pessoas conhecidas. E se ela não conseguisse entrar, seria presa. Ben não poderia salvá-la todas as vezes.
Caminhou em passos curtos em direção à Ala Oeste, a saída que nunca usava exatamente por ser aquela que atraia um maior fluxo de pessoas. Assim que o fez, tentou lembrar as vias de Gallica, recuperar fragmentos de sua vida passada para que lembrasse como fazer para chegar ao ponto de encontro. A velha padaria, em uma das ruas que dava acesso à Praça Central. Rupert havia perguntado mais de cinco vezes se ela lembrava aonde era e, em todas, havia respondido que sim, num tom visivelmente irritado. Detestava ser tratada como uma criança que não sabia se cuidar sozinha.
Detestava, ainda mais, perceber que merecia ser tratada assim.
O relógio em seu pulso lembrava-lhe do horário marcado com o médico e… Amigo, ainda que Holden não tivesse muita certeza se esse deveria ser o título destinado a ele. Perdeu-se entre as ruelas do centro de Gallica como se fosse uma visitante, mas não deixou que isso transparecesse em seu semblante. Tentava manter-se calma, dar um passo de cada vez e lembrar, senão do caminho, dos arredores. Para onde poderia correr se houvesse algum problema.
Havia marcado de encontrá-lo às dez horas. Horário em que todos estariam bêbados ou, mais raramente, divertindo-se demais para reparar em uma penetra. Eram dez e meia quando avistou a fachada da padaria, os olhos queimando numa tentativa de conter as lágrimas que precediam ao desespero. Os fechou, respirando fundo antes de encostar-se na parede do estabelecimento, para logo passar a procurar por Rupert. Ele era alto, não muito difícil de visualizar em meio à multidão, mas ela ainda não conseguia vê-lo.
Voltou a checar o relógio de pulso. Dez e quarenta. Engoliu a seco e sentiu a respiração acelerar, à medida em que algumas lágrimas lhe salgaram os lábios. "Son of a lying whore." Murmurou, tentando encontrar algum equilíbrio enquanto pensava em como voltaria aos túneis. E, em como furaria os olhos do médico com um bisturi da próxima vez em que o visse. Se o visse.
Ele sempre fora bom com horários. Pontualidade britânica, como dizia o ditado do mundo antigo, que ele descobrira ao ler em um dos diversos livros da galeria. Quando era pequeno, implorou para que o pai o ensinasse a ver as horas em um relógio de ponteiro, e logo que aprendeu, implorou para que o comprassem um – pensando bem, Rupert até fora uma criança pidona. O primeiro relógio que teve certamente já não servia mais, entretanto, seu pulso sempre exibia um. Sempre checava o horário, mesmo quando não tinha nenhum compromisso, apenas para ter uma ideia da passagem de tempo. Infelizmente, essa pequena mania não se fez presente naquela noite, justamente quando ele precisava. Precisava, porque, pela primeira vez em muito tempo, estava saindo com alguém que realmente gostava. Era claro que saíria algumas vezes, até mesmo depois de Sarah, mas era apenas uma tentativa desesperada de seguir em frente com pessoas que mal conhecia, e as noites acabavam com silêncios desconfortáveis e promessas vazias que eles iriam se ligar, o que nunca acontecia. Convidara Holden sob o pretexto de que ela realmente precisava de um pouco de ar puro e que ninguém a notaria em uma festa lotada como aquela, embora realmente só queria vê-la sem estar usando um jaleco. Como se eles fossem apenas Holden e Rupert, duas pessoas normais, se divertindo em uma festa. Sem ele ter que se controlar a cada copo de champagne que passava ao seu lado, sem ela sentir que o céu está tentando esmagá-la por não estar dentro dos tunéis. Podiam fazer isso. Ou pelo menos, poderiam, se ele não tivesse se atrasado quase uma hora inteira.
Sentiu uma vontade desesperadora de correr até o local onde deveria encontrá-la, mas sabia que não podia. Era uma festa, é claro, mas ainda era uma festa promovida pelo governo de Gallica I, e os policiais pareciam estar em todo lugar. Ninguém corre desesperadamente em um lugar onde a diversão é a regra geral, no sentido literal da palavra. Ele simplesmente atravessou a praça, o olhar voltando para seu relógio de tempos em tempos, conforme os segundos passavam rápido demais para ser possível. Faltava quinze minutos para as onze quando avistou a padaria, e sentiu uma onda de alívio percorrer seu corpo ao ver que não havia nenhum policial por perto. Só precisou de mais alguns passos para vê-la. Estava maravilhosa, embora isso não fosse nenhum choque para ele. Um sorriso surgiu em seus lábios inconscientemente, mesmo que meio segundo atrás ele estava arquitetando um discurso de desculpas em sua mente e planejava falá-lo assim que a encontrasse. Sua felicidade, no entanto, não durou. As lágrimas escorriam pela sua bochecha, e por um momento, ele ficou sem certeza do que fazer. Atordoado, como há muito tempo não ficava, e como provavelmente não devia ficar. Sabia que Holden tinha motivos o suficiente para chorar desde antes de conhecê-la de verdade, mas, por algum motivo, não esperava vê-la naquela situação. “Shit, Holden, I'm sorry.” murmurou, se aproximando dela, estendendo os braços para abraça-la mas corrigindo o erro rapidamente. “I'm really sorry, are you okay? Do you want to go home?”
minha pressão se elevou depois que te vi me segura
Você está bem? Quer um pouco de sal? Espere...
Essa é outra daquelas cantadas?
Someday we'll know | Charlie x Rupert
Os passos de Charlie eram extremamente silenciosos enquanto ela vinha pelo longo corredor entre os tuneis onde os rebeldes ficavam, não querendo chamar muita atenção para ela. Sabia que alguns por ali cochichavam sobre ela ter saído do manicômio, isso quando não vinham direto até ela para perguntar coisas das quais ela não se sentia confortável em falar para ninguém, as coisas que mantinham ela acordada boa parte da noite e faziam as olheiras dela parecerem cada vez mais fundas. Suspirou fundo, colocando a franja para trás da orelha enquanto o resto do cabelo ficava preso em duas tranças, indo ao destino dela. Desde que acordou aquele dia, ela sabia que era dia de consulta com Rupert e isso sempre deixava ela tensa. O problema não era com o homem, nem de longe, o problema era ter que falar sobre tudo aquilo. Ela sabia que bons meses tinham passado e que já era hora de começar a colocar para fora, só que ela não conseguia, parecia que tinha um bloqueio na mente dela. Colocou as mãos nos bolsos da calça de abrigo que vestia, apenas uma blusa simples na parte de cima e coberta por um casaco, porque também não importava o que fazia, ela não conseguia parar de sentir aquele frio que sentia desde quando estava presa lá. Parecia até mesmo que tinha vindo impregnado nela, o que era uma das maiores loucuras que passavam pela cabeça dela, provavelmente. Olhou em volta, vendo que estava quase que sozinha pelo corredor e então bateu na porta da sala onde Rupert a atendia sempre quando tinham consulta, as batidas soando fracas e mesmo sem ele responder que ela podia entrar, ela abriu a porta que estava encostada devagar, sem saber se ele estava ali ou não esperando por ela, entrando no lugar ao qual já estava ficando quase que acostumada de ir praticamente todos os dias.
Já fazia parte de sua rotina. Deixava a enfermaria nas mãos dos outros médicos e se dirigia a sala onde as consultas com Charlie ocorriam. Dia sim, dia não, no mesmo horário, sem falta. Pedira a sala privada antes mesmo de conhecê-la. Sabia que a garota se recusava a falar com qualquer um quando chegara, e temia não fazer nenhum progresso se as consultas quase diárias fossem em um lugar lotado de estranhos, onde qualquer um poderia ouvir o que ela falava – se ela falasse, o que chegou a demorar um pouco.
Assim como era seu costume, chegou na sala cerca de dez minutos mais cedo. Não queria correr o risco de se atrasar, e ela acabar chegando mais cedo e resolvendo ir embora antes que eles tivessem uma chance de conversar. Sabia que ela precisava. Qualquer um que passava pelo manicômio parecia sair afetado, e ela havia ficado lá por vários meses, meses até demais. Por mais que diversas pessoas que conseguiam se “curar” dentro do instituto tentassem fingir que nada nunca acontecera, não era uma tarefa fácil. Até mesmo ele, que fora afortunado em ser médico e não paciente no local, estremecia ao pensar nos dias que passava lá dentro.
Escutou a porta abrindo, e ergue os olhos enquanto ela entrava. Sorriu levemente para mostrar que estava feliz em vê-la, o que estava. Tinha se afeiçoado a garota, assim como costumava com a maioria de seus pacientes. Talvez ele simplesmente se importasse demais. “Charlie!” cumprimentou, gesticulando para a poltrona a sua frente, embora ela obviamente já sabia onde deveria sentar. Aquilo era tanto parte da rotina dela quanto da dele. “Como se sente?”
[June, 2150] The first rule of Fight Club is: — Joshua & Rupert
Para alguns, talvez aquela lembrança especial que faz seu coração palpitar e as mãos suarem apenas aos relembrar e repassar flashes do momento em sua mente remeta ao primeiro beijo. O proximidade do outro em relação ao seu corpo, como se estivessem prestes a quebrar todas as leis da Física e ocupar um mesmo espaço, a sensação térmica elevada aquecendo todo o corpo – da ponta dos pés até o último fio do cabelo despenteado pelas mãos que há pouco traçaram seu caminho por ali – mesmo que seja uma noite fria de inverno e sua família não tenha dinheiro suficiente para comprar-lhe agasalhos condizentes com o clima. E não pouco mais de meio minuto, enquanto todas essas sensações ainda esquentam seu corpo e levam o frio embora com o calor emanado pelo seu semelhante, as lembranças são criadas e tomam posse de uma parte de si para elas.
Para alguns, é claro.
Para Joshua, as mesmas sensações se aplicam a uma lembrança oposta à paixão e tudo mais que a envolva. Embora ainda haja a proximidade, os fios de cabelo desgrenhados e o frio abandonando seu corpo, não há nada que lembre nem que remotamente a um beijo. A parte do corpo do outro que vai de encontro ao seus lábios não são outros lábios; um punho sem piedade que o atinge, fazendo com que seus próprios dentes se choquem violentamente com o lábio inferior, abrindo um corte e pintando o sorriso zombeteiro que se nega a deixá-lo com o vermelho do seu sangue.
Naquela noite em questão, eram esses os pensamentos que rodeavam a mente do homem. Não que sua vida girasse em volta de uma boa briga ou algo assim, mas sempre fora uma dificuldade tremenda conseguir se concentrar nos demais trabalhos após duas semanas sem comparecer ao Clube. Mesmo sabendo que as reuniões e decisões internas sobre os Rebeldes deveriam vir em primeiro lugar – é uma de suas maiores responsabilidades, oras! Vidas são confiadas em suas mãos calejadas, mesmo que indiretamente – e que, se tratando das lutas, seu irmão mais novo não deixaria nada a desejar em sua ausência, ainda assim, era um pensamento difícil de tirar da sua mente. Talvez sua vida realmente girasse em torno da violência gratuita, afinal.
O que não se fez de uma grande surpresa ao se deparar com outra alma viva enquanto seus passos apressados eram um dos poucos barulhos que ecoavam pelo local que imaginava estar deserto àquela hora da noite. A pessoa em questão – um homem ruivo, tão familiar a Joshua quanto ele próprio – carregava um semblante tão miserável quanto o seu próprio. E por todas as suas experiência passadas, sabia muito bem que aquilo estava longe de ser um bom sinal vindo do outro. "Já te vi em muitas situações ruins, mas essa…" Se fez ser ouvido ao tentar obrigar um falso ânimo tomar conta da sua voz, alta o suficiente para tirar o outro dos seus devaneios. "Rupert, sério, me diga: você passou por cima de algum animal indefeso? Matou alguém? Foi uma velhinha, não foi?! Antes de começar a se lamentar, me deixe dizer que não foi sua culpa. Não foi, meu amigo, eu juro. Ela estava prestes a morrer mesmo. Só devia ter mais uns… dez ou quinze anos pela frente." Riu divertidamente pela primeira vez naquele dia, embora seu semblante ainda permanecesse um pouco duro pelas tensões do seu dia a dia.
"Ou é apenas desgraça gratuita?" Perguntou, por fim, ao se aproximar e perceber que o homem estava longe de abandonar sua miséria à favor de dignar-lhe uma resposta. Não havia problema em atrasar alguns minutos e sabia que, como sempre, John assumiria o papel anfitrião entre todos os irmãos e daria um início digno às lutas da noite até sua chegada ao local. Afinal, sabia muio bem que aquela expressão do ruivo só podia significar uma coisa: um Rupert para lá de bêbado vagando madrugada afora, se recusando a falar sobre qualquer que fosse o assunto dos seus assombros mas lamentando mesmo assim pela sua vida. Algo que, aos olhos de qualquer outro, não poderia passar de uma imagem patética de um bêbado moribundo. Enquanto que, para Joshua, não passava de um reflexo borrado dele próprio naquela e em muitas outras noites; era necessário apenas tirar o desejo cego pela bebida – aquilo o lembrava seu pai e ele se recusava a seguir os passos do homem que ainda assombrava seu subconsciente nas noites turbulentas – e substituí-la pela briga. A melhorar lembrança da sua vida.
Autopiedade era o seu maior talento. Não fazer curativos ou estancar sangramentos, nem mesmo beber uma dose de uísque depois da outra com uma rapidez que não podia ser natural – embora esse fosse seu segundo maior talento. Planejava usufruir de ambos naquela noite, mesmo que dentro dos tunéis. Existiam diversas formas de se distrair no subsolo, todas elas sem as restrições e limites, diferente das que existiam na cidade, no entanto, Rupert não estava interessado em livros de cem anos atrás que retratavam um futuro distópico que ele não tinha certeza se era pior ou melhor que o presente que vivia, ou filmes sobre o espaço ou um casal que insistia em ficar separados mesmo que sendo óbvio que depois de duas horas de história, eles ficariam juntos. E, se bem lembrava, em algum lugar ali embaixo, os rebeldes estavam “brincando” de distribuir socos gratuitamente até um dos lutadores não aguentar mais. Não, para ele, nada era melhor que um (ou dois, ou três) copo cheio de bebida cor de malte. Podia muito bem ter saído algumas horas mais cedo e já estar no conforto de sua casa, mas tinha se distráido no trabalho, e passar a noite no dormitório dos rebeldes não era de todo ruim, e pelo menos não teria problema se encontrasse alguém enquanto estivesse bêbado, exceto, talvez, pela vergonha. Estava tão acostumado a recorrer a bebida quando os pensamentos ruins aparecia que ele se perguntava se não os forçava apenas para ter uma desculpa e se sentir um pouco menos patético. Pessoas já foram internadas no manicômio por beber menos que ele bebe, e sabia que corria o risco de pegar um policial um pouco mais explosivo e acabar lá para ser “curado” de seu “vício”. Não era um viciado. Alcoolátra, a palavra que usavam. Um gole aqui e ali todo dia, é claro, mas não ficava bêbado todo dia, apenas quando os fantasmas de seu passado pareciam querer arrastá-lo para longe. Não era culpa dele que os fantasmas eram frequentes. Não era culpa dele que o álcool funcionava como sua âncora.
Seus passos o levavam atráves dos tunéis, e ele caminhava mais rápido conforme se aproximava, como se ele estivesse no deserto há meses e a garrafa que procurava estivesse cheia apenas de água. Ouviu o barulho de outros passos, um alto demais para ser seu próprio eco, e desejou com todas as forças para que não fosse um conhecido. Era claro que ele não merecia tal sorte, e o homem que cruzou seu caminho era ninguém mais, ninguém menos, que seu melhor amigo, que o conhecia bem demais para deixá-lo continuar em sua jornada atrás da bebida assim que descobrisse que era disso que se tratava seu pequeno passeio no meio da noite. Talvez devesse mentir que era para um encontro, e seria capaz de Joshua lhe entregar uma camisinha. No entanto, sua semblante irritado logo foi substituído por um franzir de testa em preocupação. O loiro, assim como ele deveria parecer, tinha certeza, não aparentava estar nada bem, mas ainda parecia capaz de fazer piadas idiotas. Uma risada fraca escapou enquanto ele balançava a cabeça em falsa desaprovação do amigo, mas ela logo morreu em sua boca. “Você me conhece.” disse, um sorriso sem nenhum humor nos lábios. “Velhinha, com certeza. E ela estava passeando com o cachorro dela. Então você poderia chamar isso de um combo."
Not a headache || Rupert and Kyle
Kyle estava nervoso. Não do jeito que ele constantemente estava, mas de forma diferente; provavelmente o nervosismo que você sente quando mente descaradamente para sua melhor amiga quando sabe que ela ficará no mínimo irritada quando desvendar toda a verdade. Quando, e não se, já que o rapaz sabia que Autumn iria descobrir, mais cedo ou mais tarde, o motivo por trás da distância de Kyle e Daniel.
Sentia-se culpado por não contar a ela, mas sabia que iria se sentir muito pior caso contasse e algo acontecesse com a garota. Suspirou; estava em um beco sem saída. Levantou-se e, após uma desculpa esfarrapada sobre estar com dor de cabeça, encaminhou-se para a enfermaria dos rebeldes. No caminho, perguntava-se quanto tempo demoraria para que alguém tomasse nota de que ele tinha dores de cabeça frequentes demais para todas elas serem reais.
Chegou na ala médica com uma falsa careta de dor, que manteve mesmo quando encontrou com o olhar de Rupert. Na verdade, até chegou a acenar para o mais velho, chamando-o, enquanto sentava-se na maca mais próxima.
"Dor de cabeça.", justificou-se antes de dar chance para o outro falar quando este se aproximou. "Talvez seja causada por um problema que me causa extrema dor psicológica. Com o qual um cara legal poderia me ajudar.", e levantou as sobrancelhas, deixando bem claro para o médico que tinha vindo ali para encher-lhe a paciência com mais um de seus pedidos por conselhos.
Em meio a cortes, curativos, e um Joshua incrivelmente insistente pedindo por mais analgésicos, tinha sido um dia extremamente comum. Rebeldes tinham diversas formas de se machucar, sendo porque eles se distraiam cortando vegetais ou porque achavam uma boa ideia socar uns aos outros até que um nariz quebre por diversão. Surpreendentemente, o primeiro era mais frequente do que qualquer um imaginaria. A única coisa que faltava para completar sua rotina era Kyle aparecendo com alguma desculpa esfarrapada para conseguir conselhos. Ele nunca realmente recusava, afinal, não queria que o garoto se machucasse de propósito apenas para conversar com ele em hora de trabalho. Não entendia porque ele confiava tanto em seus conselhos, visto que ele não chegava nem perto de ser bom nisso.
Assim que se afastou da garota que estava atendendo no momento, viu o rapaz entrando com uma careta de dor tão falsa que não enganaria nem mesmo uma criança de dois anos. Revirou os olhos, mas um sorriso brincou nos lábios, e caminhou até chegar a maca que o garoto se acomodara. “Salvando vidas, Kyle, lembra?” perguntou, acenando para o restante do do lugar, em um gesto auto-explicativo. Mas não havia ninguém que precisasse de cuidados urgentes e nada que os outros que trabalhavam com ele não pudessem resolver. “Meu conselho é: faça mais amigos, saia mais de casa, e não, sexo virtual não conta como um namoro.” Balançou a cabeça, rindo silenciosamente de sua própria piada, e encostou-se contra a parede, voltando a expressão séria. “Do que precisa?”
Think of all the luck you got | Rupert & Esmeralda
Ainda era cedo. Cedo demais. Em um dia normal, ele ainda estaria nos tunéis, tratando qualquer enfermo que entrasse, tentando ajudar o máximo possível. Hoje não era um dia normal. Suas mãos estavam trêmulas demais, inseguras demais, e sua cabeça parecia prestes a explodir. Não estava na condição de trabalhar, e precisava de muitos bons goles de uísque para sentir que estava normal novamente. Já estava agindo como bebâdo o dia inteiro, ficar de verdade não podia trazer muito dano. Era por isso que se encontrava sentado na frente do balcão do bar mais próximo, já no seu terceiro copo. O sol estava começando a desaparecer, mas ele perderia o espetáculo que é o pôr do sol, seus olhos focados no líquido cor de malte no copo. Não sabia porque dependia tanto de uma bebida, porque se agarrava aquilo como se fosse um tronco e ele estivesse se afogando. Apenas bebia, um gole atrás do outro, sempre que as coisas pareciam difíceis demais. Ele não sabia lidar com os problemas. É claro, podia tratar de um ferimento e dar um conselho vez ou outra, mas quando se machucava, sempre deixava sangrar até parar sozinho, e só pedia conselhos ao líquido que queimava sua garganta e enuviava sua visão. Era mais fácil assim, ele garantia a si mesmo. Ninguém precisava de mais problemas sobre seus ombros, ainda mais tão ridículos quanto os seus. Já fazia anos. Estava na hora dele superar, superar de verdade, não apenas fingir que tinha seguido em frente até não aguentar mais e precisar encher a cara por horas. Mas a bebida era um ótimo ombro para chorar e sempre estava lá quando ele precisava. Fazia o parecer patético, mas era exatamente isso que ele era.
Seus olhos se ergueram para pedir que o bartender enchesse novamente seu copo, quando avistou alguém que ele esperava não ver nunca mais. Piscou, como se o álcool estivesse brincando com sua visão, mas sabia que nunca confundiria aquela mulher com outra. Se tinha alguém que sentia prazer em torturar os pacientes no manicômio, esse alguém era Esmeralda. Nunca tivera mais do que algumas conversas com a mulher, mas já sabia o suficiente para detestá-la. Voltou o olhar para o copo já cheio, e deu mais um gole, a bebida queimando sua garganta. Seus olhos se fecharam, como se isso fosse torná-lo invísivel. O que menos precisava agora era de alguém que o lembrasse daquela época de sua vida.
[Flashback] I'm half doomed and you're semi-sweet | Holden & Rupert
Quando era pequena, Melanie não tinha problema algum com médicos. Em todas as consultas de rotina, ganhava pirulitos e jovens e bonitos adultos de branco lhe sorriam. Assim que saia da consulta, Beatrice, sua mãe, costumava levá-la à sorveteria onde ela ganhava duas bolas de sorvete de chocolate por ter sido uma boa garota e feito tudo aquilo que o doutor havia pedido. A pequena ansiava por dias como esse. Holden, já sem nenhuma parcela da inocência que emanava daquela versão de si mesma, detestava médicos. Detestava-os por todos os trejeitos que o chefe da Ala demonstrava naquele momento - o olhar cheio de piedade e de falso conforto combinado ao tom de voz ameno, como se tudo estivesse bem. Diziam "você está progredindo de forma impressionante" como se os pesadelos não a perseguissem todas as noites ou como se as lágrimas não queimassem seus olhos quando acordava de manhã.
"I don’t have a choice, do I?" Sorriu, mas não havia qualquer simpatia na forma como os lábios se curvaram. Rupert, como ele havia dito que se chamava, parecia mais incomodado do que ela com a situação, o que quase a fez rir. Odiava médicos há tanto tempo que, por vezes, esquecia que havia humanidade por trás de seus olhos piedosos. "I’m Holden, but I suppose you know that." Ajeitou-se na maca, deslizando o olhar para qualquer objeto atrás do homem de branco. Não gostava de olhá-los nos olhos. "Otherwise, you’re awful at your job." Deu uma risada curta e abafada, que logo esvaneceu, dando lugar à expressão séria que sempre carregava.
Gostaria de ser como a maioria das pessoas imaginam os médicos. A frieza característica da profissão, a capacidade de dar notícias ruins a uma mãe e não se sentir um completo monstro. Controlado. Equilibrado. Estável, o que ele certamente não era. Nem mesmo quando ainda tinha sua vida nos eixos, com um emprego bom e uma vida social aceitável para os nivéis de Gallica I. Não gostava da divisão que a sociedade impunha, entre estável e instável, como se um episódio ruim pudesse julgar a vida inteira da pessoa e trancá-la em uma instituição de cura que na maior parte do tempo apenas torturava seus pacientes. A garota a sua frente com certeza não merecia ser internada em um lugar como aquele. Tentava não ouvir a consulta quando era uma de suas enfermeiras sozinhas, mas era impossível quando estava apenas sentado lendo um livro. A voz de Holden parecia flutuar até seus ouvidos, e ele costumava reler a mesma linha várias vezes. Ainda assim, essa seria a conversa mais longa que teria com ela, mesmo ela já tendo visitado a Ala Hospitalar diversas vezes.
Puxou a cadeira para mais perto da maca, e sentou-se mais uma vez. Um sorriso apareceu em seus lábios, como um reflexo em relação ao dela. Esperava que esse não tivesse saído tão falso e desesperado como o primeiro. “You could leave. I'm not telling.” disse, um leve tom brincalhão na voz. Era como conseguia lidar com consultas desse tipo. Agindo como se fosse amigo da pessoa. Ironicamente, era o que o metera em problema quando ainda não era um rebelde. “Yes, I know that.” Vasculhou sua memória por uma das perguntas que as enfermeiras sempre fazem, sentindo-se julgado por demorar tanto tempo para começar. “When was the last time you went outside the tunnels?”
moodboard: rupert brechter [1/∞]
Compartilhe conosco o quanto o Joshua é importante na sua vida.
Sinceramente? Só sou amigo dele porque tenho medo que ele acabe se matando com aquele maldito joelho, fora isso, não suporto o cara.
Mas falando sério, Joshua é um bom amigo. Sabe me colocar de volta nos trilhos, gostaria de poder fazer o mesmo com ele. Mas qualquer um que o conheço sabe que ele prefere resolver as coisas com socos ao invés de palavras.
o que acha da holden ein me conta
Holden é uma pessoa incrível, sem mais. É forte, inteligente - como não seria, com a quantidade de livros que lê? E eu tenho muita sorte de tê-la como amiga, mesmo que eu não ache que o sentimento seja mútuo. Gostaria de poder ajudá-la mais. Fazê-la sorrir mais. O sorriso dela é o mais lindo que eu já tive o prazer de ver.
vamos brincar de médico?
eu não sinto muita vontade de brincar de médico com um desconhecido, sinto muito.
doutor, você é a cura pro fogo nesss ppks rebeldes
curte novinhas?
Não estou realmente a procura de alguma coisa agora.
mas de qualquer forma, a resposta é não. Tente com Joshua, ele aceita qualquer uma que cair no colo dele.
Onde é o lugar mais louco que você já fez sexo?
No banheiro. Da escola. Isso conta?