O fim de uma viagem é sempre sofrido, ainda mais quando a andança por outras terras termina com uma paixãozinha. E essa foi daquelas que faz você se sentir em um filme. Na última cena, a mulher está na janelinha do avião, atravessando a cortina de nuvens cinzas que cobre Lima, já se preparando para desembarcar em São Paulo acompanhada da saudade.
Saiu para conhecer a noite na capital peruana e viu de longe um homem lindo. Era diferente dos outros, e isso foi o que mais a atraiu. A beleza física, o sorriso, o estilo e o jeito como ele se mexia, tudo era atraente.
Os pensamentos, que ela não dividiu com ninguém, diziam que aquele era o homem mais bonito que ela teria visto durante a viagem e pediam para que a garota arrumasse um jeito de se aproximar (afinal, iria embora em alguns dias, tinha que aproveitar). Em poucos minutos, os amigos quiseram ir embora e ela foi junto, deixando o moço para trás. Não sabia seu nome, nem de onde era e quase tinha certeza de que nunca mais o veria.
No dia seguinte, mais uma experiência noturna na cidade. Já meio desanimada com a proximidade do fim da viagem, ela se esforçava para se divertir. Enquanto fingia dançar ao som do reggaeton que embalava a casa, o rapaz bonito, aquele que tinha chamado a atenção dela na outra noite, se aproximou e puxou papo.
É, a vida é mesmo uma caixinha de surpresas (maravilhosa, por sinal).
Meio sem jeito com a cena, ela descobriu que ele era peruano. E em um espanhol que ele considerou perfecto, mas ela achava meia boca, eles conversaram pelas próximas horas, e até arriscaram uns passos juntos. Acanhados, os dois foram se conhecendo.
Ela já se sentia em um filme, mas quando ele diss3: tu quieres darme un besito?, aquele se tornou o melhor roteiro.
Foram embora juntos, acordaram abraçados e se olharam com carinho. E quando ela sorriu sem graça, ele apertou a ponta do nariz dela com o indicador, retribuiu o sorriso e fez o mundo parar de girar pelos próximos segundos. Por um tempo, ela só conseguia pensar em como era lindo! E metade da culpa era do espanhol, idioma bonito e sensual.
Era o último dia dela na cidade, as férias estavam chegando ao fim, mas ela nem conseguia reclamar (e nem podia!). Passaram o dia juntos.
Ele, sem saber dos pontos que estava prestes a ganhar, a levou até a praia e foi surfar. Ela amava o mar como poucas coisas na vida.
Passaram o resto do dia no quarto, dormiram/fizeram amor/dormiram mais um pouco/transaram de novo. Ela foi arrumar as malas e ele visitar uns amigos. Combinaram de se despedir de noite, mas por questão de minutos se desencontraram. Ironias do destino!
Cada um estava em seu país e as conversas carinhosas tinham tom de saudade, e aconteceram todos os dias por cinco dias. Na última conversa, o peruano falou que eles se veriam em breve e fez um pedido: que ela estivesse sempre feliz, independentemente do que acontecesse. Sem entender muito bem, ela concordou. Nos dias seguintes, ele sumiu, não acessou mais a rede social. A última coisa que disse foi: te quiero. E talvez ela nunca saiba se queria mesmo…