Naquele dia pareceu a melhor solução. Agora eu já não sei mais.
Gabito Nunes.
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Naquele dia pareceu a melhor solução. Agora eu já não sei mais.
Gabito Nunes.
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Me afoguei por você. Eu, que sempre fiquei no raso, que sempre ficava na beira do cais, me afundei. Quando a gente se afoga por alguém não tem mais volta. Engoli todos os detritos do nosso amor, todos os restinhos, as fagulhas, os retalhos. Fiz-me de âncora pra parar nosso amor no tempo, e você? Você fugiu do barco.
Abdicou-se.
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Querido,
Meu amor por você já se tornou: raiva, ódio, tristeza, rancor, relutância, estranhamento e muitos poemas. Mas nunca deixou de ser amor.
— Maio 1997.
estou cansada das pessoas definirem a vida como algo que devemos estar constantemente desviando de coisas ruins, desviando dos sentimentos, se esquivando de um possível não, se esquivando de quebrar a cara.
Pois é, fica o dito e o redito por não dito e é difícil dizer que foi bonito, é inútil cantar o que perdi.
Taí, nosso mais-que-perfeito está desfeito, e o que me parecia tão direito, caiu desse jeito sem perdão.
Então, disfarçar minha dor eu não consigo. Dizer: somos sempre bons amigos, é muita mentira pra mim.
Enfim, hoje na solidão ainda custo a entender como o amor foi tão injusto pra quem só lhe foi dedicação.
Pois é...
Tom Jobim — Chico Buarque 1968
陽明山天溪園 by Tony Tien@Taiwan
“This is not a world for love poems. I wish it were. I wish my heart could feed a love poem, but this heart needs convincing to walk outside. I’d like to write a love poem some day, but I need to be taught how. I need to know I’m allowed, and I deserve it.”
— Morgan Parker, from “Love Poems Are Dead,” Poetry Foundation (10 December 2015)
Quem quiser me seguir lá, só falo bobeira AHAHA sigo de volta
Aquele que sofre menos
Quem não recordava o aniversário de namoro, do primeiro beijo, da primeira transa, não era capaz de reconstituir onde se conheceram, com que roupa estavam vestindo, sofre menos com a separação. Quem não tenta fixar o último beijo, reprisar a última frase, recuperar a derradeira mensagem, sofre menos com a separação. Quem não colecionava fotos, não se preocupava em guardar pasta do casal nos meus documentos, sofre menos com a separação. Quem não tinha fé quando faltava compreensão sofre menos com a separação. Quem não comemorava os meses quebrados, depois os anos inteiros de relacionamento, não fazia a ordem cronológica dos diálogos, não recuperava as grandes piadas, não conservava os maiores encantos, sofre menos com a separação. Quem não trazia as alegrias para as brigas, mesmo as minúsculas, para suavizar a raiva, sofre menos com a separação. Quem não desenvolvia dialetos, expressões, não dava apelidos carinhosos, não infantilizava e envelhecia o outro para recuar e avançar em todos os tempos da vida, sofre menos com a separação. Quem não abria a agenda para preparar jantar em casa, regado a vinho e músicas prediletas, quem não telefonava para avisar da lua cheia no céu, sofre menos com a separação. Quem não criava presentes, não escrevia cartões e cartinhas antes de sair em viagem, quem não preparava declarações públicas nas redes sociais, sofre menos com a separação. A dor é memória multiplicada, do que aconteceu e, em especial, do que não aconteceu. Só sofre quem se comprometia a lembrar de tudo porque nada era insignificante. Homens e mulheres de pouca memória estão salvos, não conhecem a angústia do amor.
Fabrício Carpinejar