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@coffeewithlyrics-blog
Estou cansado, é claro, Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. De que estou cansado, não sei: De nada me serviria sabê-lo, Pois o cansaço fica na mesma. A ferida dói como dói E não em função da causa que a produziu.
Fernando Pessoa.
Quando meus olhos estão sujos da civilização, cresce por dentro deles um desejo de árvores e aves.
Manoel de Barros. (via oxigenio-dapalavra)
Meus pés sonham suspensos no Abismo minhas cicatrizes se rasgam na pança cristalina eu não tenho senão dois olhos vidrados e sou um órfão havia um fluxo de flores doentes nos subúrbios eu queria plantar um taco de snooker numa estrela fixa na porta do bar eu estou confuso como sempre mas as galerias do meu crânio não odeiam mais a batucada dos ossos colégios e carros fúnebres estão desertos pelas calçadas crescem longos delírios punhados de esqueletos são atirados no lixo eu penso nos escorpiões de ouro e estou contente os luminosos cantam nos telhados eu posso abrir os olhos para a lua aproveitar o medo das nuvens mas o céu roxo é uma visão suprema minha face empalidece com o álcool eu sou uma solidão nua amarrada a um poste fios telefônicos cruzam-se no meu esôfago nos pavimentos isolados meus amigos constroem [um manequim fugitivo meus olhos cegam minha mente racha-se de encontro a uma calota minha alma desconjuntada passa rodando
Roberto Piva em Paranoia. (via oxigenio-dapalavra)
-Township ballet . Alexandria/Soweto , South Africa . 14′
ph. Frank trimbos.
Lugar onde possas aquietar teus passos. Meus versos vão, mansamente, como maré Preenchendo os vazios espaços. Meus versos estão na linguagem muda Das pedras que distraidamente pisas. O que ninguém percebe ele estuda; Desvenda, até, os mistérios das brisas. Posso enganar-me, mas meus versos Não! Eles, como deuses, secretos Percebem os mais sutis reflexos; Distingue os corações ímpios dos retos; Os problemas simples dos complexos Os amores vãos dos amores concretos.
André Breton, Endereço da Poesia. (via oxigenio-dapalavra)
Vestidos de farrapos, sujos, semi-esfomeados, agressivos, soltando palavrões e fumando pontas de cigarro, eram, em verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas.
Jorge Amado, no livro “Capitães de areia”. (via oxigenio-dapalavra)
Pulquería La Rosita, Coyoacán, México, 1946 Frida
Agora eu penso uma garça branca de brejo ser mais linda que uma nave espacial. Peço desculpas por cometer essa verdade.
Manoel de Barros, Sobre Sucatas em Memórias Inventadas. (via oxigenio-dapalavra)
oito de março uma vez por ano um homem apanha flores a cada cinco minutos uma mulher apanha
Germana Zanettini (via cardiomegalias)
Quando meus olhos estão sujos da civilização, cresce por dentro deles um desejo de árvores e aves.
Manoel de Barros. (via oxigenio-dapalavra)