[Halloween, 1977] Sympathy for the Devil — Lestrange & Carrow
Halloween.
O que para alguns era a data festiva mais esperada do ano, para Amycus Carrow não passava de um dia como qualquer outro. Sua rotina não mudava em função da comemoração do Dia das Bruxas; ele não tinha tempo, tampouco paciência. Aliás, sequer entendia a lógica por trás das brincadeiras de Trick-or-Treat, mas lembrava-se muito bem de não ter sobrado vida para contar história quando alguns garotos resolveram que seria divertido se aventurar e pedir doces na Carrow Manor, há exatos dois anos. Talvez houvesse sido um grande exagero de sua parte ter submetido as crianças ao efeito letal da Maldição da Morte apenas por terem-lhe incomodado naquela noite, precisava admitir, porém, o homem de feições duras e gélidos olhos azuis não sentia remorso pelo gesto desumano. Era para isso que ele servia, não era? Para ceifar vidas. Nem mesmo Adolph Carrow saíra ileso dos instintos homicidas do filho mais velho, pois não fora sacrifício algum para Amycus olhar diretamente nos olhos do próprio pai e forçá-lo a dar o último suspiro.
Matava por vingança, matava por prazer e, às vezes, matava por puro tédio.
Já naquele Halloween, mataria porque a caveira tatuada em seu antebraço esquerdo não o deixava esquecer de suas obrigações enquanto servo do bruxo das trevas mais poderoso de todos os tempos. Mesmo que pretendesse desfrutar da agradável companhia do silêncio em sua mansão durante o dia inteiro, a coruja negra que irrompeu pela gigantesca sala de estar trouxe consigo um importante comunicado de Rodolphus Lestrange, colega de ofício. Seu conteúdo: o prenúncio de uma missão.
Como pontualidade sempre fora um pré-requisito crucial para os seguidores de Lord Voldemort (era isso ou a morte, afinal), às quatro horas da tarde o proprietário da fortuna dos Carrow atravessava os majestosos portões da Lestrange Manor, cumprimentando o outro Comensal da Morte com um informal aceno de cabeça. – O que tem pra hoje? – Foi seu primeiro questionamento ao aproximar-se da figura encapuzada, sem esconder muito a surpresa diante do chamado inusitado. O Lorde das Trevas costumava convocar reuniões antes de passar quaisquer tarefas; Amycus ainda não havia compreendido o porquê de ser diferente daquela vez.
O aceno displicente dispensava maiores falácias, coisas que Rodolphus odiava em demasia por perder tempo quando este lhe parecia muito precioso. Tinha que ser sucinto, qualquer atitude em falso acabaria por abortar a missão em seu começo. O questionamento viera de pronto pela presença de Lestrange, que fizera um sinal para que falassem em tom baixo. Algo próximo a sussurros. Dera uma breve checada no ambiente, antes de iniciar o pequeno relato. — Nosso alvo são os McGregor. — Disse, ao notar certamente a expressão de não saber quem exato eram. O ex-sonserino adiantou-se, quando teve um breve estalar de uma conversa com o Lord das Trevas. — Com sorte exterminaremos toda a família. — Ambos deviam se perguntar porque um foco tão grande a uma família que era considerada apenas mestiça. Continuavam sujando o nome da razão bruxa, no entanto não tinham o principal foco.
Nascidos trouxas eram os favoritos, ainda que a razão de querer dizimar a família de um simples homem do campo não pudesse dizer muito sobre. E sim apenas, a ligação do passado que ele representava. E não uma surpresa que Voldemort tivesse o conhecimento que era minimamente ligado à Minerva McGonnagal. Dizendo por assim a relação de Dougal, que costumava permanecer ainda na antiga fazenda com a família. — Dougal McGregor é nosso principal alvo. Contudo, não é certo que ele esteja na fazendola que se esconde com o resto da pútrida família. — Continuou o pensamento anterior, em tom claro de desprezo ao alvo em questão.
— Contudo temos duas coordenadas para checar. Temos duas opções, Carrow. — Explicou inicialmente lembrando dos locais e a distância entre eles, a possibilidade de existirem mais do que quatro bruxos no mesmo local, para combate-los acaso fossem separados um para cada lado. E de fato, deixar com que a missão fosse completa mais rapidamente. — Nos separamos para cada local, e conseguimos uma maior rapidez no resultado. Ou, prosseguimos no mesmo local. O que acha? — Questionou, deixando entoada a sugestão para que ficassem com o que fosse mais fácil para ambos. Ainda que, se Rodolphus fosse sozinho acabaria prolongando em demasia o objetivo. Uma das peculiaridades dele, não deixar que a morte invadisse o corpo do alvo tão rapidamente, era necessário informações. E alimentá-lo com as imagens do sofrimento alheio.










