O problema maior de ser uma pessoa com alguma deficiência auditiva era não poder ouvir as pessoas atrás de si e muito menos quando alguém decide entrar na sua casa, talvez sua deficiência tivesse sido percebida em algum momento, Benjamin entrou no pequeno prédio onde vivia com uma colega de quarto, muito provavelmente ela não estava, abriu a porta e entrou em seu apartamento, foi meio inesperado que cinco minutos depois ele sentisse a pancada na cabeça, apesar de zonzo, ele conseguiu reagir, lógico, tinha corpo e força de alguém que precisou lutar muito na guerra pra se manter vivo.
O zumbido ainda mais alto, era como se tivesse chutando e esmurrando o ar, tão rápido como começou, Benjamin foi derrubado por mais alguém que havia chegado e ele não percebeu, caído no chão, mais alguns golpes e conseguiu ver eles levando a TV e o aparelho de som, fechou os olhos quando os homens deixaram o apartamento e respirou fundo, foi aí que ele mandou a mensagem para o primeiro contato que conseguiu, bem, na verdade, já fazia algum tempo que Benjamin abriu a caixa de mensagens para enviar alguma coisa para ele, tendo apenas o primeiro olá pra comprovar que o número era dele mesmo, mas talvez estragaria tudo com uma mensagem tão… direta.
Deitado no chão, ali ficou até que algum movimento acontecesse, não ouvia nada mesmo, só tinha que esperar o zumbido diminuir um pouco. E abafado, ele sentiu o assoalho e ergueu os olhos azuis na direção dele, sendo que um tinha um pouco de sangue cobrindo sua visão. “Desculpa…” Falou baixo, tentando se levantar, mas sentindo um pouco de dor no corpo, acabou ficando apenas sentado no chão. “Uns caras entraram aqui… levaram a tv… Tá tudo bem, eu… só preciso chegar no banheiro”
Não era todo dia que experenciava algo como aquilo, estava assustado e com medo, mais pelo outro do que por si, afinal, um homem daquele tamanho sangrando no chão, não era uma cena que a gente via todo o dia. Quando ouviu a resposta do homem e sabia que pelo menos ele estava acordado suspirou fundo, não sabia se ele conseguiria levar ele sozinho, sem ajuda do mesmo, para outro lugar que não fosse aquela bagunça que estava a sala.
Se abaixou para ficar na mesma altura que ele, ouvindo com cuidado mas ainda assim preocupado - Não precisa se desculpar... Eu só... Você está bem mesmo? - Levou a mão para um dos machucados que estava sangrando e passou os dedos levemente no local, sabia o básico de primeiros socorros que tinha aprendido a muitos e muitos anos atrás - Onde fica o banheiro? Você fica aqui, eu vou pegar algo pra ajudar a limpar isso... Tem certeza que foi só a tv? Eles não vão voltar? - falou preocupado e tentando deixar ele em uma posição confortável enquanto se levantava para ir atrás do que precisava.