O DESCONFORTO
Era uma área rural na qual ocorria uma festa, mas não uma qualquer, o local emanava um estilo antigo preenchendo-me com sentimentos nostálgicos. Haviam mesas redondas com longas toalhas brancas por cima e dispostas sobre elas, pratos, talheres e taças. Enquanto eu me dava conta de tudo ao meu redor, percebi que havia jazz tocando ao fundo, o que pareceu reconfortante no momento. Observei diversos rostos conhecidos, de familiares e amigos e outros os quais eu nunca havia visto. Até então parecia um ambiente tranquilo. Foi quando reparei pela primeira vez que a iluminação do local era amarelada, escurecendo o ambiente. Geralmente esse tipo de luz faz-me sentir aconchego, mas não dessa vez, eu sentia desconforto e algo parecia-me fora do lugar. Caminhando ao lado de meu marido Q., entramos cada qual em uma sala cúbica bastante pequena, as quais haviam paredes de madeira finas que eram coladas umas nas outras, fazendo com que ele e eu conseguíssemos conversar através delas, iniciando qualquer conversa com leves batidas nas mesmas. Pouco tempo tempo depois, um homem estranho bateu em minha porta alegando que iria entrar, eu prontamente respondi "Não, agora tá ocupado.", mas ele ignorou completamente minha advertência e assim o fez. Senti-me muito perplexa e desrespeitada pela atitude. Já com medo, começo a chamar por Q. em desespero, que por sua vez, ajudou-me. Começamos os dois a dar socos no rosto daquela figura ameaçadora que havia entrado sem permissão, dando-me uma sensação de alívio. Logo após ao ocorrido o ambiente muda continuando como se fosse uma festa, mas algo mais privado, ocorria em minha casa. Foi quando percebi que havia um gato marrom comendo vários montes de ração que encontravam-se espalhados pelo chão. Era um gato muito bonito, seu pelo macio e sedoso brilhava à luz do sol. Deu-me uma forte impressão de ser um animal místico e misterioso, mas que trazia consigo paz. Peguei-o e levei-o para casa acreditando que seu dono passaria por perto e o levaria. Logo mais, lembrei-me de algum compromisso fora e sendo assim, saí de casa apressada para que pudesse realizá-lo. Mais tarde ao voltar, meu marido Q. disse-me que o dono do gato havia passado pela festa e que foi embora levando-o junto, o que fez-me sentir tristeza por não conseguir despedir-me do bichano, além disso, Q. contava-me entusiasmado que o tal dono do gato tinha em seu antebraço esquerdo uma tatuagem com o rosto de dois Jokers, aquele simbolizado no tarô, que ele era inglês e que viajava conhecendo diversos locais diferentes pelo mundo juntamente com seu pequeno felino. Eu achei tudo isso muito interessante e pensei comigo mesma que se o gato marrom chegasse a ter filhotes um dia, entraria em contato com o homem para que pudesse ficar com um gatinho, que seria, assim como seu antecessor, místico.

















