nickseymour:
mantendo o olhar sobre a melhor amiga, nicholas analisava suas reações com certa cautela; ser posto em uma situação como aquela não era nem de perto o que nicholas desejaria não apenas naquelas condições, mas em situações comuns. não era bom - na verdade, considerá-lo isto era um belo de um enfeite em sua realidade - em manejar nada que envolvesse sentimentos, e nem sequer importava se estes seriam os alheios ou os seus próprios. sempre fora mais analítico, os conhecimentos matemáticos formando linhas de raciocínio em sua mente que o faziam acreditar que tudo poderia ser considerado e resolvido de uma maneira puramente racional, mas, já sabia de uma boa parcela de sua vida que não era exatamente assim que tudo funcionava. e, com um problema com a própria inteligência emocional como aquele, era somente esperado do seymour estar em alas conforme tentava prever um possível prosseguimento da interação. praticamente deixou escapar um suspiro de alívio e abrandou a própria expressão quando a mais nova pareceu compreender o seu ponto naquilo, a observando ligar os pontos do que realmente deveria ter gerado aquele bilhete. “e faz o mínimo de sentido a caroline ter insistido em saber se eu não iria visitar ninguém hoje.” a meia-irmã obviamente estivera envolta em toda aquela história, pois, considerando todas as insinuações que já fizera sobre ele e clary ao longo dos anos, faria todo o sentido ser uma participante ativa - nick só não planejava comentar maiores detalhes sobre as empolgações de caroline com a loira. “nem tenho dúvidas de que eles devem ter achado que era o plano mais engraçado do mundo.” ah, teria uma boa conversinha com as outras seymours em outra hora. “tentar…” cortou a própria indagação ao ligar os pontos do que era provável de ser a situação, já que não a vira em evento algum após a fatídica noite do baile - somente gesticulando no ar como quem dizia ‘deixe para lá’. “bom, ao menos não está mais com cara de que vai começar a chover. porque seria ainda mais constrangedor a dupla de idiotas passando frio, no meio da noite, e parada na chuva.” deu de ombros, suas orbes voltando-se brevemente para a janela de onde saíra da residência seymour, propriamente dita, para o jardim. em tempos normais, poderia somente convidá-la para entrarem por ela, mas, não estava mais tão desligado da realidade com as insinuações possíveis que antes. “qualquer coisa… podemos seguir pelo jardim e entrar pela porta dos fundos. ou até só irmos para a estufa de plantas, onde devemos ter mais privacidade dos olhos curiosos e, ao menos… não vamos ser mais idiotas no frio.” tentou sugerir, embora fosse entender se ela preferisse continuar onde a rota de fuga era de mais fácil acesso. ergueu uma sobrancelha e focou no rosto da astley ao escutar as palavras seguintes dela, atentando-se a tudo mesmo com a vergonha enorme que o abatia ali mesmo sobre a situação. “clary.” chamou por seu apelido e engoliu em seco, tentando encontrar as palavras para respondê-la. “se existe alguém entre os dois que está pendente de um pedido de desculpas, esse sou eu. tem a minha palavra de que eu realmente não fazia a menor ideia de nada disso, muito menos que qualquer outra pessoa já tinha se dado conta antes de mim.” murmurou, se recordando das palavras de archie sobre a questão - e de como este jurava ser óbvio como clarissa se sentia. “bom, eu só consigo te pedir desculpas por todas as brincadeirinhas ao longo dos anos, porque juro que nunca teria feito nada se fizesse a mínima ideia de tudo o que você guardava. é bastante merecido estar me sentindo um grandíssimo idiota. não é novidade alguma que eu realmente não sou bom com…” com a breve pausa em sua fala, nicholas levou uma das mãos até os fios de seu cabelo, esforçando-se para levar aquilo da melhor maneira. céus, como era difícil se expressar. “tudo isso; sentimentos. eu não posso nem cogitar tentar ver de outra forma, eu sei lá, acho que sei disso desde criança. nunca soube lidar ou entender muito bem eles, fossem dos outros ou os meus, e… realmente não conseguia ver o que você estava tentando me mostrar. nem quando você estava já nesse ponto de não aguentar mais.” suspirou. “a última coisa que eu queria era te fazer passar por tudo isso. meio que só piorei a situação toda, então, você é quem estaria com toda a razão em querer arrancar a minha cabeça.”
ela permitiu-se soltar uma risadinha diante do comentário do mais velho, concordando com a cabeça, porque seria mesmo ridículo demais se ainda tivessem chuva para complementar toda aquela cena. a postura de clarissa enrijeceu-se rapidamente diante das sugestões de lugares para onde eles poderiam ir, e realmente, qualquer uma das opções parecia melhor do que continuarem onde estavam, completamente expostos para qualquer par de olhos curiosos que poderia estar passando pela região e flagrar as duas figuras no jardim da frente da residência seymour. não achava que seria necessário ir para lugar algum, porém, já que não tinha grandes esperanças daquela conversa render mais do que o mínimo, por saber melhor do que ninguém sobre as dificuldades que o outro tinha em falar sobre aquele tipo de coisa — seja lá em qual tipo aquela confusão que havia se tornado a situação se encaixava. por isso, foi com surpresa que ouviu o apelido sendo mencionado, antes que pudesse dizer que já iria embora, e não foi com menos estranheza que recebeu as próximas falas de nicholas. até tentou continuar olhando-o nos olhos por um tempo prolongado, mas a medida que suas explicações avançavam, clary rapidamente se viu na necessidade de desviar a atenção e encarar qualquer outro ponto desfocado do jardim que não fosse ele. sabia que nem eram justas as desculpas que recebia ali, afinal, por mais que achasse que tivesse mandado sinais suficientes, nunca havia efetivamente falado qualquer coisa que fosse para ele. não podia cobrar algo por achar que era óbvio, e mesmo que se sentisse realmente afetada todas as vezes que recebia algum tipo de brincadeira como as que ele lançava em sua direção tão despretensiosamente, não era como se nicholas fizesse isso de propósito. “a estufa é um bom lugar.” fora a resposta de clarissa ao fim de tudo, que saiu em um rompante no mesmo segundo em que nick parara de falar. em parte porque realmente não achava uma boa ideia permanecerem ali, mas principalmente porque a caminhada até o local lhe daria algum tempo para assimilar o que havia escutado e organizar as próximas falas. não esperou efetivamente por uma resposta, lançando-se a caminhar pelo caminho já conhecido, propositalmente com passos mais apressados para que conseguisse ter uma vantagem de distância mais a frente dele.
apenas desacelerou quando já estava dentro do local, soltando um suspiro sem fôlego ao se encaminhar para perto de algumas plantas enfileiradas no corredor mais próximo. virando-se de frente para a superfície com os vasos, clarissa usou os poucos segundos que se apertaram no tempo até nicholas a alcançar para respirar fundo e, assim, começar a falar. “isso não precisa ficar estranho.” murmurou, os olhos ainda reservando a atenção unicamente para as flores a sua frente, ao que ambas as mãos se apoiavam sobre a borda da esteira que sustentava as plantas. “eu e você, eu me refiro. nossa amizade. não quero que nada do que eu falei se torne um obstáculo que vai nos afastar, porque… é, meus sentimentos por você já foram outros, nick, mas quando eu aprendi a te ver como um amigo eu percebi como a gente dava certo dessa forma. não consigo e não quero viver em uma realidade onde nós não somos próximos, ou não temos liberdade para compartilharmos qualquer coisa um com o outro, ou que... “ suspirou, finalmente voltando o olhar para ele. “ou que eu não consiga te olhar nos olhos e dizer que você é o meu melhor amigo, independente de qualquer coisa.” e ao final da sentença, clary conseguiu esboçar um sorriso na direção dele. afinal, havia sido sincera em cada palavra; a relação que eles tinham atualmente era muito maior do que qualquer sentimento platônico que ela havia alimentado no passado. podia — e talvez até devesse — parar por ali, encerrar a conversa e partir para um tópico mais simples de debate. arrancar algumas risadas dele, como gostava de fazer. seria fácil, tornaria a coisa mais simples. mas não conseguia, porque enlouqueceria se engolisse mais uma vez a pergunta que subiu por sua garganta e sabia que se abster de proferi-la seria sua sentença a mais dias intermináveis passados isolada em seu quarto, perdida em sua própria confusão. “eu só… primeiro, não quero te forçar a falar nada, nem te colocar contra a parede, eu juro! é só que tem mais uma coisa que não para de martelar na minha cabeça desde o baile e se eu fosse embora daqui sem falar sobre isso, não adiantaria de nada porque eu ainda não conseguiria dormir, e isso só se tornaria uma bola de neve até chegar ao ponto de…” percebeu que falava demais e se embolava nas palavras quando viu-se perdendo o fôlego para continuar, aproveitando a deixa para dar uma pausa e respirar fundo, limpando sua linha de raciocínio. “por que você retribuiu ao beijo, nick?”











