Utilizando os ensinamentos dos grandes mestres para desmascarar o ego e sair da matrix
No início, vivíamos no Paraíso de Éden (sim, nós vivemos lá. O conto da bíblia é uma alegoria sobre a nossa origem espiritual). E lá éramos felizes, pois não havia preocupação, dor, sofrimento, ansiedade, culpa, medo, frustração, ódio, inveja, ciúme, desejo, tentação, etc. Vivíamos o presente. O "paraíso", longe de ser aquela floresta monótona e parada das imagens religiosas, era um dimensão espiritual fascinante, divertida, cheia de surpresas, belezas, artes, brincadeiras, e todo cercado de coisas que nos inspirava sentimento de amor e paz. Não existia em absoluto a preocupação com o que foi deixado para trás e o que iria acontecer, e isso nos proporcionava uma leveza de espírito quase absoluta, de eterna contemplação com a obra do divino. Entretanto, existia apenas uma coisa que esse paraíso não podia nos dar, e que de alguma forma sabíamos que era possível obter. O poder de separar o "bem" do "mal". Ou seja, o poder de "discernir". Porque éramos simples e ignorantes (por isso éramos felizes). Mas batia em alguns de nós aquela curiosidade ‘insuportável’, aquele fogo no rabo vamos dizer assim, de saber como seria se pudéssemos ter "desejo", "intenção", "propósito", e assim, como seria se pudéssemos ter o controle do tempo.
Deus sabia que tudo era impermanente e que jamais poderíamos ter o controle do tempo, mas ele achou que se passássemos por essa experiência, voltaríamos dela mais sábios e entenderíamos com mais profundidade a beleza e a felicidade do paraíso, que não éramos capazes de compreender completamente. E foi assim que Deus permitiu que os Espíritos se rebelassem, e acreditassem que aquela vida “perfeita” no seu reino era uma escravidão. Para abrigar esses “anjos decaídos”, foi criada a escuridão, e começamos um ciclo reencarnatório no planeta Terra onde experimentamos a dualidade (dor e prazer, vitória e derrota, bem e mal) e somos desafiados a transcendê-la de modo a reencontrar a nossa essência divina adormecida pelo furacão das paixões humanizadas. Apenas a escuridão, ou seja, a ilusão da vida terrena, poderia proporcionar a experiência da busca do poder e do controle, e provar que essa busca, ou essa “desconexão” é a fonte de toda infelicidade.
Acredite nessa história apenas se você quiser. Ela é apenas uma introdução sugestiva para o que direi em seguida, que é o mais importante por estar relacionado à nossa vida prática. Nós temos um “ego”, e esse ego é nada mais e nada menos do que um instrumento da provação terrestre. Através dele, somos seduzidos a “defender” uma personalidade, por acreditarmos que essa personalidade possui a “razão” e é sempre vítima das circunstâncias. Para que essa personalidade pudesse exercer uma tentação sobre o Espírito (nossa essência), essa personalidade foi cuidadosamente planejada e programada por Deus para vivenciar experiências ilusórias, como se fossem reais. Ou seja, ela foi programada para acumular verdades relativas. Essa é a definição de ego. Uma “coisa” composta por um aglomerado de verdades relativas. Deixe-me explicar isso de forma mais clara. Se eu te perguntar qual é o seu nome e onde você mora, naturalmente você entenderá isso como perguntas fáceis de responder e terá a resposta na ponta da língua. Contudo, se formos rigorosamente realistas, indagaremos: O que é um nome? É apenas um código utilizado para diferenciar você, que é um animal, de outros 7 bilhões de indivíduos animalizados da mesma espécie. O que é o seu endereço? É apenas um código para localizar uma coordenada num espaço universal infinito. Portanto, a verdade verdadeira e absoluta é que você não tem nome e mora no universo.
Porque essa verdade é absoluta? Porque ela nunca muda. Você pode trocar o seu nome num cartório ou mudar-se de casa, e isso faria com que você adquirisse novas verdades sobre as perguntas: Onde você mora e qual o seu nome. Por essa razão, são verdades relativas, ou seja, usadas como referência para determinada situação ou condição no tempo e no espaço. Entretanto, o ego humanizado não foi “preparado” para lidar com “esse tipo” de realidade, e assim, ele tende a permanecer contraído nas verdades relativas que aparentemente fazem a sua vida “funcionar melhor”. Então quando eu pergunto o seu nome, e você responde o seu nome, isto para a sua mente ou ego (que mais tarde aprenderemos que são sinônimos), é como se fosse uma verdade absoluta. Quando é apenas uma verdade relativa do ego. Darei mais um exemplo impactante, para fixar bem esse conceito. Suponha que eu te perguntasse: Quem é o seu pai? Quem é a sua mãe? E novamente, a resposta – universal - para essas questões é que você não tem pai, não tem mãe, não tem família. Na verdade você tem uma família que são todos os seres do universo. Mas como assim eu não tenho pai e não tenho mãe? - Você pode estar me perguntando espantado. Oras, porque “PAI” e “MÃE” são ideias atribuídas aos nossos progenitores biológicos (animais assim como nós) que em razão de uma cultura antropológica foram condicionados a serem aqueles que criariam e acompanhariam o seu crescimento, estabelecendo assim um laço sentimental. Contudo, já houve sociedades onde os progenitores não cuidavam dos filhos, e portanto não existia o conceito de PAI e MÃE. Logo, Pai e Mãe não são coisas reais. São "ideias" criadas na sua mente, que dão aos seus "progenitores biológicos" um “valor especial" que é apenas relativo ao seu tempo e espaço individual, e portanto, irreal. Essa verdade não sobrevive ao tempo e à impermanência das mudanças antropológicas da história multimilenar da nossa espécie. Entretanto, embora isso não seja uma verdade absoluta, vivemos como se fosse, contraídos à nossa condição limitada de percepção de tempo e espaço.
Ou seja, as verdades pela qual o ego é formado não são universais. Elas são sempre condicionadas ao nosso padrão e sistema de vida. E por mais que tentemos questionar ou expandir e teor universalista desses conceitos na discussão teórica, o ego, na vida prática, produzirá um esforço irresistível no sentido de contraí-las à condição limitada da sua própria estrutura essencial. Em outras palavras mais simples, mesmo depois de ler esse texto, amanhã você acordará pensando que é o “Fulano”[Seu nome] e que mora no seu endereço. E acreditará que a vida é a história de “Fulano” se desenrolando.
Mas o poder de ilusão do ego não para por ai. Está vendo a cor branca ao fundo desse texto? Ela é real? Ela existe realmente no universo como algo “branco”, ou é nada mais do que a sua mente interpretando uma emissão de fótons eletromagnéticos em determinada frequência? Oras, sabemos que os fótons não tem cor, e que é devido ao comprimento da onda que a cor branca e todas as outras cores são “desenhadas” na tela da sua mente. Na realidade não existe cores no universo. Existe mentes enxergando cores para tudo quanto é lado. E qual o papel do ego na história? Dizer no seu ouvido que o “branco” é real, e que se outra mente estiver enxergando “verde”, você pode discutir com ela e chamá-la de maluca ou “daltônico”, e dizer que você é o único que enxerga correto.
Talvez você esteja aos poucos se sentindo nu ao ler esse texto, mas ainda tem muita “roupa” de verdades relativas e ilusórias para tirar para você compreender de uma vez por todas que sua vida é apenas uma historinha sendo contada pela sua mente. Vejamos... Onde você está sentando agora? Numa cadeira? Num sofá? Num banco? Que seja. Você está realmente sentado nessa coisa? Você está encostando sua bunda no assento? Tem certeza? O núcleo dos átomos de todas as partículas do seu corpo comparado ao seu campo eletromagnético tem a mesma proporção de uma bolinha de tênis comparada a um estádio de futebol. E nenhum núcleo encontra em outro núcleo, pois esse campo eletromagnético impede esse contato. Logo, nada encosta em nada.
Mas e quanto ao núcleo desses átomos? Será que a gente ainda consegue “afirmar” que somos feitos deles e que eles são a nossa “essência”? Não. O núcleo dos átomos são feitos de partículas subatômicas que não possuem a sua “existência” definida de forma “constante” no tempo, ou seja, elas somem e aparecem, trocam de posição, num ritmo vibratório. Matéria não é matéria. Matéria é energia ou vibração. Tudo apenas vibra. Nem às células do seu corpo você pode se apegar. Elas morrem e renascem constantemente, reconstituindo todos os tecidos dos órgãos. Alguns estudiosos afirmam que ao longo da vida, ao invés de um apenas, usamos na realidade três corpos físicos, devido às trocas realizadas entre todas as células mortas e reconstituídas nesse tempo.
Como se todos esses argumentos não fosse bastantes para te convencer que você é um “nada” vivendo algo que “não sabe” em um universo perceptível que mais parece uma realidade virtual, temos, é claro, o “sistema humano de vida”. Esse tema merece um texto próprio, mas abordarei brevemente o que é o sistema humano de vida. Ao longo da mesma, acumulamos valores, ideias, pensamentos, memórias, enfim, verdades relativas que delineiam o certo e o errado, o bem e o mal, o aceitável e o não aceitável, e todas essas informações estão impregnadas na sede do ego, no subconsciente, condicionando nossas vidas de forma verdadeiramente escrava. Vou citar um exemplo básico de uma verdade quase imperial do sistema humano de vida: “Toda criança deve ir para a escola”. Logo, se um pai ou uma mãe não colocar uma criança na escola, serão taxados de maus pais, “irresponsáveis”, “negligentes” para com as necessidades do seu filho. Quando a verdade universal sobre esse aspecto é que crianças podem ser educadas na escola assim como podem ser educadas livremente. A escola não é o único meio de gerar educação, e receber educação cidadã formal na infância não é a única opção de vida de um ser humano (Sugestão de filme: Capitão Fantástico, 2016). Então para completar o nosso quadro, somos um “nada”, vivendo algo que “não sabemos”, em uma realidade virtual simulada por nossas limitadas percepções do mundo físico, sendo escravos do sistema humano de vida que nos “determina” o que devemos fazer, sentir, pensar, comer, beber, enfim, como tem que ser a nossa vida para sermos aceitos na sociedade. E devido à impermanência e a ausência real de controle sobre tudo o que o ego deseja para si, tamanha a quandidade de condicionamentos que o domina, sofremos e deixamos de viver a vida como ela realmente é, para vivermos as queixas e reclamações da mente. Espero que agora que eu tenha mostrado o “tamanho” e o “perigo” do ego, a sua real definição, sua função no universo, vamos para algumas questões importantes: Tem como se livrar desse tal de ego? Não. Vou repetir: NÃO! Mas Dan, pelo conhecimento, não estaríamos livres? Não. O conhecimento não liberta, ao contrário, ele prende ainda mais. Pois as novas verdades relativas do conhecimento apenas sobrepujam outras verdades relativas, ou mudam as verdades anteriores, e continuam sendo apenas verdades do ego. Uma coisa tem que ser bem entendida: enquanto você for humano, você estará ligado a um ego. Depois de morrer, poderá ter uma chance de se desligar dele e conhecer o universo como ele realmente é. Mas agora é impossível. Então toda vez que você disse: “venci o ego”, ou “desejo eliminar o ego”, isso na verdade é o seu próprio ego criando novas formas de ilusões em forma de conhecimento. A libertação não pode ocorrer através da racionalidade, pois racionalidade é ego.
Como então se libertar? Vou lhe deixar sem essa resposta po enquanto. O importante a se saber aqui é: Esse que você chama de “eu”, vê no espelho, e acredita ser o personagem de uma história onde é o “mocinho” que sempre está com a razão e é vítima da circunstância, não é a sua essência. Não é o seu EU de verdade. O seu EU de verdade está assistindo a sua própria vida, e reagindo sentimentalmente a ela, fazendo escolhas internas, aceitando ou recusando as sugestões de sofrimento e contrariedade do ego, que exige tudo da vida para si – e apenas para si. O seu EU verdadeiro pode estar tão preso e tão identificado com o seu personagem que é possível que ele possa estar até hoje praticamente "dormindo". E toda "vida" criada pela sua mente nada mais é do que um sonho do qual um dia deverá despertar. Esse dispertar pode ser hoje mesmo, ou pode levar centenas de anos após a sua morte. Tudo vai depender do quanto você estiver apegado a desejos, posses e paixões dessa vida.
E um ultimo recado: Se você se sentiu “mal” lendo esse texto, isso é um bom sinal. Significa que você recebeu uma porrada bem dada nesse seu ego traiçoeiro, e que pode compreendê-lo mais a fundo conforme se dedica ao estudo correto e bem direcionado dos ensinamentos dos grandes mestres da humanidade (Cristo, Buda, Krishna e Espírito da Verdade). Espero ter lhe dado uma pequena amostra de como os conhecimentos desses mestres são capazes de transpor nosso senso de realidade e levar a nossa consciência para um outro estágio de interpretações da vida. Se gostou do assunto e quer que eu poste mais a respeito, deixe seu comentário.














