Havia uma parte dentro de si, insistente, que o confundia vez ou outra. Mesmo tendo certo auto controle quando em relação à Yeojin, fez-se de mudo e atentamente a escutou. Sempre que a boca entreabria, uma parte de si grunhia por dentro. O que eu vou falar, sempre se questionava, o que eu preciso dizer? Aquela dúvida que o corroía por dentro era capaz de levá-lo à loucura. Ver a ex-namorada sem qualquer vestígio de sentimento, respondendo-o da maneira errada e ainda assim fazendo-o sentir calafrios e arrepios, que eram cobertos pela manga longa do blusão, piorava a coerência dentro de sua cabeça. Não sabia o quê falar, sequer como reagir, mas automaticamente uma crescente interna lhe indicou que estava prestes a explodir. E não era como qualquer outro momento que sentia isso. “Eu quero você, Jeong Yeojin!” Após o dito, as mãos trêmulas tentaram reconfortar-se na lateral dos braços da outra, fazendo com que toda regra anterior sobre sequer olhar no rosto da loira, fosse quebrada em questão de segundos. O olhar desesperado buscava algum alívio na íris alheia, mas Dareum sabia que não podia ser tão insistente daquele jeito. No entanto, era a primeira vez que tomava uma atitude daquelas, e esperava que fosse a última. Era angustiante estar na frente da pessoa com quem você sempre imaginou uma vida, mas não tê-la. “Eu só quero você!” Fitar o rosto feminino já não mais era um problema, pois sentia certo regojizo nas próprias atitudes; como se tivesse amadurecido de vez. Sentia confiança. E essa confiança quis passar através de seu próprio olhar, apertando levemente --- porém de maneira firme --- a pele da outra. “Você é um problema por estar longe de mim. Você é um problema por não estar comigo. Eu não vim aqui ‘pra tentar fazer com que você esquecesse de mim ou que se arrependesse de ter namorado comigo. Eu vim aqui porque eu te quero de volta, porque eu sinto a sua falta e eu sinto saudade de tudo o que eu tinha--- o que nós tínhamos! Sei que tivemos motivos ‘pra terminar, mas eu acho que tem muito mais motivo ‘pra eu estar com você do que longe de você, e isso tem sido um problema. Um problema enorme! Jamais quis te magoar, e se em algum momento eu fiz isso, eu te peço perdão, Yeojin-ah, porque tudo o que eu queria era que a gente desse certo!” Teve que dar uma pausa, pois a voz de repente falhou. Talvez fosse apenas a puberdade o atingindo na hora errada. Só então, após soltá-la, foi que prosseguiu com a atitude pensada e repensada dentro da própria casa, antes mesmo de sair como um louco de seu quarto sem nem avisar os pais para onde ia. “Eu não queria. Eu quero!” Parecia mais alto ou era só impressão? O peito inflado logo liberou a quantidade de ar necessária, enquanto ele passou a apalpar os bolsos da calça --- sem desviar o olhar dela. “Eu quero...” Repetiu um pouco mais baixo, e só aí precisou olhar para o carpete para procurar. “Aigoo, ‘tava bem aqui---” E então lhe ocorreu, fazendo seus olhos arregalarem instantaneamente quando olhou para Yeojin de volta e então para a janela. “OMO!” A voz alta logo foi abafada pelas próprias mãos, que se abstiveram de deixar mais provas de que Yeojin não estava sozinha no quarto. Parado a olhá-la, estava muito envergonhado por tudo o que disse. De repente a coragem sumiu, pois apenas Yeojin tinha um efeito assim sobre ele, capaz de retirar sua força --- como Dalila e Sansão... De uma maneira totalmente diferente, é claro. “Olha...” Ele começou, após recompor-se, ainda um tanto envergonhado a olhar para outros cantos no quarto que não fossem os olhos de Yeojin. “A gente vai dar certo, ‘tá? Mas eu preciso pegar... uma... coisa que caiu. Deve ter caído quando eu subi... V--- Você ia ficar brava se eu descesse por outro canto? É que... sei lá, posso cair dessa altura e quebrar o pescoço e morrer.”

















