"All we know is distance, we're close and then we run. Kiss away the difference, I know you hate this one."
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"All we know is distance, we're close and then we run. Kiss away the difference, I know you hate this one."
But this is how the story ends, or have we just begun | Lestrange & Vector
Final do primeiro ano, ou começo do primeiro. Lembrava-se de ter conhecido-a muito antes disso. Sim, na loja de livros onde tiveram o primeiro... Atrito. Leve, mas de certa forma talvez tivesse sido culpa dele. Então na escola, bem, lá, não foi exatamente culpa de ninguém. Ou quem sabe dela. Se fosse para dizer quem havia começado qualquer coisa – definitivamente havia sido ela. Como poderia alguém ser tão insuportável? “Louca”... Havia usado tal adjetivo certa vez quando resmungara algo sobre a menina quando o colega viera lhe perguntar os motivos de tamanho mau humor.
Desde então os anos seguintes foram daquela forma, sempre que se esbarravam acabam por se implicarem. No começo até evitava, depois não havia como simplesmente não provocar Septma Vector, até porque ela parecia atrai-lo para tal situação. Aqueles corredores não pareciam grandes demais como todos diziam, e o castelo parecia menor a cada encontrão. E era necessário apenas estarem no mesmo cômodo – ainda que a metros de distância, para sentir aquele incômodo desconfortável. Ela era algo desconfortável. O encanto de primeira vista havia se dissipado completamente e se transformado em outra coisa. Não diria ódio, era algo forte demais para sentir em relação a ela. E ele sabia muito bem que havia uma linha tênue entre o ódio e... E outra coisa que nem sequer ousava pensar.
Já estavam no sexto ano e já deveriam ter deixado qualquer intriga de lado, e quem sabe até se ignorado todo o restante dos anos letivos, e era bem isso o que Rabastan tentava fazer naquele momento enquanto tinham aula de poções nas masmorras, sentando do lado oposto onde ela estava sentada, fingindo que não a via e que ela não existia como um bom esnobe que poderia ser. Sentava ao lado do colega, Isaac, aguardando que o professor começasse quando a noticia viera exatamente com a entrada de Slughorn. Duplas! Podiam simplesmente deixar que eles escolhessem, ao invés de misturar um pouco as turmas? Ideia idiota, completamente imbecil. Principalmente quando ouviu “Lestrange e Vector”. Certo, talvez tivessem esquecido-se do desastre do primeiro ou segundo ano e quisessem relembrar. O sangue havia subido e ele olhava, apático, para o professor. Havia certo toque de ceticismo que fizera com que Rabastan permanecesse no lugar, até notar que não havia sido nenhuma das ilusões que o rapaz, por vezes, tinha. Afinal, em suas ilusões não existia o colega ao lado rindo.
Não parecia demonstrar o desgosto que sentiu quando pegou, calmamente, o material e se dirigiu a mesa da morena. A voz era baixa naturalmente, mas ele sabia que ela poderia ouvir quando lhe dirigiu a palavra enquanto a classe ainda trocava de lugares para as demais duplas: — Depois de anos, espero que tenha aprendido a trabalhar em dupla. — Então levantou o olhar e sorriu-lhe, mas sem mostrar os dentes. Apenas uma linha que entornava-lhe os lábios mas que não demonstrava qualquer felicidade.
Scars & Stories | Lestrange and Macnair
Absorto ao momento, sentindo apenas a brisa gélida que o local lhe proporcionava. Ainda mais a vista em que a Torre de Astronomia tinha, ainda que fosse um aluno pertencente aos locais mais baixos do castelo, sentir-se no tempo do mundo fazia com que Macnair ficasse bem. Um dos lugares favoritos do loiro, não só pela quietude deveria dizer. O único companheiro que era lhe presente no recinto era o cigarro entre os dedos finos, enquanto que pelo curto espaço dos lábios semicerrados saía à sinuosa fumaça clara que contrastava com o ambiente pouco iluminado.
Era um instante o qual estava livre de parte das pressões e pensamentos que ficavam martelando dentro da mente o resto do dia, e parcialmente preparava-se psicologicamente em sair de ronda pelos corredores do castelo, apenas aguardando o toque de recolher. A atenção estava voltada em parte do céu levemente estrelado, e enegrecido. Levou novamente o cigarro até os lábios tragando lentamente e soprando a fumaça em círculos brancos que dançavam ao ar. A atenção por outro lado tinha se desviado a pequenos passos que se aproximavam, no entanto não deixou de desviar as orbes claras ao olhar mais abaixo o gramado em um pequeno movimento de alunos que corriam apressados em direção ao castelo.
No instante seguindo o silêncio fora quebrado por outra voz que embalou por dentro do local, fez um leve menear com a cabeça para encarar o novo habitante do ambiente, ao identificar-lhe obviamente por alguém conhecido. Rabastan Lestrange, um rapaz do mesmo ano e casa de Macnair. Com quem ele não trocara mais do que palavras polidas pelos corredores, emitiu um mínimo sorriso ao rosto pela insinuação do outro. — Digo o mesmo, Lestrange. Digo o mesmo. — Respondeu curtamente ao jovem de cabelos escuros que se apoiava em outra parte da torre, parecendo tão alheio quanto Walden no momento. Levou uma das mãos até o bolso da calça do uniforme, tateando o conteúdo com os dedos até encontrar o maço quase no fim de cigarros. Não era muito comum que ele tão rapidamente criasse alguma empatia com outra pessoa para que compartilhasse do vício que o dominava. — Quer um? — Questionou brevemente ao oferecer-lhe o maço.
Deveria considerar a droga, ah, se deveria! Talvez ajudasse a amenizar a pressão, ou mesmo inebriasse lembranças e pensamentos que haviam se tornado corriqueiros. Mas fumaça lhe lembrava fogo – e fogo ainda o assustava, de certo modo. Nada que diria em alto em bom som, nada que fosse deixar explicito de qualquer modo. Mas sim... Ele ainda deveria considerar o fumo – a droga ainda parecia tentadora durante os anos e quase todos em sua época pareciam adeptos. Porém Rabastan sequer havia segurado um cigarro entre os dedos, quanto mais saber o gosto. Só que o aroma tampouco lhe incomodava então por isso havia se aproximado.
— Agradeço, mas recuso. — A voz se mostrara casual, e o olhar fora do maço para o rapaz.— Embora acredite que meus pulmões já estejam negros de tanta fumaça que exalei por ai... — Logo se voltando, novamente, para paisagem que escurecia cada vez mais. Não era um critica, sequer havia dado entonação suficiente para que fosse considerado como tal. Na realidade, parecia ser um vício comum entre os adolescentes de sua época, que duvidava que os professores desconhecessem que muitos dali carregassem um maço escondido nas vestes. Não adiantava proibir. —... Aliás, não estou reclamando. — Concluíra o que havia começado. — Apenas não sou adepto. — E não era nem questão de saúde.
Por mais alguns instantes ficara em silencio, esperando qualquer comentário. Então debruçou na janela e observou os poucos alunos que corriam de volta à segurança dos muros de pedra, prontos para o toque de recolher e... Se ele próprio não se apresasse, perderia o jantar? Só que também ainda não estava interessado. Sem fome, por assim dizer: — Já notou como Hogwarts é alheia ao mundo lá fora? — Perguntou, num pensamento alto, na realidade. — Penso se é só aqui... Ou se funciona da mesma forma nas outras escolas. — Os murmúrios sobre uma possível guerra começava, e ele acompanhava no que conseguia. Acreditava que outros alunos também, talvez querendo se juntar a causa? O fato é que, as vezes, também parecia que ninguém queria falar sobre o assunto.
Cause I knew you were trouble when you walked in. | Vector and Lestrange [Flashback - 1971]
Os olhos claros, tal como os traços delicados, faziam Septima Katherine Vector lembra uma boneca. Entretanto a herdeira do dono da livraria mais visitada do Diagonal Alley não estava para um bibelô e tampouco aceitaria ser tratada como tal. Septima se mostrava, ainda que muito jovem, o tipo de pessoa que intimidaria só com o olhar. Isso provavelmente se deu de sua criação. Já com poucos anos de vida percebeu que não tinha muito o que esperar dos outros. A mãe que deveria ser um norte e um modelo a ser seguido, transformou-se em tudo que a morena jamais queria se tornar. A forma como a vida tomou seu rumo lapidaram a pequena Vector e seguiam seu caminho na transformação da garota. Septima já aprendera a intimidar as pessoas e aquilo havia se tornado um de seus passatempos favoritos. Além da leitura. A moça poderia devorar toda a livraria em alguns poucos anos, considerando que só lia aquilo que lhe interessasse. Dessa forma a sessão de livros sobre as estrelas do mundo bruxo que faziam tanto sucesso com as mulheres, eram totalmente ignoradas pela garota. Sendo assim Septima se perdia nas sessões interessantes. Poderia dizer que já havia praticado alguns feitiços desde que adquirira sua varinha e tinha saído bem na maioria. Isso para ela se definia em ocupar a mente com coisas interessantes e não com as futilidades comuns de adolescentes. O que de fato irritava a garota, que não fazia muita questão de ser discreta nessa aspecto.
Ainda mantinha o olhar sobre a figura recém chegada do rapaz. A morena poderia apostar os olhos que se tratava de algum rico purista. Esse era um dos tipos de pessoa que a moça Vector mais nutria antipatia, primeiro, as idéias ultrapassadas destes com relação ao mundo mágico e de se acharem melhores do que qualquer outra pessoa, e segundo, sua mãe era uma delas e se tornou ainda mais quando deixou a casa, o casamento, e uma filha com pouco mais de quatro anos. - No momento eu estou ocupada. - A garota apontou para o livro em uma das mãos. O mesmo ainda permanecia aberto. E Septima não tinha o menor interesse de parar a leitura para dar atenção para algum almofadinhas do mundo bruxo (ainda que ela recentemente também devesse fazer parte desse grupo). Inclusive cogitou voltar a atenção para o livro. Entretanto o moreno permanecia ali. De qualquer forma a moça fechou o livro que tinha em mãos e levantou-se com certa impaciência. Bingo! Havia acertado um fato sobre o rapaz. Era de uma das famílias purista. Lestrange. Ouvira falar um pouco, o pai conhecia alguns inclusive. - Septima Vector. - Dissera o nome sem muita cerimônia enfim. - Com licença! - Pegou a lista das mãos de Rabastan enquanto analisava os livros ali citados. Eram os mesmos da sua própria, o que concluiu que seriam colegas, entretanto por outro lado poderia achá-los rapidamente e assim voltar a sua adorada procrastinação. Virou-se para um corredor enquanto pegava um livro na prateleira e colocava sobre aquele que o rapaz já segurava. - Eu não trabalho aqui… - Disse por fim, enquanto procurava uma escada para pegar um livro no alto. - Essa loja é do meu pai. - Concluiu antes de lançar um olhar ao rapaz. - Pode colocar os livros em algum lugar e me ajudar? Esse está num lugar alto. - Perguntou por fim, esperando que Lestrange não questionasse e apenas ajudasse para que terminassem aquilo rápido.
A alusão à boneca era plausível, só que a mente do garoto fora um pouco mais longe nas histórias fantásticas que acabara lendo entre os corredores lustrosos da biblioteca de casa. Por isso o encanto, afinal, primas eram primas, e não havia conhecido tantas garotas assim fora do circulo da família. E talvez ele até acabasse se casando com alguma delas, mas todas tinham os traços levemente parecidos, e muitas ainda lembravam-lhe as tias – e alguns daqueles rostos remetiam ao velório da mãe, um fato do qual não gostava de lembrar quando tinha o controle sobre isso.
Então, sobre livros... Tinham algo em comum, embora, provavelmente, jamais soubessem disso. Ainda tinha aquele arrependimento que viria em seguida e que faria com que o rapaz nunca mais quisesse ver a moça, para em alguns dias descobrir que dividiriam o mesmo trem e a mesma escola que – apesar de um castelo de sete andares – não tinha andares o suficiente para não se esbarrarem por ai. E outra vez os pensamentos dela estavam corretos sobre o purismo do garoto. Fora ensinado daquela forma, então, como acreditar em outras? Havia crescido naquele meio e sido treinado daquela forma. Poderia não concordar com algumas coisas, mas a opinião acabava ficando escondida em meio a tantas outras coisas das quais ele não dizia em voz alta, e muito menos dividira pra alguém.
— Notei. — Acabou desviando o olhar da face e pousando no livro, instintivamente procurando pelo título. A luz do lugar não ajudava muito, mas ele conseguiu ler ao menos o nome do autor... E ela parecia não querer ajudar. — Vector... — Disse de uma maneira pensativa, já havia ouvido o sobrenome, senão do pai, da mãe da garota. Não... Não a mãe, o pai. Dono daquela loja. Logo a informação lhe veio muito antes dela lhe contar.
Um sorriso discreto, quase convencido, buscou o canto dos lábios do rapaz quando ela pegou a lista: — Toda. — Então seguira pelo corredor com ela, alguns passos atrás recebendo mais um livro pesado em cima dos dois que já carregava.— É, eu desconfiei. Mas obrigado mesmo assim. — Dera de ombros, assim terminaria bem mais rápido do que se fosse esperar pela ajuda do dono – o pai dela – da loja. O fato é que ainda parecia cheia, e o próprio pai ainda parecia distraído conversando com sabe-lá-quem.— Está ali? — Perguntou, apontando. Depois assentiu e deixou os livros em cima de outros, e fora pegar o banco que estava alguns passos de distância e voltou até onde ela se encontrava, mas notou que estava manco, quase suspirando.— Pronto, pode subir. — Oferece-lhe uma das mãos como apoio para que ela subisse enquanto segurava com a outra a madeira rústica.
Somewhere — Lestrange Siblings | Flashback
O Lestrange mais velho no recinto não pareceu incomodar-se com as palavras ditas, outra vez o choque de realidade ainda lhe parecia bastante ínfimo e tênue com o passar da brisa que balançava as folhas de uma árvore, fora de casa. Ao dentro de Rodolphus ainda permanecia tão inquieto quantos as vozes que começavam a povoar-lhe os ouvidos de forma tão abrupta. Muitos dos conhecidos eram muito alheios à situação, ainda que deixasse soar incorreto chegar a notar uma pequena nota de felicidade em certos rostos no recinto. Não era uma forma muito honrosa ao declarar pequenos gracejos de préstimos pela perda de ambos os jovens e do mais prejudicado que era o patriarca da família e único agora.
O sonserino parecia apático com o falar de alguns outros no momento, que poderia interpretar como abutres em volta da carniça fresca. Não que a genitora de Rodolphus e Rabastan nutrisse algum tipo de inimizade dentro do cerco das outras famílias, contudo era inevitável que não houvesse alguma inveja e cobiça não só dos bens materiais ou pela própria posição dentro da família que a mulher mantinha. O olhar das íris cristalinas parecia pendular e expectativo em relevância de alguma mudança, contudo apenas a pele mais alva e sem vida reinava sob os atentos olhos de Lestrange. Não falava com mais ninguém, enquanto aproximava-se um pouco mais da figura fúnebre que lhe gerara algum dia. Resmungava qualquer coisa ou nada bastante claro para quem o recebia com pêsames. Em visto da doença de Sra. Lestrange ele mesmo não movia muitas esperanças a um quadro de melhoras, e por isso se tornava mais realista a partida desta. Não funcionava com Rabastan, que ainda era muito novo para compreender e assimilar as demais variáveis que o ciclo natural reservava.
Estava postado perto do impávido caixão, agora mais próximo do irmão mais novo que se aproximara de forma quase inesperada. Ao pensamento normal de uma criança bastante nova, sequer cogitaria deixar o quarto ou ficar próximo demais de uma realidade tão crua e palpável. Poderia ser embalado com a tristeza que o mais velho ainda espantava de forma leve, como se fosse uma brisa gelada típica do inverno inglês. No mesmo instante, sentiu o recuar de Rabastan que ocasionou em um leve trombar nas pernas do sonserino. Os braços cruzados foram desfeitos, deixando com que as palmas de ambas as mãos tocassem os ombros do rapaz à frente. Exerceu um pouco de forma sobre eles, em uma mensagem subliminar naquele toque. Representava força e o mais próximo que poderia deixar de conforto ao menino certamente embargado pela tristeza das melodias incompletas. — É hora de se despedir. — Disse de forma baixa em tom controlado.
Qual o limite da imaginação? Poderia confundir-se com a alucinação? Qual o limite dos sonhos? Poderia, uma criança, trazê-los do inconsciente a realidade? Poderia a dor e a indiferença dos mais próximos fazer com que ele, de repente, enxergasse sua realidade deturpada? Acontecera há tantas horas atrás... E parecia que havia sido há minutos.
“Rabastan...” A voz ecoou pela pequena aglomeração no cômodo. Em meio aos sussurros incongruentes e a voz do irmão mais velho que acabara de lhe dizer que deveria se despedir. Ecoou na mente do pequeno, clara, articulada, cada sílaba do nome sendo pronunciada na voz doce e acolhedora. O coração havia pulsado, o arregalar dos olhos imediatos enquanto virava a cabeça de um lado para o outro, procurando a fonte, procurando pelo corpo quente e com vida, pela dona da voz. Em verdade, era que mesmo ali ele fantasiava já que a imagem carinhosa que guardara consigo não era, em completo, digna da realidade.
“Rabastan!” A voz mais urgente, como uma ordem. Uma ordem para que ele se apressasse, não era hora para medos e incertezas, deveria ser o menino que ela andava treinando para um dia tornar-se homem. Aquela urgência fez o corpo do pequeno gelar, como se esperasse as reprimendas em seguida, como se pudesse sentir os dedos sendo feridos pela maneira fina do instrumento que era usado cada vez que ele errava uma nota. Os mesmos dedos que se fecharam instantaneamente. Só que nada disso veio, e ele pode olhar para o que achava ser a fonte daquela voz novamente.
Rapidamente se desfez dos dedos que lhe confortavam o ombro e puxou um dos banquinhos para o lado do caixão, assim pode subir e ter a visão do que antes havia lhe feito hesitar. Sem vozes e sem nenhum sinal de vida. Quando levou uma das mãos para tocar a dela que estava disposta sobre o peito numa imagem serena, poderiam notar como os dedos do garoto estavam roxos em determinados locais. A sentiu fria, como uma pedra de gelo resumindo o que muitos dali também eram e o que ele também se tornaria.
— Irmão. — Virou os olhos vidrados para Rodolphus. — Ela está com frio. — Contou, com a voz inicialmente controlada embora estivesse claramente perturbado. E aquele não era o melhor lugar para a primeira demonstração do menino. — Ela está sufocando! — Falou mais alto, quase gritando. O peito começava a subir e descer como se ele mesmo estivesse sentido aquela falta de ar. — Ela está com frio. — Sussurrou ao se agarrar o caixão, como se quisesse subir até onde ela estava – como se ela o estivesse chamando para se juntar, e era o que havia acontecido na mente do garoto que acreditava que o pequeno corpo quente poderia esquentá-la. Corpo este que esquentava a cada segundo até atingir o nível febril. E acontecera rápido, num minuto o crepitar da lareira que mantinha o salão confortável explodiu numa labareda que parecia atraída para o corpo que se segurava ao cadáver no centro da sala.
"Your heart is on my sleeve, did you put it there with a magic marker? For years I would believe that the world couldn’t wash it away."
Scars & Stories | Lestrange and Macnair
Era aquele tipo de pessoa silenciosa, que mais observava do que dizia. Não convinha dividir todos os pensamentos vez que poucos iriam fingir escutar, em menor número seria aqueles que realmente se importariam com a sua opinião, ou com qualquer opinião. Achava realmente interessante como os jovens – ele incluía-se nessa turma – não despertavam tanto interesse a certos assuntos (o futuro, principalmente). Convinha mesmo era estudar na ultima hora, no último ano, finalmente prestar atenção às matérias nos últimos meses. Afinal, eram jovens. O sentimento de eternidade e imponência pulsava. Mesmo os mais esforçados ou inteligentes, mesmo ele, que era piamente cobrado, tinha seus deslizes vez ou outra facilmente disfarçados.
De certo, às vezes sentia uma pontada de inveja de todos aqueles que não tinham um futuro traçado como a maior parte dos sangues-puros – não todos os puros, mas sua grande maioria. Aqueles podiam ser jovens inconsequentes e aproveitar toda aquela liberdade. Pensamentos como aquele, no entanto, eram perigosos. Divagar era perigoso, porque era fácil perder-se nas indagações e confirmações, e o tempo passava quando ele ainda não possuía todo o tempo do mundo. Ainda deveria ater-se a regras como retornar no horário para evitar detenções por estar fora da cama.
Se pudesse ouvir aos próprios pensamentos – e às vezes acontecia, era quando perdia-se ainda mais – estes soariam com sons dispersos, e ele os escreveria. Podia ouvir a música turbulenta que existia dentro do peito e que queria sair. Mas preferia escrever a que já estava do lado de fora, e por vezes o rabiscar da pena no pergaminho do caderno era mais interessante. Caderno este que guardar no bolso assim que havia terminado de transpassar tudo o que pensava em notas. Não era preciso que alguém entendesse.
— Um pouco alto para um slytherin, não acha? — Perguntou referindo-se a torre de Astronomia, sendo a voz era baixa naturalmente, as palavras bem articuladas, acreditava que naquele silencio não era preciso de uma tonalidade muito mais alta para se fazer ouvido. De qualquer forma não tinha muito o que falar a respeito já que ele mesmo gostava de subir numa das torres mais altas do castelo. Poderia ver a paisagem do local, mas o que lhe agradava realmente era o silêncio. Embora as masmorras dessem aquela sensação de solidão, eram escuras e frias – rodeadas pelo lago negro; ainda tratavam-se de sensações diferentes. Havia escorado-se logo ao lado, na outra janela. Mas diferente de muitos que conhecia, não era adepto ao tabaco – porém, tampouco se importava com o aroma da fumaça.
Cause I knew you were trouble when you walked in. - Vector and Lestrange [Flashback - 1971]
Paz. Por incrível que pareça, Septima Vector gostava muito daquele sentimento. Provavelmente era por tal motivo que sempre se fechara em seu próprio mundo, ou preferira afastar as pessoas. Afinal, diferente da irmã mais nova, não havia nascido para ser adorável ou algum tipo de boneca que acena e sorri. Na verdade o estilo adorável não lhe caía muito bem, e se todas as garotas tivessem o mínimo juízo iam saber que aquilo não caía bem em moça alguma. Mas nem todo mundo é minimamente inteligente para perceber aquilo, pena.
Ainda que estivesse a metros de distância do nicho onde se localizava a aglomeração de consumidores retardatários, as vozes ecoavam irritantemente por todo o ambiente. E notoriamente a estantes de distância de qualquer outra coisa que não fosse livros, mofos e poeira, a morena tentava manter o olhar e a atenção na sua leitura. Naquela altura era a única coisa que lhe confortava um pouco. Não deixando de pensar que aquilo seria uma prévia de como seria na escola. Poderia imaginar aqueles murmurinho multiplicado no grande salão, ou até mesmo nas salas comunais. E visto o que já havia passado por ali em todos aqueles anos, não iria se admirar do quão bruxos poderiam ser espalhafatosos ou barulhentos. Afinal pra que discrição, não é mesmo? Os olhos seguiam atentos e interessados na leitura, o livro não era nem de longe novo, as páginas amareladas e gastas indicavam que o mesmo já havia sido folheado em algumas situações. A jovem de fios negros, hora ou outra sentia o nariz mover-se em uma reação alérgica. Mas poderia conviver bem com aquilo, se não tivesse que ir ajudar na loja e sorrir amigavelmente para os clientes. E sua pequena paz utópica, poderia ser considerar bem sucedida. Bem, pelo menos até um certo momento. Mantinha-se entretida nas páginas de sua leitura, movendo os olhos de acordo com o seu avanço no parágrafo, e virando as páginas quando passava para a seguinte. Definitivamente era o mais próximo que chegaria de um momento de sossego naquele dia. Mas o sossego durara pouco. Quando pausara a leitura, o olhar levantou, avistou um rapaz, provavelmente da sua idade, não saberia ao certo, a alguns passos dali. Franziu ligeiramente o cenho. Analisando a figura por algum tempo, antes de enfim se manifestar. - Precisa de um mapa? - Questionou, seria, ninguém costumava ir ali, e surpreendeu-se por deparar com um estranho.
Logo se endireitou quando ouviu a voz mais próxima procurando da onde havia surgido. Não demorou para s orbes claras repousar sobre a figura sentada da garota que deveria ter mais ou menos a sua idade entre as prateleiras empoeiras da livros da loja em questão. O pergaminho com a lista de livros que, antes, estava levantado enquanto o garoto olhava para os títulos, pendera junto com o braço ao lado do corpo. O outro braço segurava os dois livros que havia encontrado pressionando os dedos com mais força devido o peso que começava a incomodar-lhe o braço.
— Não, estou bem. — Mentira de forma descarada sobre o mapa, que certamente seria de grande ajuda para encontrar o restante dos livros. O maxilar contraíra-se desconfortavelmente pela resposta premeditada que havia dado, arrependendo-se visto que a menina poderia lhe ajudar, talvez. Ao olhar com o canto dos olhos, finalmente percebendo como havia se afastado demais da multidão.
— Você... — Iniciou, mas fechou os olhos e suspirou devagar, meneando levemente a cabeça, ninguém estava vendo então qual seria o problema de pedir alguma ajuda? — Você trabalha aqui? Pode me ajudar? — E como poderia adivinhar, assim, de maneira premeditada que aquele início de conversa não iria terminar bem? Quem sabe se houvesse prestado um pouco mais de atenção aos trejeitos da garota. Alguém sentada tão distante do aglomerado de bruxos atrasados não era alguém que queria companhia e muito menos que gostasse de multidões, por mais que trabalhasse ali.
A distração fora tanta que havia notado nos traços de Vector apenas quando um rastro de luz se fez presente entre as prateleiras escuras. Sim, definitivamente era alguém da mesma idade, e quem sabe, uma futura colega de sala? E Rabastan saberia dizer o nome das famílias de sangue puro por tê-las estudados em casa, mas reconhecer logo de cara já era outra questão. Só que os traços eram finos, bem feitos, até. De forma que pode encantar o rapaz que logo se arrependeria daquele encanto – a seriedade em si não era bem um problema, na verdade era algo tão comum em seu meio que tampouco notou que a garota poderia ter expressões tão sérias quanto às dele.
— Me desculpe, não me apresentei. Rabastan Lestrange. — Dissera formalmente fazendo um sutil movimento com a cabeça, um acenar na verdade, como quem acaba de cumprimentar educadamente um conhecido pela rua – afinal estava com os dedos ocupados para qualquer apertar de mãos. E assim poderia saber o nome dela – era o que a etiqueta dizia, então aguardou que ela se apresentasse também.
Cara, cadê você?! Sério que vou precisar te arrastar pra tal festinha mesmo?! Come on!
Somos da mesma casa, e você ainda me faz uma pergunta destas? Estou aqui, cara. E que festinha é essa? /omaisalheiever
Somewhere — Lestrange Siblings | Flashback
Vislumbrou a figura do mais novo virar para a direção dele, o olhar cuidadoso notou os olhos avermelhados que eram consequência de um choro contínuo. A revelação de Rabastan para ele parecia ser de extrema importância e valia para o pequeno, no entanto o sonserino só sentiu um nó na garganta, e sentir a necessidade de ser realista quanto o mundo era. Rodolphus sabia muito bem como tudo regia dentro da sociedade, tão bem que não via necessidade da uma continuação do mais novo já mergulhado em melancolia. Ao olhar para a cor vermelha que estava presente nos olhos do irmão, automaticamente lembrou-se da vaga da própria infância. O rapaz não conseguia recordar qual fora a última vez que tinha deixado lágrimas escorrem ao rosto pálido, sabia que certamente deveria ter sido no mesmo dia que o pai dele tinha falado que homens não choravam. Agora ele compreendia e só conseguia enxergar aquele tipo de emoção como um sinal de fraqueza, que no lado de fora seria algo facilmente explorado por oportunistas. Lágrimas não tinham qualquer valia.
— A melodia final foi tocada. — Metaforizou o ocorrido apenas sentindo um maior desconforto por não ter os planos saindo como deveriam. Sabia que o marco da morte de senhora Lestrange trairia maiores consequências esperadas. — Guarde as lágrimas, para sempre de preferência. — Retomou a fala de certo modo rude em uma visão generalista, entretanto nada poderia se comparado ao que o mais velho que aguardava na sala falaria. Seria muito mais cruel? Não, crueldade era bastante deturpada. Realismo não poderia se confundido por crueldade, com o tempo Rodolphus tinha compreendido isso não só aceitando todas as lições e conselhos empurrados para uma formação melhor. E ele tinha que fazer o mesmo com Rabastan, sabia disso e tinha esse laço invisível por ser irmão mais velho; o qual o pequeno rapaz deveria contar para os alertas da vida. — As emoções são para os tolos, precisa aprender isso mais cedo do que nunca. Esqueça a matéria, apenas o espírito deve permanecer consigo. — Voltou a dizer já relembrando do que já tinha se desvanecido, o corpo apenas estava inerte sem ter memórias ou vislumbre do que fora um dia.
De certo modo o mais velho dos irmãos previa isso com a doença que lhe tomou de forma que ele tivera que acompanhar o definhamento da mulher, não mais ao irmão que estava mais preocupado e tinha maior contato com ela do que si próprio nesses últimos anos. — Esqueça esse maldito piano, está na hora de crescer e o mundo lá fora não vai esperar a sua boa vontade. Arrume-se, vou estar do lado de fora. — Concluiu de forma incisiva, não deixando um maior tempo para réplicas hábeis. Sabia que o jovem não lhe acharia o melhor dos irmãos naquele momento, mas era necessário para que a vida prosseguisse; assim com os passos guiados para fora do quarto.
Pequeno demais para alcançar as prateleiras mais altas, grande o bastante para vestir-se sozinho e encarar o único velório que o fez chorar, pela última vez. Aquelas palavras ficariam guardadas ao longo do tempo: “Guarde as lágrimas, para sempre de preferência.” Logo, seria fácil reprimir qualquer sentimento que um dia havia desenvolvido. Certo dizer que nascera com todos eles, sim. Estavam todos ali, em sua essência. E quem não nascia daquela forma? Rabastan não saberia responder, já que muitas figuras da família pareciam ocas. Afinal, qualquer demonstração seria considerada como fraqueza, e o garoto passaria a compreender.
O espírito também permaneceria com ele. Então sim, havia escutado cada palavra que o irmão mais velho havia lhe dito. Eram uma família – a mãe lhe dissera uma vez – e deveriam permanecer daquela forma. Mas, haveria uma parte que permaneceria intocada mesmo com as investidas do tempo. Era algo que mesmo o irmão não poderia persuadi-lo: as partituras e a música permaneceriam, ainda que fizessem parte de tudo o que levaria a loucura.
Em frente ao espelho tentou disfarçar da melhor forma as expressões sentidas. Havia vestido o terno que lhe fora dado e penteados os cabelos para trás. Inspirou e expirou devagar vezes e já não tinha mais tanto os olhos vermelhos – apenas inchados. Então ergueu a cabeça e arrumou a postura antes de sair do quarto e atravessar aos corredores escuros da mansão Lestrange, e quando chegou as escadas começara a ouvir vozes daqueles que já tinham chegado para prestar as suas homenagens. Formalidades sempre eram necessárias em seu mundo.
Ignorando aos olhares de pena que por muitos lhe eram lançados, agradeceu quem o parava, mas tampouco ouvia o que diziam – ainda que não houvesse muito que dizer a um garoto de cinco anos. As atenções estavam com os mais velhos, assim como no caixão no centro da sala. Caixão este que as pernas curtas não conseguiam alcançar. A imagem não lhe chegava ao olhar além da madeira fria e polida. Descobriu que não queria vê-la quando novamente sentiu os olhos arderem. A diferença de horas antes, era que agora segurava para permanecer com as expressões neutras, esforço quase impossível. Descobrira que era forte até estar próximo dela novamente, ainda que naquele corpo já não contivesse qualquer rastro da mãe.
Não, não deixara nenhuma lágrima cair quando ainda estava cercado por parentes, mas a temperatura do corpo caíra como se o inverno tivesse adentrado o cômodo violentamente e lhe acertado de imediato. Dois passos para trás foram o bastante para sentir as costas baterem nas pernas do irmão mais velho.
Somewhere — Lestrange Siblings | Flashback
Do mesmo modo que o vento frívolo levava as folhas secas de outubro, este deixava com que o pesar recaísse dentro do peito do jovem Lestrange. Ao regressar em um final de semana e já não sabendo por quanto tempo ficaria por lá. O ambiente tão mais sombrio como o costumeiro estava mais quieto do que nunca. Rodolphus não saberia dizer o quanto a notícia já tinha se espalhado e nem tinha a certeza da magnitude estava tendo dentro da própria mansão. A figura do progenitor estava ainda inerte em meio da sala, sem nem ao menos direcionar o olhar para o rapaz em meio dos seus dezesseis anos, a expressão do homem dificilmente mudaria, já que permanecia de forma usual. Nem mesmo com a partida definitiva da esposa e mãe dos dois filhos ao submundo, teria deixando um resquício de humanidade brotar dentro do órgão pulsante. — Rabastan está lá em cima. Traga-o. — Ordenou o mais velho, ainda com o olhar fixo no simples crepitar das chamas sobre a madeira na lareira. — Isso é tudo? — Questionou o moreno antes de fazer alguma menção de movimentar os pés, embora não tivesse uma resposta imediata que mais pareceu algo próximo a um resmungo. — Por enquanto. — Complementou de forma seca, deixando com que finalmente os passos de Rodolphus ecoassem ao chão.
Seguiu pelo lance de escadas de forma calma, seguiu de forma firme e vagarosa pelo corredor que levava aos quartos de ambos os rapazes. A porta entreaberta não fez com que o mais velho invadisse o ambiente de forma abrupta. Muito pelo contrário, com três seguidas batidas contra a superfície da porta Rodolphus levou a mão até a maçaneta até conseguir abrir obtendo passagem e visão para o quarto do mais novo. Quieto estava a figura de Rabastan ao ter um olhar perdido entre o vidro e o lado de fora da moradia. — Sabe que não pode ficar aqui o tempo todo. — Disse brevemente em um tom baixo. — Ele está esperando. — Informou de simples e sem rodeios. — É melhor se arrumar, em breve os outros abutres estarão aqui. — Falou novamente referindo-se as outras famílias que estavam relacionadas aos Lestrange, na verdade pouco se importavam com a dor que possivelmente algum dos membros da família estariam passando. Em certas ocasiões tudo tratava-se apenas de negócios.
Um pesadelo. Rabastan estavam dentro de um pesadelo do qual não conseguia acordar. Quanto tempo havia se passado desde o momento que soubera a noticia? Toda a delicadeza e cuidado que deveriam ser usados com uma criança que sequer havia completado os seis anos foram dispensados porque, naquela mesma manhã, ele havia rumado em direção ao quarto da genitora com a mesma intenção de fazer-lhe companhia desde o dia que havia adoecido.
Pelo corredor fora possível notar partituras espalhadas de uma das músicas favoritas da Senhora Lestrange (Reverie – Claude Debussy), o que minutos depois fora recolhido por um dos elfos domésticos e colocado na cômoda de Rabastan sem que a criança notasse, já que estava distraído olhando a paisagem dos jardins. O olhar completamente desfocado daquela realidade, enquanto os pensamentos vagavam num passado não tão distante. Dias atrás, quando perguntava a mulher sobre as notas e como poderia diferenciá-las, dizendo-lhe então que aprenderia todas para que pudesse tocar para ela – assim como um dia ela já havia tocado para ele. Não foram poucas as vezes que se aventurou até a sala de música e decidiu colocar o pouco que sabia em ação, ainda que com as pernas curtas não alcançasse os pedais do instrumento. Um sonho que nasceu de maneira pura, e que perduraria ainda que ninguém mais acreditasse já que, como havia prometido a mulher, tocaria para ela. Estando ela presente fisicamente ou não.
Aqueles eram os pensamentos. E lágrimas silenciosas escorriam pelas bochechas do garotinho. Homens não choram? Garotos não choram? Suas expressões deveriam ser a mais completa indiferença? Todas aquelas frases não faziam sentido naquele instante.
Horas haviam passado e ele não havia trocado de lugar. Conforme crescesse entenderia que parte dele havia morrido junto dela, naquela manhã. Horas haviam passado que ele sequer havia notado a chegada do irmão mais velho quando este adentrou os portões, atravessou os jardins, e provavelmente fora ter com o pai. Os rastros das lágrimas já haviam secado quando ouviu o barulho das batidas e demorou alguns segundos depois do pronunciamento de Rodolphus para que o mais jovem pudesse se virar. Os olhos, porém, continuavam vermelhos. — Ela estava me ensinando a tocar. — Disse, como se fosse algo que tivesse esperando para contar a alguém. — Mamãe, estava me ensinando... — Mas a voz infantil fora sumindo, e ele desviou o olhar logo depois de assentir. Não queria se arrumar e descer para ficar junto ao pai, nem mesmo queria enfrentar toda a baboseira da família e de todos os outros que viriam a aparecer. Não queria receber os sentimentos de ninguém. Não queria olhar para a figura morta da mulher, ou chegar perto do caixão. Esperava lembrar-se dela de outra forma, mas nunca daquele jeito: Séria, pálida, sem os traços da vida que ele havia conhecido em pouquíssimos anos de convivência.
eu gosto muito de como você leva o rabastan. é perfeito, totalmente de acordo com o que imagino. não vejo a hora de conhecer um pouco mais sobre ele. @
ooc: Muito obrigado, seja lá quem for, <3
Cause I knew you were trouble when you walked in. - Vector and Lestrange [Flashback - 1971]
Era inquestionável o quão o Diagonal alley parecia estreitar-se durantes as semanas que arrastavam o mês de Agosto. A rua principal parecia no mínimo suportar o triplo do que realmente cabia por ali. E a grande parte consistia em estudantes que se amontoavam nas lojas para a aquisição de seus materiais, e ainda que sempre houvesse frequentado o lugar desde que se lembrava da sua adorável infância, a experiência de adquirir seus materiais escolares, assim como uniformes, varinhas e toda a parafernália mencionada na lista de materiais já havia se dado a alguns dias menosturbulentos. Obviamente fizera isso antes dos retardatários começarem a abarrotar as lojas, que, na quinzena anterior encontravam-se relativamente bem mais vazias do que naqueles dias. A vantagem era vê o quão ocupado o pai estava para não ficar se lamentando pelo recente divórcio com a mulher que havia lhe concebido uma dupla de filhas, e que aparentemente não havia ligado muito para isso quando decidira abandoná-los e viver um tórrido relacionamento com um bruxo com o dobro da idade e o triplo de galeõs no Grigonts. Definitivamente odiava o centro comercial naqueles dias, as pessoas se empurravam e apertavam nas lojas, e obviamente ali ficava a pequena Septima, no auge de seus onze anos, procurando algum lugar onde não era atropelada por grupos de bruxos. Normalmente ia para a sorveteria enquanto pegava algum livro da loja da família, mas recentemente começou a se enfiar nas últimas sessões da mesma, aquelas que quase ninguém costumava ir, ao menos tinha paz um pouco do tempo. Não se arriscava a atender mais ninguém ali considerando seu histórico com os consumidores, não que saísse ás turras com as pessoas, entretanto sua paciência era consideravelmente mínima. Pois bem, aquilo lhe permitia um pouco de procrastinação e um certo refúgio. Afinal já havia começado a odiar a escola antes mesmo de conhecê-la por si só, afinal já havia visto gente de tudo quanto é jeito por ali nos últimos dias, e sabia que talvez viriam a ser seus colegas de turma, casa e classe, ou sei lá qualquer coisa. Definitivamente iria procurar um canto assim em Hogwarts também. Tipo uma brecha entre estantes de livro, onde pudesse pela décima vez ler um exemplar estúpido de algum livro que sabia de cor, tipo algo sobre Quidditch, não que amasse o esporte de fato, para ser honesta gostava da sensação que poderia ter voando e podendo em algum momento canalizar a tensão que tinha desde que seus sonhos idiotas de criança lhe foram tirados. Enfiou a cabeça por detrás do livro, desejando do fundo da sua alma que aquela sessão fosse a prova de gente estúpida.
Não era a primeira vez que visitava Diagonal alley na companhia do pai, mas certamente era a primeira vez que iria em época de volta às aulas. Por isso era notável – para quem estivesse prestando atenção, o que duvidava-se devido a aglomeração exagerada de bruxos que andavam de um lado para o outro ocupados com as próprias preocupações corriqueiras daqueles dias – o dilatar sutil das narinas do jovem rapaz e o franzir do cenho ao deparar-se com todos aqueles tipos de bruxo, de todos os tipos de classe social. Impossível seria encontrar algum conhecido, e talvez devessem ter ido na semana anterior, ou mesmo na semana seguinte ao recebimento da carta com a coruja que o acordou no meio da madrugada anunciando o seu ingresso para a escola de magia e bruxaria.
Mas o Senhor Lestrange estivera ocupado em demasia para antecipar as compras, muito embora naquele momento estivesse arrependendo-se de não ter encontrando alguma data mais apropriada. Enfim.
O garoto ainda não havia completado seus onze anos, mas estava muito próximo disso e estaria na escola quando acontecesse, em apenas três meses. Já havia manifestado o desejo de uma vassoura nova, e como toda criança daquela idade gostava de quadribol. Infelizmente no primeiro ano não era permitido que possuísse uma vassoura, mas aquilo tampouco o aborrecia já que também não era possível ter o que realmente desejava consigo. No fundo, assim como todos, estava ansioso para conhecer o castelo, só que a ansiedade era principalmente porque teria um pouco de paz longe de casa.
Com aquela superlotação de pessoas as compras demoraram e o frustrara de certa forma, tanto pelo atendimento quanto pela maneira que as pessoas esbarravam e empurravam. A expressão do rapaz não era muito simpática e tampouco ajudava, mas de qualquer forma já havia comprado às roupas e alguns materiais - fazendo apenas questão de levar consigo a varinha recém-adquirida.
Então faltava-lhe os livros.
Esgueirou-se na loja dos Vector e nem sequer se dera conta que acabara perdendo o pai de vista, mas ele também estava na loja e aguardava que o filho mais novo buscasse pelos últimos itens da lista enquanto conversava sabe-lá-com-quem.
Não foi realmente complicado achar o primeiro livro, o problema havia sido com os demais. Andava de um lado para o outro e até tentou pedir ajuda para o vendedor: — Senhor... Senhor? — Então fechara as expressões e resmungou. — Esquece... — Para dar as costas e virar-se novamente em uma das prateleiras e começar mais uma vez a ler os títulos. Não que o bruxo não o tivesse visto, ou mesmo ignorado o garoto; mas o dono estava tão ocupado que não conseguira nem mesmo responder-lhe. Compreensível, não é?
Carregava “Guia de Transfiguração para Iniciantes” e “Bebidas e Poções Mágicas” embaixo do braço, e a lista de livros na mão livre, a cada passo que dava distanciava-se mais de toda a agitação e dera-se conta do tamanho da loja apenas quando “ouviu” o silêncio como se estivesse dentro de uma biblioteca quase vazia apenas com os murmúrios mais distantes. Os passos eram lentos demais enquanto olhava os livros de cima a baixo e lia com atenção para encontrar algum desejado, então naquela concentração não notara que acabara se aproximando de uma garota que parecia também concentrada em sua leitura no final daqueles corredores de estantes entre os livros.