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Janaina Medeiros
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⁂

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@coraleeeee
that’s pookie right there
Water
Estava tudo quente e molhado; sentia cada parte da minha pele queimar. Eu gostava dessa sensação: me energizava e me relaxava ao mesmo tempo.
O vento fresco equilibrava a temperatura do meu corpo e me trazia de volta à realidade, assim como a água fria na minha cara toda vez que Lara pulava na piscina ao meu lado, me arrancando de meu estado meditativo.
— Lara! — eu gritava, sabendo que ele não me ouviria dentro da água.
— Entra aqui, para de drama — falou, nadando para a beira.
— Não estou fazendo drama, eu só quero pegar sol — falei, sentando e colocando meus pés na água.
— É melhor você entrar logo; meu pai vai chegar com meus tios, e eu não quero que ele veja você fazendo topless no quintal.
— Como assim, seu pai e seus tios? Achei que era só a gente que viria passar o verão aqui.
— Meus pais decidiram de última hora. Vamos ter que ir para a praia fumar maconha.
— Lara, você já tem mais de vinte anos para ficar fazendo coisas escondidas.
— É porque não é você que tem um pai maluco e uma mãe ultraconservadora, e eu? Eu sou a filha perfeita, lembra? E você é minha má influência.
Fiz uma careta; tudo que Lara disse era verdade. Viemos passar o verão justamente na sua casa de praia para descansar de nosso chefe maluco e, chegando aqui, teríamos que conviver com o seu pai maluco. Se eu soubesse, tinha ficado na minha cidade. Mas era aquilo: não era problema meu; a melhor opção era agir feito adolescentes para se divertir, fazer tudo escondido e ficar na minha nas horas vagas.
Entrei na piscina e ficamos conversando até seu pai chegar. Lara era daquelas filhas únicas extremamente mimadas e certinhas que viviam uma vida dupla, pois comigo e com os amigos era ela quem comandava as maiores empreitadas. Não que eu não gostasse; na verdade, era por isso que éramos amigas. Só gostava de liberdade e, depois de uma certa idade, fazer coisas escondidas passa a ser ridículo.
Não demorou muito para a sua família chegar. Lara se levantou e se enrolou na toalha para cumprimentar todos; fiz o mesmo. Seu pai, sua mãe, seus avós, a tia Ivone — que era incrível —, seus dois tios mais velhos e ele: um homem alto, loiro, com os olhos extremamente marcantes e intimidadores. Eu e Lara somos amigas desde criança; conhecia toda a sua família, mas não ele.
— Hayden, essa é a minha filha, Lara, e a amiga dela, "Encrenca". — Olhei para ela de relance, revirando os olhos enquanto Lara ria, e ele também; ele tinha percebido. — Ele trabalha com o seu pai, filha, vai passar o verão com a gente.
Lara deu de ombros.
— Oi — disse para ele, me apresentando.
— Oi — ele respondeu; sua voz era grave e calma.
Assim que dei o aperto de mão para cumprimentá-lo, depois de Lara, senti um choque. Ele também, pois me encarou um pouco assustado, com um sorriso gentil no rosto. Suas mãos eram quentes e ásperas; dava para sentir os calos contra a minha, pressionando, e o tamanho...
— Vamos, a gente precisa se trocar. Combinei com os meninos que os encontraríamos na cidade — falou Lara em meu ouvido, numa tentativa de ser um segredo, mas tinha certeza de que Hayden tinha ouvido tudo, pois ele me olhava com um olhar divertido e, por incrível que pareça, tímido em relação ao meu. Gostei desse poder, principalmente com um homem mais velho.
Lara me puxou pelas mãos e me afastou, me levando para o quarto. Me virei para trás e ele ainda me olhava; dei um tchauzinho discreto, fazendo-o ficar vermelho.
— Ficou retardada, garota? — Lara falava ao fundo, apressada.
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Fui tomar um banho antes de sair para tirar o cloro do meu corpo. Deixava a água cair, marcando minha pele, e, por algum motivo, Hayden não saía da minha cabeça. O contato com as suas mãos foi o suficiente para imaginá-las no resto do meu corpo, pelos meus seios e descendo pela minha barriga; suas mãos deveriam ser firmes. E os olhos? Não dava para esquecer deles. Queria que eles me observassem por inteiro, queria que eles...
Um barulho veio de fora do chuveiro, me fazendo voltar à realidade.
— Buh! — Lara apareceu de uma vez dentro do box e, antes de eu gritar, tampou minha boca, rindo incessantemente, me fazendo rir também. Meu coração estava na minha boca e a xingava em todas as línguas que sabia, mesmo com ela abafando o som. — Desculpa, vim tomar banho com você.
— Vaca, você é psicopata! — Ela ria.
— E você é uma tarada. Eu ouvi você falando o nome dele; não sabia que gostava de homens mais velhos.
— Já que seu pai é casado, tem que ser ele mesmo, né? — brinquei.
— Nojenta.
Ficamos assim até terminarmos de nos arrumar. Coloquei um vestido solto com as costas à mostra e saí com o cabelo molhado mesmo.
— Vou esperar você na sala — falei, saindo do quarto.
— Tá bem, assim que terminar eu desço — falou Lara, gritando enquanto eu descia as escadas.
Assim que desci, a casa estava vazia e silenciosa, todos estavam tirando o cochilo da tarde; dava para ouvir meus passos. Quando cheguei na sala, uma figura grande estava esticada no canto do sofá com o controle da TV na mão, passando por vários canais, mas não parando em nenhum, até me ver.
— Posso sentar com você? — falei. Assim que percebi que era Hayden, relaxei meu corpo no batente da porta; era exatamente assim que eu queria que ele me visse.
— Claro — ele apenas olhou para o espaço vazio do sofá e me olhou em seguida, me acompanhando até eu sentar. Não desviei de seu olhar nem por um segundo, que, diferente do meu, não tinha nenhuma malícia.
— Vai dormir aqui? — falei, puxando assunto. — Quer dizer, o pai da Lara disse que você vai passar o verão com a gente.
— Sim, estou passando um tempo na cidade e ele me convidou. Tive que aceitar; aqui é um paraíso.
— É, sim. Venho desde que conheci a Lara, há duas décadas atrás.
— Falando assim, parece que são outras vidas.
— Exato! Eu gosto de como soa dessa forma; parece que a gente se conhece há muito mais tempo. — Ele riu, não como antes, mas uma leve gargalhada, colocando sua mão ao lado da minha no sofá.
— Então vocês são amigas?
— Sim — falei, encarando a proximidade de nossas mãos, tocando seu mindinho com o meu, trazendo o mesmo choque de antes. Ele não se afastou, olhava para a mesma direção. — Você... conhece o pai dela de onde?
Entrelacei meu mindinho no dele.
— Do trabalho — sua voz baixou o tom; dava para notar que ele estava nervoso. Ele era tímido, o que não combinava com tanta beleza, mesmo sendo um homem mais velho.
— Nunca soube exatamente o que ele faz — falei, sorrindo e entrelaçando mais dedos com os dele. Ele riu também. — E o que você faz?
— Sou ator.
— Sério? — olhei para ele, mas sem perder o contato de suas mãos. — De Hollywood, essas coisas? — Minha voz já falhava.
— Mais ou menos — sua voz também falhava, cada vez mais grave; a tensão sexual era palpável. — Estou um pouco afastado.
— Entendo, é um mundo um pouco cruel, ouvi dizer. — A cada toque que ele me permitia avançar, eu me derretia; o braço que usava para apoiar minha cabeça já falhava. Lembrava de tudo o que imaginei ele fazendo comigo no banheiro mais cedo; não estava conseguindo mais disfarçar.
Assim que entrelacei por completo meus dedos nos dele, ele fechou, juntando nossas mãos como um casal de namorados. O calor percorreu meu corpo e fechei meus olhos para sentir mais, até gravar esse toque para mim.
— Cadê você? — a Lara gritava pelos corredores.
Tirei minha mão na hora e tampei minha cara, vermelha de vergonha.
— Me desculpa.
— Tudo bem — ele falou, com um olhar atencioso, e a mão dele, que estava entrelaçada à minha, agora estava no meu ombro.
Tudo aquilo era confuso e inusitado; era a primeira vez que eu me atraía por um homem mais velho, e eu gostei disso, ou dele... com certeza era ele.
— Nossa, te achei! Vamos logo — Lara falou, nem notando o que acontecia entre eu e Hayden.
— Tenho que ir — falei para Hayden, que apenas assentiu. Me virei e fui embora; dessa vez não olhei para trás.
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Ficamos na cidade até escurecer. Nosso grupo de amigos era grande; Lara estava se envolvendo com um dos caras, mas eu não queria nada com ninguém. Só pensava em Hayden; em tudo, eu queria ele, e não aguentava um minuto a mais longe daquela casa.
— Lara, vamos embora — falei, deitada na areia, vendo o sol se pôr no horizonte.
— Por quê? Está tão legal.
— Seu pai vai encher o saco. Ele disse que queria que estivéssemos lá para jantar.
— Sério? — mentira; eu tinha acabado de inventar.
— Sério — falei, fingindo tristeza.
— Aff, na próxima vou garantir que seremos só a gente — ela falou, bufando e levantando da areia para guardar as coisas. Ajudei e fomos embora.
Chegamos em casa e ela foi direto tomar banho no único banheiro da casa. Deitei na cama esperando minha vez e fiquei mexendo no celular até cair no sono.
Quando acordei, percebi que Lara demorava no banheiro e eu precisava tomar banho antes de a água esfriasse. Resolvi, então, colocar minha vingança em prática. De biquíni mesmo, fui até o corredor e me aproximei da porta, de onde dava para ouvir a água batendo no chão. Forcei um pouco a porta e, para minha surpresa, estava destrancada — Lara sempre deixava destrancada. O vapor da água quente se espalhava pelo ambiente, deixando minha vista meio turva. Tentei fazer o mínimo barulho possível; ela ia ver, ia levar o maior susto da sua vida. Abri o box devagar, como uma assombração.
— Buh!! — gritei, já pronta para tampar sua boca caso ela gritasse. E foi o que eu fiz.
Ria enquanto pressionava sua boca — áspera? — e agarrava sua cabeça por trás. Sentia cabelos encaracolados e curtos; não era a Lara, com certeza não, merda. Parei de rir e me encontrei com os seus olhos, os olhos dele, meio desesperados, meio inebriados. Suas mãos grandes estavam em contato direto, apertando minha cintura, seu peito no meu.
— Me desculpa, achei que era a Lara, eu achei que era ela — falei rápido, com a voz falha e baixa, ainda pressionando-o na sua boca, ainda com os nossos corpos pressionados um no outro, pele na pele; dava para sentir tudo, tudo...
Hayden agarrou meu pulso, tirando minhas mãos da sua boca devagar, tomando controle da situação. Eu só obedecia; nem notava que havia me molhado por inteira. Com a outra mão, ele não soltava minha cintura, me mantendo ali, colada nele, com as respirações pesadas e sincronizadas.
— Me desculpa — falei, quase num sussurro. Acho que não estava tão arrependida assim; sentia a sua rigidez em minha barriga pressionando minha pele, suas mãos ainda em meus pulsos, seus braços envolvendo minha cintura.
Ele não me respondeu, apenas me analisava, olhava meus olhos implorando por ele, minha boca entreaberta pedindo a sua na minha.
— Deixa eu te beijar, por favor — falou ele, franzindo a testa e me empurrando contra a parede com o seu corpo. Apenas assenti com a cabeça; era incapaz de dizer qualquer coisa.
Ele pressionou seus lábios nos meus, me encurralando em seus braços. Foi o suficiente para eu me contorcer em seu corpo; assim que sua língua traçou a minha, meu corpo estremeceu. Gemi em sua boca; se ele me largasse naquele momento, cairia no azulejo colorido do chão. Ele me beijava com fome e eu respondia como tal; parecia que já tinha feito aquilo mil vezes. Tudo era tão familiar e, ao mesmo tempo, tão novo, gostoso.
Ele beijava meu pescoço enquanto soltava meu biquíni de cima, deixando meus peitos à mostra; suas mãos os cobriam por inteiro e ele apertava sem piedade. A cada avanço de sua boca na minha, ele apertava uma parte da minha pele. Uma de suas mãos apoiava minha cabeça para não machucar na parede fria e dura, e a outra mão desfazia o laço lateral da parte de baixo do meu biquíni, devagar. Assim que caiu no chão, ele passou sua mão entre minhas pernas, que estavam tão molhadas quanto a água que caía no chão. Assim que ele sentiu, foi ele quem gemeu contra minha boca. Seus dedos deslizavam fácil, me fazendo contorcer contra ele, que abafava meus gemidos com seu beijo.
Não demorou muito para eu me estremecer em suas mãos. Levantava minha cabeça à procura de ar para não desmaiar e, vendo que não conseguia mais me manter em pé, Hayden me ergueu em seu colo, com uma perna de cada lado; eu me apoiava em seus ombros largos enquanto ele me provocava por baixo. Queria me fazer implorar por ele, assim como ele fez para mim.
— Eu preciso disso, por favor — falei sem pensar; me humilharia se precisasse.
Ele entrou em mim devagar, me fazendo sentir cada centímetro. Eu queria gritar, mas ele tampou minha boca, assim como eu fiz antes com ele, sem perder seus olhos nos meus — aqueles olhos extremamente intensos, ele me penetrava de todas as formas possíveis. Seus movimentos se aceleravam gradualmente; lágrimas saíam dos meus olhos a cada estocada que ele me dava. Hayden soltou minha boca, enfiando dois dedos dentro, travando meu maxilar, beijando meu pescoço e mordendo, dessa vez para abafar seus sons enquanto seu corpo se movia, pressionando o meu cada vez mais. Ele me beijava, me apertava e eu o correspondia na mesma intensidade, ou até mais; nunca havia sentido tanto desejo por alguém. Não iria aguentar por muito tempo. Me agarrei nele com força, fincando minhas unhas em suas costas, que acompanhavam seus movimentos cada vez mais rápidos. Minha garganta se engasgava e ele urrava em meus ouvidos; meu corpo tremia tanto e as pernas de Hayden falhavam, até chegarmos ao ápice juntos.
Ele me colocou no chão devagar, me ajudando a me equilibrar, e apoiou seus braços na parede acima de meus ombros. Recuperando o fôlego, beijava meu rosto até chegar na minha boca para mais um beijo; eu não conseguia abrir meus olhos por completo de tão inebriada que estava. Hayden trocou a água para fria para ver se a gente reagia e voltava para a realidade novamente; me colocou embaixo do chuveiro e aninhou minhas costas em seu peito, me lavando até eu recobrar a consciência.
— Isso foi incrível — ele quebrou o silêncio.
— Foi — falei, suspirando pela boca, ainda sem pensar direito.
Ele me pegou pelo pescoço, beijando-me novamente.
— O que a gente faz agora? Quero você todos os dias.
Me virei, olhando nos seus olhos e cruzando meus braços em torno de seu pescoço, retomando o controle. Ele me olhava com ternura e desejo, e eu o correspondia.
— Isso pode ser nosso segredo. Se você não contar, eu não vou dizer para ninguém — falei, me livrando de seus braços e pegando sua toalha para me secar. Me cobri e saí do box sem quebrar o contato visual. Assim que fechei a folha de vidro, depositei um beijo na superfície gelada como despedida; dava para ver seu sorriso bobo atrás das gotículas que se formavam na parede transparente. Ele parecia até mais jovem; aquilo era um "sim". Um "sim" para a gente, um "sim" para o começo do verão mais intenso de nossas vidas.
Elevator Footage
Já o vira várias vezes. Cruzamos na portaria do prédio, tarde da noite; ele trazia um perfume misturado ao cheiro de cigarro que sempre me deixou inebriada. Ganhei apenas um "boa noite" — uma voz grave que tentei memorizar, sentindo-a vibrar em meus ouvidos. Fiquei tão absorta em devaneios, repetindo o som daquelas palavras, que quando finalmente me dei conta para responder, ele já havia sumido pelos corredores.
Fora isso, eu o via raramente: uma vez no estacionamento e outra na padaria, do outro lado da rua. Era uma manhã de domingo, após um after intenso; eu provavelmente estava com o rosto amassado e os olhos caídos de cansaço. Eu amava aquela vida.
— Você está ficando obcecada — disse Tália, enquanto pintava as unhas dos pés no meu sofá.
— E como não ficar? Você não viu os olhos dele. Não sei se sinto medo ou tesão — falei, jogando-me ao lado dela.
— Tesão? Ele tem idade para ser seu pai.
— Se meu pai estivesse vivo, teria uns sessenta anos. E eu acho que ele não é tão velho assim — brinquei.
Tália balançou a cabeça em indignação, concentrada pintando com esmalte o dedinho do pé, enquanto tragava o cigarro pendurado no canto da boca.
— A gente devia sair hoje, beijar homens da nossa faixa etária e beber muito.
— Não vou conseguir recusar. Estou doida para sair e dançar a noite toda.
Ela sorriu, fazendo uma dancinha rápida de empolgação. Aproveitei o embalo e me levantei para preparar algo para comer, já que a intenção era terminarmos a noite bêbadas.
O som era contagiante. Eu movia o quadril conforme a batida, jogando o cabelo de um lado para o outro; o mundo lá fora não importava. A bebida já fazia efeito e meu corpo se sentia solto, vivo.
— Vou lá fora fumar! — Tália gritou no meu ouvido e, antes que eu pudesse responder, puxou-me pela mão.
— Você está bem? — perguntou ela, assim que chegamos ao fumódromo. Mesmo com a música abafada, ela gritava.
— Sim, não bebi muito, estou de boa.
— Pois eu bebi... — ela respondeu com a voz arrastada. — Acho que vou vomitar.
Tália virou-se rapidamente e despejou tudo. Segurei seu cabelo, dando suporte; era o ápice da nossa amizade.
— Vem, vamos embora — falei, quase arrastando-a dali.
— Poxa, estraguei sua noite...
— Relaxa, minha prioridade é você agora.
Deixei Tália em casa em segurança, e assim que ela apagou fui embora. Só queria um banho e minha cama. Provavelmente cheguei no prédio no meio da madrugada, já que o silêncio era gritante. Apertei o botão do elevador e esperei; assim que abriu, tirei os meus sapatos e digitei meu andar. Meu corpo relaxou na parede do elevador junto aos meus pés, fechei meus olhos junto com um suspiro profundo, até um barulho de metal me assustar: uma mão entre a abertura da porta se fechando.
— Boa noite — era ele.
Levantei os olhos até encontrar os dele, tão azuis e profundos. Mais uma vez não respondi; mal conseguia respirar em sua presença. Ele era intimidador, e tudo era tão excitante. O silêncio pairou pelo espaço e ele apenas sorriu de canto, o que me tirou do transe.
— Boa noite — falei baixo, me ajeitando ao seu lado e abaixando a barra do meu vestido.
Ele se inclinou, aproximando-se de mim, e apertou o botão do seu andar; lógico que era a cobertura.
Mais uma vez, o barulho metálico se fez presente, junto com minha respiração pesada. Dava para sentir o calor do seu corpo, sua mão próxima à minha e, novamente, aquele perfume. Eu precisava aproveitar a oportunidade de falar com ele: um "oi" para iniciar uma conversa, qualquer coisa. Assim que virei o corpo, preparando-me para falar com ele, que se distraía com o celular, um tranco repentino nos atingiu e as luzes se apagaram.
Na mesma velocidade, as luzes se acenderam. Seus braços estavam em minha cintura, me segurando, e sua respiração estava perto da minha; se eu movesse a cabeça para frente, eu o beijaria. Era o que eu mais queria.
E foi o que eu fiz: roubei seus lábios, segurando seu rosto com as minhas mãos. Para minha surpresa, ele correspondeu. A textura de sua pele era áspera por conta da barba por fazer, e sua língua era macia. Senti ele me apertando ainda mais, prensando-me contra a parede, até que perdêssemos o fôlego. Foi quando senti o frio tomar conta novamente e minha respiração finalmente voltou, irregular e eufórica, assim como meu coração.
Olhei para ele; estava da mesma forma, fitando o teto e depois o chão, evitando contato visual. Merda, o que eu tinha feito?
Silêncio.
Finalmente ele me olhou, ainda com a cabeça baixa; as linhas de expressão em sua testa marcavam seu rosto, e seus olhos azuis se intensificavam cada vez mais. Eu me sentia culpada.
Ele soltou uma risada desacreditada, quase uma tosse:
— Achei que você não fosse muito com a minha cara.
Dei de ombros.
— Boa noite? — respondi, na tentativa de compensar algo. Isso o fez sorrir. — E me desculpa — menti, pois não sentia culpa alguma.
— Meu nome é Hayden Christensen, moro na cobertura.
— Eu sei — falei sem pensar. — Quinto andar.
Ele apenas balançou a cabeça. Dei um passo para trás, na tentativa de criar espaço; estava presa naquele elevador e só queria sair correndo. Pisei em algo duro que feriu meu pé instantaneamente, fazendo-me soltar um "ai" surpreso.
— Está tudo bem? — perguntou, socorrendo-me rapidamente.
Usei seu braço para me apoiar e ver o que era: um celular. O celular dele.
— Ai, meu Deus, desculpa!
— Tudo bem — falou ele, pegando o aparelho do chão. — Ainda funciona, só quebrou a tela. Deve ter caído com o tranco do elevador — disse, olhando em volta.
— Parece que acabou a energia — falei, reparando que apenas a luz de emergência estava acesa. — Droga. Não por estar com você, é que eu só queria tomar um banho e meus pés estão me matando.
— Senta no chão, vamos ficar aqui um bom tempo — disse ele, sentando-se ao meu lado. Ele era gigante.
Sentei-me perto dele.
Ele puxou assunto, respeitosamente, eu respondia e logo iniciamos uma conversa amigável. Ele aparentemente era divorciado e tinha uma filha; falei um pouco da minha vida, de como eu estava aproveitando cada canto da cidade, já que tinha acabado de me mudar.
— Percebi — falou ele, apontando para o meu estado. — Vou considerar o beijo um ato impulsivo por conta da bebida.
Ele finalmente tocou no elefante dentro daquele cubículo.
— Diria que foi mais um ato de coragem — falei, colocando minha mão sobre a perna esticada dele.
Por mais que conversássemos amigavelmente, não conseguia parar de pensar no beijo. Ele olhava minha mão ali, parada, até cobri-la com a sua, cruzando os dedos e apertando. Meu corpo se arrepiou com seu toque lento, mas, logo em seguida, ele tirou minha mão dali, colocando-a ao lado do meu corpo.
— Quantos anos você tem? — perguntou, baixo.
— Não quero falar sobre isso.
— Você… eu não posso fazer isso.
— Mas eu posso — falei, olhando para ele e me aproximando. Eu precisava sentir aquilo de novo. — Qualquer coisa, coloco a culpa na bebida e você só vai ser mais um com quem fiquei depois da balada — sussurrei em seu ouvido, o que o fez sorrir. Dessa vez, de verdade, com todos os dentes. O sorriso dele era lindo. Eu me oferecia a ele, sem medo de ser julgada.
Com o silêncio e a tensão no ar, ele não me respondeu; parecia pensativo. Abriu a boca para dizer algo, mas um tranco o impediu. As luzes se acenderam e o elevador voltara a funcionar.
Ele foi o primeiro a se levantar, como se quisesse fugir de mim. Ajudou-me a ficar de pé, segurando minhas mãos. Não vamos dizer que eu não tentei.
O elevador se abriu em meu andar e o vento gelado entrou. Respirei fundo e saí. Olhei para ele por cima do ombro, com os olhos baixos, fitando-o pela última vez. Provavelmente, eu teria que me resolver sozinha esta noite.
— Foda-se — disse ele, prendendo a porta e puxando-me para dentro de novo.
Ele me jogou contra a parede e me beijou, dessa vez me envolvendo tanto com a boca quanto com as mãos; deixei-me levar pelos seus movimentos, estasiada pela sensação do seu toque. Ele me olhou com seu olhar sombrio e apertou o botão para o elevador parar. Beijou meu pescoço, deslizando pela minha pele, e abaixou as alças do meu vestido, deixando meus seios à mostra, rígidos pelo frio e pela excitação. Ele beijou um, massageando o outro, e depois começou a sugar com força, soltando sons guturais pela garganta que vibravam contra minha pele. Ele desceu cada vez mais, até chegar às minhas coxas, passando as mãos de cada lado e levantando meu vestido justo, expondo minha calcinha de renda preta. Ele apertava minha pele quase rasgando; aquela cena dele entre minhas pernas, sugando e beijando meu ventre, a sensação de sua língua brincando com meu corpo, provando cada centímetro, era inebriante.
— Hayden, aqui tem câmera — falei entre suspiros, segurando seus cabelos.
— Então que assistam a essa cena magnífica de eu te chupando — falou, levantando-se do chão e me beijando de novo. — Vou fazer questão de pegar essas gravações para mim.
Hayden me beijava como se fosse sua única oportunidade. Ajudei-o a desprender o cinto, rápido, urgente. Ele me ergueu, com uma perna de cada lado, colando seu corpo ao meu.
Minha respiração falhou assim que ele entrou em mim, rápido, com seus movimentos cada vez mais urgentes. Sua boca não descolava da minha; era como se já tivéssemos feito isso antes, mas com a sensação de primeira vez. Tudo nele era delicioso: o toque de sua pele, o seu gosto. Eu gemia o seu nome, que até algumas horas atrás eu não sabia, mas amava como soava — e, pelo jeito, ele também.
Hayden me colocou no chão e me virou de costas. Beijava meu pescoço, minhas costas, puxando-me pelo cabelo e colando seu corpo ao meu a cada investida. Sua respiração pesava em meu ouvido; dava para ouvir o som que ele fazia cada vez que nossos corpos colidiam, até minhas pernas falharem.
Junto com as dele, senti a diferença que ele sustentou entre nós dois. Ele me virou para si novamente; meu corpo estava mole e o meu fluido escorria entre as pernas, misturando-se ao dele. Ele me beijava, fazendo-me duvidar se ele já não me desejava tanto quanto eu o desejava.
— Essa gravação vai ficar incrível — sussurrou.
— Você gosta de ser visto? É algum fetiche?
— Não, mas eu gosto de te ver dessa forma — respondeu, enquanto falávamos entre beijos.
— Vem para a minha casa, eu te ajudo a se limpar — falou ele, com os dedos entrelaçados no meu couro cabeludo.
Eu só tinha capacidade de balançar a cabeça em afirmação.
— Vem cá — disse ele, levantando-me no colo e fazendo-me soltar um gritinho acompanhado de um riso divertido. Tudo estava tão leve, assim como o meu corpo.
Hayden me levou até seu apartamento e, a partir daquele dia, passei a ser somente dele, e ele, somente meu.
Uma semana depois, em uma tarde de quarta-feira, recebi uma encomenda: uma caixa misteriosa. Assim que a virei, vi algo escrito:
“Tive que guardar uma para mim, deixa essa para você se lembrar também.
PS: Você fica incrível em qualquer posição.”
Fire
Todas as mulheres viravam a cabeça; todos se levantavam para falar com ele.
Ele era como um híbrido, uma mistura de um homem que não conseguia se conter.
Eu sempre tive a sensação de que ele vivia dividido entre ser uma boa pessoa e o medo de perder todas as oportunidades que a vida poderia
oferecer a um homem tão magnífico quanto ele.
E, de certa forma, eu o entendia.
E eu o amava.
Eu o amava, eu o amava, eu o amava…
E ainda amo.
Eu o amo.
Mas ele nunca me amaria.
Por todos esses anos, me conformei com essa paixão platônica que, quanto mais eu envelhecia, mais parecia fazer parte de mim. Ou talvez eu nunca quis deixá-la ir.
A sensação de desejar algo inalcançável me alimentava — me fazia imaginar, fantasiar sempre que o via. O que não acontecia com frequência, já que quem era próximo do meu pai era seu irmão mais velho.
Hayden Christensen aparecia nas festas da empresa onde seu irmão era sócio. Às vezes, também surgia lá em casa,mas raramente.
E agora Hayden — ou melhor, seu irmão — convidou meu pai para passar o fim de semana no interior do Canadá, para o seu aniversário.
É claro que eu dei a desculpa de acompanhar meu pobre pai solitário para ir.
A fazenda era grande, algo construído com o tempo. Havia alguns animais e poucas pessoas na casa. Imagino que fosse a família de Hayden e de seu irmão.
Fomos muito bem recebidos. Iríamos ficar apenas o dia, então não levávamos muita coisa.
Meu pai logo sumiu pelo lugar com o irmão de Hayden, e eu fiquei no jardim, com os cachorros e uma garotinha tão bonita quanto uma boneca.
Ela insistia em me mostrar todos os cantos da fazenda, me apresentando a cada ser vivo que ali existia.
— Parece que a Brier te escolheu — falou Hayden de longe, abrindo os braços, enquanto ela soltava minha mão e corria até ele.
Ele raramente falava comigo — o que, por um lado, eu agradecia, já que sempre travava com o grave da sua voz.
— Você veio com o Carlos?
— Sim, meu pai — falei, caminhando até ele.
— Nossa, você é a filha dele… a última vez que te vi…
Balancei a cabeça negativamente, implorando para que ele não viesse com aquele papo de “como você cresceu”. Ele percebeu e riu.
— Desculpa.
— A última vez que você me viu, eu já estava na faculdade… que terminei há dois anos.
— Faz tanto tempo assim?
Dessa vez, balancei a cabeça em confirmação.
Brier pulou do colo dele e correu para dentro de casa.
Eu amava seus olhos intensos e azuis que, mesmo sob a luz do dia, ainda pareciam sombrios — tão diferentes da sua personalidade.
— Ainda não tinha conhecido ela.
— Brier?
— Sim… ela é linda — como o pai, quase soltei.
— Ela lembra muito a mãe dela.
— Então sua esposa deve ser ainda mais bonita.
— Não sou casado.
Aquilo me deixou muito feliz, mesmo sabendo que ele era uma impossibilidade.
— Nossa, desculpa — falei, sem graça. Eu definitivamente não sabia conversar com ele.
— Tudo bem — ele respondeu sorrindo, apertando os olhos contra a claridade do dia. — Entra, a gente já serviu o bolo.
— Nossa, sim… eu nem te dei parabéns — falei, quase vermelha pela gafe que cometi.
Me aproximei, dando um meio abraço e um beijo no rosto — um ato típico brasileiro — e, para minha surpresa, ele correspondeu.
A diferença de altura fazia com que ele se inclinasse levemente para baixo, e o calor dos seus braços me envolveu, prendendo minha respiração. O cheiro dele era fresco, amadeirado, com um leve traço de cigarro… torci para que ficasse impregnado em mim.
Assim que me afastei, sua mão permaneceu nas minhas costas, me guiando para dentro da casa.
A noite caiu depressa, e eles acenderam uma fogueira nos fundos.
Meu pai, como um grande apreciador de festas, estendia a comemoração ao máximo com o irmão de Hayden. Tocavam violão, contavam histórias e faziam todos rirem até a madrugada. Bebiam como se não houvesse amanhã — o que me fazia pensar em como iríamos embora. Talvez essa nem fosse uma opção.
A fogueira era quentinha, mas não o suficiente para o frio que se espalhava — um frio ao qual eu não estava acostumada. Eu tremia, quieta no meu canto, enquanto ria do meu pai contando a mesma história pela quinta vez.
— Toma — disse uma voz grave, única, atrás de mim.
Claro que era Hayden.
— O que é isso? — perguntei, me referindo à garrafa duvidosa, com um líquido ainda mais suspeito. A mesma que meu pai não soltava.
— Álcool. Vai te aquecer. Já tem idade pra beber, né? — disse Hayden, se sentando ao meu lado.
Não consegui esconder minha expressão de indignação.
— Sério?
Ele sorriu… e, nossa, como o sorriso dele era perfeito.
Me encolhi ainda mais debaixo da coberta, prendendo as pernas contra o corpo. Ficar perto dele seria um desafio, talvez a bebida me ajudaria.
Virei a garrafa de uma vez, sentindo o líquido queimar a garganta — mas aquecendo meu corpo.
Minha expressão fez Hayden rir ainda mais.
Depois de algumas horas, o álcool se misturava com o cansaço do dia, me deixando cada vez mais mole.
Tudo naquele lugar era tão aconchegante… incluindo Hayden ao meu lado.
Levantei rápido, e todo o álcool que tinha bebido subiu de uma vez, me fazendo cambalear — e, claro, tropeçar bem na frente dele.
Ele se levantou num reflexo rápido para me segurar.
O mundo parecia estar me provocando com algo que eu nunca teria… e isso já começava a me irritar.
— Desculpa — falei baixo, sentindo suas mãos grandes na minha cintura.
— Vou te levar pra deitar.
— Não precisa… vou descansar no carro.
— De jeito nenhum — disse Hayden, me guiando para dentro da casa, enquanto meu pai ria do lado de fora da minha situação.
— Sério, não precisa — falei, me apoiando nele a cada passo.
— Acho que precisa, sim.
Ele me pegou no colo em um só movimento e começou a subir as escadas, me fazendo soltar um gritinho com um sorriso no ouvido dele enquanto me agarrava ao seu pescoço.
— Você é cheiroso — soltei, sem pensar. Agradecia por estar bêbada o suficiente pra usar isso como desculpa depois.
Hayden riu da minha situação.
— Sempre pensei em como era o seu cheiro… mas é melhor do que eu imaginava.
Minhas últimas lembranças foram de um lençol macio, uma cama confortável… e minha cabeça afundando no travesseiro.
Quando acordei, já não havia mais barulho. Meu corpo estava completamente relaxado e aquecido sob uma coberta grossa e confortável — daquelas que pesam sobre o corpo.
O cheiro dos lençóis era familiar. Era o cheiro dele. Provavelmente aquela era a cama dele, e eu não queria sair dali nunca mais.
Mas minha bexiga me traiu. Eu precisava ir ao banheiro.
Levantei, e a casa estava em silêncio. O corredor ainda estava escuro, iluminado apenas pela luz da lua lá fora.
Entrei no banheiro, tentando organizar tudo o que tinha acontecido, revivendo os últimos momentos, torcendo para não ter feito nenhuma besteira… e lembrando dos braços de Hayden me colocando na cama.
Aquela cena fez meu corpo arrepiar. Eu já tinha fantasiado com aquilo várias vezes, mas nunca assim — nunca estando tão bêbada.
Será que eu falei alguma coisa?
Quando saí, a porta do quarto estava aberta — o que era estranho, pois eu lembrava de tê-la fechado.
— Hayden? — chamei, abrindo mais a porta.
Ele se assustou, soltando um palavrão baixo e levando a mão ao peito, deixando tudo cair no chão.
— Vim pegar umas cobertas… achei que você estava dormindo — falou ainda com a mão no peito, inclinando o pescoço para trás, me dando a visão completa. Sentou-se na cama devagar, tentando se recuperar do susto.
— Desculpa, quase matei um senhor de idade — brinquei, trazendo seus olhos para mim. À noite, eles pareciam ainda mais sombrios… o que fez meu corpo travar, até ele abrir um sorriso e me fazer rir também. — Cadê meu pai?
— Dormindo no celeiro com o Tove.
— Meu Deus, me desculpa por isso — não era a primeira vez que meu pai se empolgava assim.
— Relaxa. Se o Tove não fosse casado, iam achar que eles têm um caso… eles nunca se desgrudam.
— Talvez seja um casamento de fachada.
Hayden riu, levando a mão à boca, tentando conter o som.
— Vou te dar licença pra você descansar.
— Você vai dormir aonde? — indaguei. Se ainda estivesse bêbada, o convidaria pra dormir comigo.
— Na sala — disse, pegando as cobertas do chão.
— Nossa, não vou deixar você dormir no seu próprio sofá — falei, ajudando a arrumar a bagunça.
— Para, não precisa.
— Hayden, você nem cabe naquele sofá — puxei as cobertas, mas ele não soltava.
— Ah, você não vai soltar, né?
Hayden balançou a cabeça em negativa, puxando ainda mais para si — e me levando junto, já que eu me recusava a soltar.
Até porque eu não queria.
Eu queria ele naquela cama, comigo.
Ele estava tão próximo. Seus braços se entrelaçavam nos meus através das cobertas, e ele sorria toda vez que eu tentava puxá-las para mim. Me olhava de cima, sem desviar o olhar, claramente se divertindo com aquela brincadeira silenciosa.
— Obrigada por me trazer pra cá… não sei se o carro seria tão confortável quanto a sua cama.
— Gostou da minha cama? — ele soltou sem hesitar, rápido, me pegando desprevenida. — Há quanto tempo você pensa em mim?
— Como assim? — o frio na barriga crescia a cada palavra sussurrada que ele dizia.
— Você disse que pensava em como era o meu cheiro… pensava em outras coisas também?
Não sei se era impressão minha ou se era meu corpo reagindo, mas sua voz parecia ainda mais grave.
— Eu disse isso?
— Disse. E disse que era melhor do que imaginava.
Não sabia o que aquele sorriso significava. Ele estava debochando? Brincando com a descoberta da minha paixão platônica?
— Não foi isso que eu quis dizer… não que eu fique pensando em você, porque eu não fico — tentei soar firme, sem elevar a voz.
— Aham…
Ele parecia ainda maior, mais próximo… quase intimidador.
— O que mais você imaginava? — perguntou, o sorriso crescendo.
Aproveitei sua posição na beirada da cama e o empurrei. Ele se sentou sem resistência.
— Você tá debochando de mim? — agora era eu que o olhava de cima. Aquilo estava me cansando. O fato de ele ser tão inalcançável e, ao mesmo tempo, tão próximo me irritava. Eu sempre conseguia o que queria… e eu queria ele.
— Não… eu só não esperava.
— Quer saber o que mais eu imaginava? — falei, tirando o cobertor do colo dele, que dessa vez soltou com facilidade.
Agora era ele que parecia hesitar, como se antecipasse meu próximo movimento
Coloquei uma perna de cada lado, sentando em seu colo. Estava nervosa, desacreditada de mim mesma, mas tentando me manter firme — tão firme quanto o que eu sentia entre nós.
Levantei o olhar para ele, que respirava pesado, mantendo as mãos tensas no colchão, evitando me tocar.
Ele também me queria.
E, eu estava no controle.
Não consegui evitar um sorriso de satisfação.
Me apoiei em seus braços. Ele continuava imóvel, estudando cada movimento meu. Eu quase podia ouvir seus pensamentos — altos, conflitantes.
Me movi contra ele, arrancando uma tosse seca de sua garganta.
— Para… — disse, num reflexo, prendendo minha cintura. Suas mãos quase davam a volta em mim, como um cinto. Ele era como um cavalo indomável… e provocá-lo me divertia.
— Calma… — falei baixo, manhosa, me movendo outra vez. Ele me pressionou ainda mais.
— Quantos anos você tem?
— Já é tarde demais pra essa pergunta, Hayden — respondi, desacreditada.
Nossas respirações se misturavam, pesadas. Eu estava tão nervosa quanto ele.
Aproximei meu rosto devagar, segurando o dele entre minhas mãos, sentindo a barba rala. Seus olhos estavam baixos.
E o puxei para um beijo.
Assim que senti seus lábios nos meus, deixei escapar um som baixo, quase um suspiro. Suas sobrancelhas se juntaram, como se resistir àquilo estivesse se tornando impossível.
Seus lábios eram quentes, suaves… ainda havia hesitação, como um teste.
Ele me apertava com tanta força que começava a faltar ar.
Intensifiquei o beijo, e ele correspondeu. Assim que nossas línguas se tocaram, ele abraçou minha cintura com força, tirando todo o espaço que antes existia — agora era físico.
Gemendo contra seus lábios, eu já não me aguentava. Meu corpo reagia sem controle, e ele acompanhava cada movimento meu contra o dele, me puxando mais, me prendendo ali enquanto me engolia com a boca.
Desceu pelo meu pescoço, soltando o ar quente e pesado contra a minha pele. Eu tentava conter os gemidos, mas minha respiração denunciava tudo.
Então ele parou.
Me soltou, me olhando — vendo exatamente o estado em que eu estava, o efeito que tinha sobre mim.
Me senti vazia.
Implorei com o olhar para que ele continuasse.
Hayden puxou a barra da minha blusa e a levantou, me ajudando a tirá-la. Seu olhar percorreu meu corpo sem pressa — minha barriga, meus seios, meu pescoço… até voltar para o meu rosto.
Eu estava tão entregue que mal conseguia reagir.
Ele segurou meu cabelo, prendendo para o lado, me puxando pelos ombros e beijando minha pele com mais força, demorando ali.
Suas mãos firmes subiram pelo meu corpo, me segurando, me marcando, enquanto voltava para minha boca com um beijo ainda mais intenso.
Dessa vez não havia cuidado.
Ele me puxava com força, explorava cada reação minha, enquanto eu me perdia completamente. Minha cabeça estava confusa, pesada, tomada por ele — eu mal conseguia dizer seu nome.
Ele me deitou na cama enquanto tirava a própria roupa, sem afastar nossas bocas.
Abriu meu zíper e, sem hesitar, deslizou a mão para dentro, ainda beijando meu pescoço. Assim que seus dedos me tocaram, me contraí contra seu corpo.
Ele brincava comigo por cima da minha calcinha, me fazendo revirar os olhos… mas não era o suficiente.
Forcei minhas calças para baixo, e ele terminou de tirá-las em um único movimento, levando junto a minha calcinha.
Era para eu estar com frio… mas era impossível. Meu corpo queimava.
Com o mesmo impulso, ele voltou a me tocar entre as pernas. Assim que me sentiu, soltou vários xingamentos baixos, em um inglês quase indecifrável, se perdendo na reação que causava em mim — no quanto eu já estava pronta para ele.
Primeiro foi um dedo. Depois dois.
Afundei o rosto em seu ombro, tentando conter os sons. Ninguém podia saber o que estava acontecendo naquele quarto.
Não demorou muito.
Meu corpo cedeu contra o dele, e um som escapou mais alto do que eu pretendia. Ele reagiu rápido, levando a mesma mão à minha boca, abafando enquanto eu tremia contra ele.
— Por favor… — implorei.
— É isso que você quer?
Assenti. Não conseguia dizer mais nada.
Ele aprofundou o beijo ainda mais e, quando percebi, já estava sobre mim. Não havia espaço para respirar.
Então ele tampou minha boca novamente, já prevendo o próximo som, e me penetrou devagar, olhando nos meus olhos, que imploravam tanto quanto os dele. Mordi a palma da sua mão em resposta, e mesmo assim ele não a tirava.
A cada movimento, ele me afundava ainda mais na cama. Seu corpo pesava contra o meu, sua pele tão quente quanto a minha. Ele se enterrava em meu pescoço… e em mim.
Era grande demais, intenso demais, como se me cobrisse por inteiro. Eu o puxava contra mim, querendo mais, mais fundo. Ele respondia mordendo meus ombros, perdendo o controle aos poucos.
Os movimentos se aceleraram.
As lágrimas escorriam dos meus olhos, enquanto ele me beijava como se fôssemos amantes proibidos — e éramos. Aquilo era nosso segredo. Melhor do que tudo que eu já tinha imaginado.
Até que não aguentei mais. Tremi contra ele, sendo pressionada pelo seu corpo. Ele respondeu na mesma intensidade, me apertando com força, como se quisesse me marcar.
Quando terminamos, senti o suor unindo nossos corpos. Seu cabelo grudava na testa, e seus olhos estavam escuros.
Hayden deitou a cabeça sobre meu peito, soltando o ar como se tivesse corrido uma maratona.
Beijei sua testa, tentando acalmá-lo… mas eu estava igual.
Ficamos assim até adormecer.
Acordei no outro dia com um raio de sol no meu rosto.
Os braços de Hayden me envolviam, e dava para ver a marca da minha mordida em sua mão.
Aquilo tudo realmente tinha acontecido.
Fechei os olhos, tentando guardar cada imagem e sensação da noite passada comigo… até sentir um beijo na minha nuca, que me fez arrepiar.
— Vou descer primeiro… depois você vai — disse Hayden, entre suspiros e beijos, com a voz grave.
— Ok — respondi.
Ele se levantou, deixando o frio invadir o espaço. Se vestiu rápido e me deu mais um beijo antes de sair.
— Não quero que você vá embora.
— Então eu não vou — falei, mesmo sabendo que era impossível.
Ele saiu, me deixando no quarto, com o rosto vermelho e um sorriso de orelha a orelha.
Quando desci, todos estavam à mesa na varanda, tomando café. Dava para ouvir a voz do meu pai de longe, contando como ele e Tove passaram a noite no celeiro.
— Bom dia, minha filha — falou, me abraçando. — Eu disse que a gente ia embora antes, mas me empolguei.
— Tudo bem — respondi, olhando discretamente para Hayden do outro lado da mesa.
— Eu e o Tove estamos marcando um acampamento de pesca. Se você não se importar, Hayden disse que você pode ficar aqui, se quiser… a gente pega nossas roupas na cidade depois.
A cada palavra, eu não conseguia conter o sorriso.
Olhei para Hayden, indignada com o plano dele.
— Pode ser — foi a única coisa que disse.
Mas, por dentro, eu queria gritar.
***queria dar 45 sentadas de presente pra ele 😌😌😌
Meu traço tóxico é imaginar todos os personagens da Ali Hazelwood como o Heyden Christensen, amooo 😌😌😌
Jack Smith
Conor Harkness
Lukas Blomqvist
Adam Carlsen (esse não tem como)
Esses foram o que eu li, amo os livros dela mt gostosinho 🫀🫀🫀
Gente eu estou loucamente obcecada pelo Hayden Christensen. Eu já sou obcecada por Star Wars a décadas, mas desde o início do ano voltei a ver os filme I II e III e principalmente a série do Obi-Wan e n tem um momento que eu n estou pensando nesse homem.
A questão é: se eu fizer mais histórias com ele vcs leriam? 🥺🥺🥺
Raw.
Amiga escreve mais do Enzo te peço 🙂↕️
Nss escrevo super, ainda sou apaixonada nele. Inclusive aceito sugestões 😌😌😌
HELL
Essa seria a minha primeira exposição individual, e eu não poderia estar me sentindo mais feliz. Tanto eu quanto meu mestre e professor, que me acompanhou durante toda a minha faculdade de Artes Visuais, esperávamos por esse momento. Com muito esforço e com a ajuda dele, conseguimos selecionar minhas melhores obras produzidas ao longo de todo esse tempo, o que não foi fácil.
Eram telas trabalhosas, carregadas de conceitos e emoção, de uma sensibilidade que refletia minhas emoções e vivências durante toda a minha passagem por Nova York, que não foi simples. As obras traziam temas sociais, enfim, tudo aquilo que um artista com uma boa bagagem costuma expressar. Estava perfeito.
A exposição aconteceria à noite, em um andar de um dos prédios de Manhattan. Muitas pessoas estariam presentes: críticos, professores, figuras influentes e apreciadores de arte. Vesti minha melhor roupa e me preparei para ser o centro das atenções, algo que me afetava um pouco, mas que era necessário.
A sala já estava cheia quando cheguei. Todos observavam os detalhes das telas, conversavam entre si, comiam e bebiam os aperitivos do bufê. Meu professor me acompanhava ao lado, oferecendo apoio e me ajudando a me comunicar com todos, o que foi mais difícil do que eu imaginava.
O tempo foi passando, fiz meu discurso de agradecimento e depois fui passear entre as obras, apreciando o movimento das pessoas e as telas nas paredes, que, diga-se de passagem, haviam ficado lindas.
— Muito imaturo, não acha? Para não dizer que eu não gostei — disse uma voz grave e masculina ao meu lado.
Desacreditada, virei-me para ver quem era a pessoa com tamanha ousadia.
Christensen. Claro que era. Hayden Christensen era um professor famoso pelo temperamento na nossa faculdade. Calmo à primeira vista, mas extremamente passivo-agressivo e exigente. Dei graças a Deus por, durante todo esse tempo, não ter tido aulas com ele. A maioria sempre repetia sua matéria. História da Arte. Quem repete em História da Arte?
— Eu que fiz — falei, na tentativa de fazê-lo perceber como estava estragando a minha noite.
— Eu sei — respondeu, dessa vez olhando para mim, indiferente.
Por mais que sua reputação fosse péssima, ele era extremamente atraente, mesmo para a sua idade. Com certeza, com muita certeza mesmo, devia ter quebrado vários corações quando jovem. Seus olhos eram um azul intenso e marcante; as linhas de expressão apenas acentuavam o desenho do seu rosto. Sua boca era bonita, mas nunca o vi sorrir, a não ser para debochar de algo, como agora.
Quando ele se virou para o quadro, cerrei os olhos, encarando-o. Por fora, sustentava o incômodo; por dentro, queria continuar olhando para ele.
— Dá para ver que o desenho não está centralizado. Isso é péssimo, e eu sei que não foi proposital. Mas é normal para quem é iniciante. Só não faça isso de novo — disse, afastando-se lentamente do meu espaço e seguindo para o outro lado da sala.
Mantive meu olhar de ódio nele até que desaparecesse entre as paredes.
Meu rosto se fechou e permaneceu assim a noite toda. Levei para o lado pessoal, com certeza, mas ele não estava sendo técnico. Nenhum elogio surtia efeito; as palavras dele ressoavam na minha mente,
misturadas à sua voz grave e calma. Meu professor até estranhou, mas não disse nada.
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Depois de um mês da exposição, fui me organizando para concluir meu último semestre. Quanto à mostra, choveram elogios. Mais especificamente, conquistei uma coluna de um dos maiores críticos de arte do The New York Times:
“O grande potencial artístico está justamente nessa capacidade de sustentar a ambiguidade. Há maturidade emocional no modo como os temas são insinuados, nunca explicados.”
Li o trecho para meu professor.
— Está vendo? “Grande potencial artístico” e “maturidade emocional”. E esse nem é o único que diz isso, eles publicam algo assim quase toda semana — falei, revoltada, andando de um lado para o outro.
— Você tem que ficar feliz, são é todo mundo que consegue isso, não pode levar o que o professor Christensen diz tão a sério. Eu te falei, supera isso. Não sei por que dá tanta importância — respondeu ele.
— Ele me atacou pessoalmente — retruquei, bufando. — Vou esfregar isso na cara dele.
— Ele com certeza já leu.
— Não. Eu vou mostrar pra ele. Vou jogar isso na mesa dele e provar que a crítica dele não vale nada.
— Não? — disse meu professor, olhando para mim, sabendo que valia muito.
Sem responder, saí bufando pelos corredores, determinada a falar com o professor Christensen. Afinal, ele não era nada… e eu ia provar isso a ele.
Assim que cheguei, dava para ver seu nome gravado em uma placa de madeira na porta. Hesitei por um momento, mas bati, determinada. Queria deixar as coisas bem claras.
— Pode entrar — disse a voz grave, vibrando através da madeira da porta. A mesma voz que ousara dizer aquelas palavras para mim.
Assim que entrei, ele estava sentado atrás da mesa, provavelmente corrigindo provas. Fazia questão de usar canetas vermelhas.
— Quer alguma coisa? — perguntou, sem tirar os olhos do papel.
— Quero conversar com você — respondi, a voz falhando e minha postura mudou. Ele era imponente demais.
— Feche a porta — ordenou, e eu obedeci. Droga. — Fique à vontade.
Ele parou tudo o que estava fazendo e recostou-se na cadeira, olhando para mim com aqueles olhos
Dava para ouvir minha respiração pesada, misto de raiva e nervosismo. Minhas mãos amassavam os papéis com as críticas que, teoricamente, eu jogaria na cara dele.
— Quando quiser — disse ele, arrancando-me do transe.
Tomei coragem por um segundo e atirei os papéis sobre a mesa. Ele me observou com curiosidade por cima deles, com as rugas da testa se aprofundando.
— O que é isso?
— São críticas. Sobre mim — respondi, apoiando as mãos na cadeira.
Ele pegou os papéis e leu rapidamente.
— Aqui fala “grande potencial artístico” e “maturidade emocional” — disse, apontando para as matérias.
— Falam mesmo.
— Pois é. Acho que as suas não serviram para nada — declarei, vitoriosa e convencida.
— Mas você está aqui — respondeu.
Fechei a cara na hora.
— Sim. Quer dizer… você me ofendeu pessoalmente.
Aos poucos, minha coragem voltava, e o comportamento dele me irritava. Tudo nele me irritava.
— Foi um comentário. Só isso.
— Não. Você disse, com todas as palavras, que não gostou e chamou meu trabalho de imaturo — elevei a voz.
— Eu disse que seus erros são imaturos, não o trabalho.
— O quê? Você está distorcendo. Isso está errado. Olha as matérias! — minha voz já estava alta o suficiente para ecoar pelos corredores.
— Eu sei exatamente o que está escrito nelas — respondeu, agora ríspido. Era a primeira vez que eu ouvia sua voz nesse tom. Eu o estava irritando.
— Você nem leu. Como pode saber?
— É claro que eu li, porque fui eu que escrevi — disse, levantando-se da cadeira. — Todas elas. Faço parte dos críticos das colunas de arte de Nova York. Sei cada palavra que está escrita aí.
Ele contornou a mesa e parou à minha frente, perto o suficiente para que eu tivesse de erguer o rosto para encarar o dele. Ele era alto.
E eu estava em completo choque, muda.
— Então por que você me disse aquilo? — falei baixo, mas ele conseguiu ouvir.
— Foi só um comentário. Foi o que eu disse.
Silêncio. Eu precisava de tempo para processar tudo.
— Acho que extrapolei… levei para o lado pessoal — confessei, envergonhada. Quis enfiar o rosto em um buraco. Cobri a face com as mãos, numa tentativa falha de me esconder.
Hayden segurou meus pulsos, que cobriam quase toda a minha visão, e afastou minhas mãos. Assim que me tocou, senti um choque percorrer minha espinha.
— Você só não deveria levar tão a sério o que eu falo — disse, sorrindo. E, dessa vez, era um sorriso de verdade.
Suas mãos não se afastaram dos meus pulsos mesmo depois que baixei os braços. Movimentei-os de leve, fazendo com que o toque se prolongasse, quase como um pedido silencioso.
— Por que você se apegou tanto ao que eu disse?
— Eu levo o que você fala a sério — respondi, com um sorriso bobo escapando sem que eu percebesse.
Ele tinha cheiro de perfume amadeirado e cigarro.
— Você também escreveu que minhas obras despertam desejos cada vez mais profundos e questionáveis. Foi você, não foi? — perguntei.
Ele riu, sem graça.
— Foi — respondeu, engolindo seco.
Ele era muito bonito.
— Eu desperto desejo em você, Hayden? — disse, aproximando-me. Eu precisava dele mais perto.
Ele não se moveu. Não disse nada. Entendi como um sim.
Subi minhas mãos por seus braços e por seu dorso, empurrando-o até a cadeira atrás dele, obrigando-o a se sentar lentamente. Ele acompanhava cada movimento com atenção. Sentei em seu colo, com uma perna de cada lado. Só assim conseguia alcançar sua boca. Suas mãos apenas se apoiaram na minha cintura.
Quando me ajeitei em seu colo, senti seu corpo reagir, confirmando minha pergunta. Sorri com a resposta silenciosa. Ele estava vermelho, talvez pela primeira vez alguém o estivesse controlando.
Coloquei minhas mãos em seus ombros largos, fechando-as em torno de seu pescoço. Eu queria enforcá-lo.
Me aproximei devagar, puxando os cabelos da sua nuca, movimentando-me em busca de mais contato, fazendo-o arfar e fechar os olhos. Tentei beijá-lo, mas, assim que cheguei perto de sua boca, ele me segurou pelo meu pescoço, me interrompendo no meio do caminho.
— Não — disse num suspiro pesado, tonto. — Assim, não.
Me afastei e fiquei observando enquanto ele se recuperava lentamente, me encarando com um sorriso perverso. Dessa vez, ele se aproximou sem tirar a mão do meu pescoço e me beijou. Sem pedir espaço. Intenso, como se fosse me devorar.
Hayden me segurou pelas coxas e se levantou da cadeira, me colocando sobre a mesa, sem perder o contato do beijo. Ele beijava e mordia meu pescoço, puxando as alças da minha regata para baixo, tão rápido que eu não tinha tempo de reagir. Com uma mão em meus seios, sugava o outro com força. Conforme se movia, levava minhas roupas junto, mordendo cada pedaço da minha pele.
— Eu te odeio — falei, entre a respiração falha.
— Eu sei — respondeu, colocando minhas coxas sobre seus ombros e se afundando entre elas.
Tive que tapar a boca para não deixar escapar nenhum som. Os corredores não podiam saber o que se passava naquela sala.
Sua língua me explorava de todas as formas possíveis. Eu movia meus quadris contra ele, sentindo tudo queimar, tentando me equilibrar em cima da mesa. Pronunciava todos os palavrões que conhecia, e ele ria, sentia a vibração na minha intimidade.
Assim que cheguei ao meu ápice, ele se levantou e desabotoou o cinto rapidamente, enquanto eu tirava sua camisa. Nos beijávamos como se quiséssemos recuperar algum tempo perdido.
Apesar da pressa, ele me preencheu devagar, fazendo-me sentir cada centímetro. Eu gemia baixo contra sua boca, enquanto ele segurava minha bunda, intensificando os movimentos das estocadas. Suas mãos grandes se envolviam firmes atrás do meu pescoço, mantendo o contato visual com seus olhos profundos e intensos. Aumentava cada vez mais a intensidade, fazendo a mesa balançar. Ele afundava o rosto em meus ombros, tentando controlar a respiração.
Eu arranhava suas costas, deixando marcas, e ele urrava contra a minha pele. Senti ele explodir em mim, junto ao meu corpo, que se contraiu ao redor dele.
Ficamos parados naquela posição por um tempo, buscando o ar que antes era rarefeito. Estávamos suados, meu corpo cansado e o dele também. Hayden estava vermelho, e eu sentia minha pele corada; meu corpo inteiro formigando.
Ele afastou meus cabelos embaralhados, grudados na testa pelo suor.
— Acho que eu deveria escrever algo sobre isso também.
— Vai se foder, Hayden — falei, sorrindo.
— Na verdade, ninguém pode saber disso, senão eu sou demitido.
Olhei para ele, desafiando-o. Tudo o que aconteceu nessas últimas horas passou pela minha mente, e me lembrei do motivo de eu estar na sala dele.
— Não mesmo. Eu ainda te odeio.
Ele deu um sorriso sincero.
— Garota, você é louca — disse, e me beijou, como na primeira vez. — Vem embora comigo hoje.
Sua voz soava mais grave quando falava baixo.
— Pode ser- falei em tom de desafio
Iria fazer a vida daquele homem num inferno, com todos os pecados possiveis.
WELCOME TO MY SIDE
Para muitos, aquela era apenas uma festa de confraternização de vários magnatas de Hollywood, mas, para mim, era o momento mais luxuoso da minha vida. As risadas soavam como milhões de dólares no ar, e a bolsa de uma das mulheres presentes comprava a minha casa.
Meu agente me deu um Versace de vinte centímetros para eu não ficar tão deslocada entre eles, e me equilibrar em cima daquilo era o meu maior desafio, além do frio na pele, já que a única coisa que eu usava era um vestido de transparência turva e uma calcinha de renda. Jonny disse que eu precisava atrair a atenção dos mais ricos, porque eram eles que pagariam caro pelos meus quadros.
Aproveitei os primeiros momentos sozinha para tomar o máximo de vinho branco possível, talvez o melhor que eu já bebi na minha vida. Não demorou muito para que Jonny me segurasse pelo braço e me apresentasse a cada senhor de idade do local, que me olhava de cima a baixo, se perguntando que tipo de serviço sexual eu fazia.
— Deixa eu te apresentar para uma das futuras maiores artista plásticas da América Latina — disse Jonny, me empurrando para cumprimentar o homem à minha frente. — Esse é Jim Osborne, e esse é um de seus atores que ele agencia, Hayden Christensen — falou, se dirigindo a mim enquanto apertava a mão de cada um.
— Caramba, sou muito sua fã, adoro Star Wars — falei, e Christensen apenas acatando o elogio.
— Você é muito bonita para ser fã de Star Wars — disse o senhor Osborne, arrancando risadas de todos, aquelas que soavam como notas de dinheiro.
Enquanto eles conversavam entre si, eu olhava para Christensen. Era incrível que, depois de anos, ele continuava tão bonito, ou até mais bonito. Ele era alto, e seus olhos eram realmente bem marcantes. Seu sorriso era linear, e o cabelo era loiro, com cachos nas pontas. Sua voz era grave, falava devagar, sem pressa. Nem parecia o Anakin completamente explosivo e problemático da trilogia.
— Você devia ver, são tão diferentes, têm um pouco de surrealismo e são realmente muito sofisticados, não é? — acho que Jonny falava comigo, porque todos me olharam, inclusive Christensen, que me pegou encarando-o descaradamente. Devia ter ficado vermelha, mas consegui disfarçar.
— Claro que é, Jonny — respondi.
Depois da conversa, me senti um tanto quanto balançada e, depois de mais duas taças de vinho, um tabaco me pareceu uma ideia ótima. Fui para a área externa, e Christensen estava lá, mexendo inquieto pelos bolsos com um cigarro na boca, provavelmente em busca de um isqueiro.
Peguei o meu e estendi, já ligado, em sua direção, e ele só inclinou a cabeça para acender.
— Obrigado, eu não sei o que acontece com essas coisas, nunca param comigo.
— Ainda bem que apareci pra te socorrer — só depois que falei percebi o quão atirada soou. — Quer dizer, foi uma brincadeira — falei, disfarçando, e acendendo meu tabaco.
— Tudo bem.
Silêncio.
— Fugindo da festa?
— Com certeza — a resposta saiu como um desabafo, o que o fez rir.
— Eu também. Ócios do ofício, acho que essa é a pior parte.
— Nem me fala. Um dos caras me perguntou quanto eu cobrava, isso que acontece quando você deixa um homem de meia-idade dizer o que eu devia vestir.
— Jonny é seu empresário?
— Sim, ele tá me ajudando. Eu já sou artista, mas ele quer me inserir na alta sociedade.
— Então você tá indo bem — falou, irônico.
— Cala a boca — ri de volta. Não conseguia parar de olhar pra ele.
— E você?
— O que tem eu?
— Não conversa muito, está aqui fora… não é um deles?
— Longe disso. Meu empresário é um deles. Eu estou aqui pra marcar presença, ainda mais agora que renovei meu contrato — falou, soltando a fumaça no sereno.
— Entendo.
Sua cabeça se manteve baixa, mas os olhos erguidos em mim, fazendo as linhas de expressão da testa marcarem.
— Ei, garota! Você que veio com o Jonny, não é? — gritou um homem se aproximando e colocando a mão na minha cintura. — Jonny disse que você poderia me acompanhar hoje à noite.
— Disse? — falei em completa confusão e desespero. Não era possível que Jonny tivesse feito isso. E, se não fez, este homem era um dos donos da casa. Jonny não tinha muito poder de discordar.
— Na verdade, ela já está comigo — Christensen falou, me envolvendo com seus braços quentes e me levando pra fora.
— Me desculpe, senhor, foi um engano — falou o homem, na maior educação, com um aceno de cabeça que Christensen retribuiu.
— Que porra foi essa? — falei, sem largar Christensen assim que o homem saiu. Ele era meio que um ponto seguro no meio de tanto carnívoro.
— É a alta sociedade que você quer tanto se inserir
— Não é isso que eu quero? — falei, encostando e relaxando minhas costas num muro atrás da casa assim que nos afastamos por completo. Meu peito subia e descia rápido.
— Calma, a gente aprende a lidar com isso com o tempo.
— Obrigada — falei, ainda segurando sua mão. Seus dedos eram bem grandes comparados aos meus.
Ele olhava pra elas, pensativo. O clima tinha mudado, o ar estava mais denso. Eu não queria perder aquele pequeno toque que nos unia.
— Eu reparei você me encarando a noite toda — ele falou, ainda olhando para as nossas mãos. Abaixei a cabeça, envergonhada, como se tivesse descoberto um dos meus segredos.
— Desculpa, não foi intencional, Christensen.
— Hayden — ele falou, ainda sentindo o toque quente, sem tirar os olhos. Brincava com os meus dedos.
— Hayden — repeti pra mim mesma. Cruzei as pernas para aliviar a tensão. Aquele pequeno toque fazia meu coração disparar, a presença dele era muito forte. Seus olhos iam para o meu corpo; meus seios marcavam no vestido e ele com certeza notou.
— Quantos anos você tem?
— O suficiente.
Ele me olhou nos olhos, daquela mesma forma, por cima. Soltou o ar com um sorriso desacreditado, tirou suas mãos das minhas rápido o suficiente para eu sentir o ar frio, e passou a mão no rosto.
Me dei a liberdade de puxar seu sobretudo preto, o trazendo mais pra perto, me perdendo contra a parede, posicionando uma de suas pernas entre as minhas.
Estávamos tão perto que eu podia sentir sua respiração.
— Estou com frio.
— Para de fazer isso.
— O quê? — falei, sorrindo contra sua boca.
— Isso não é certo — ele falou, subindo o joelho entre minhas pernas, levantando meu vestido, e a única barreira entre eu e ele era o tecido da minha calcinha. Entendi seu jogo.
— Não é — falei, me pressionando contra sua perna, me fazendo arfar.
— Posso te beijar? — ele falou tão próximo que sua voz grave e lenta que vibrava em minha pele. Seu cheiro de cigarro e perfume me embriagava, a ponto de eu apenas balançar a cabeça em afirmação.
Ele beijava meu rosto devagar, pedindo espaço, até chegar à minha boca. Hayden não tinha pressa, nunca teve. Seus lábios roçavam nos meus, enquanto suas mãos descansavam na minha cintura, uma de cada lado, me empurrando contra sua perna, fazendo cada vez mais pressão.
Ele queria que eu implorasse.
— Hayden — falei baixo, entre suspiros, o que fez ele abrir um sorriso. Uma de suas mãos subiu até meu rosto e me puxou para um beijo lento. Assim que nossos lábios se tocaram, meu corpo derreteu em seu colo, fazendo ele me segurar pela cintura com a outra mão. Eu sentia seu gosto, e era bom, me envolvia no calor do seu corpo.
Movimentei minha cintura, procurando mais atrito, e ele me pressionava entre minhas pernas cada vez mais, me dando espaço para meus movimentos.
O calor que eu sentia estava ficando insuportável, minha respiração tão escassa que precisei parar o beijo para me recuperar. No meu primeiro gemido, Hayden colocou sua mão enorme tapando minha boca enquanto guiava os movimentos dos meus quadris contra sua perna, que se encontrava com o tecido úmido da minha intimidade.
Não aguentei por muito tempo. Ele mantinha aqueles olhos azuis intensos em mim enquanto meu corpo tremia contra o dele, e só soltou minha boca quando amoleci por completo, encostando na parede.
Com os olhos fechados, senti seus beijos em meu pescoço e seus dedos brincando com meus lábios. Eu ainda estava embriagada.
— Eu quero mais — disse em seu ouvido.
Ele se afastou, mas manteve os dedos onde estavam. Balançava a cabeça em negação.
— Não eu…eu não posso fazer isso.
Não consegui esconder o ponto de interrogação estampado no meu rosto.
— Isso não é certo, de verdade — falava enquanto ajeitava meu vestido.
Um misto de emoção passava pela minha mente e pelo meu corpo naquele momento.
— Ok — foi a única coisa que consegui responder.
— Ok — falou, ajeitando meu cabelo e beijando minha testa assim que terminou. — Volta pra festa, depois eu vou. Preciso me ajeitar também — disse, se referindo à mancha úmida que eu tinha deixado em sua calça, e a sua, que tinha escapado um pouco também.
Ainda sem raciocinar direito, apenas aceitei e fui andando até a porta dos fundos da casa.
— Vem cá — me puxou antes que nossas mãos se distanciassem por completo e me deu um último beijo, tão intenso quanto o primeiro. — A gente se vê lá dentro. Quero você do meu lado a noite toda.
— Tá bom — respondi, e fui, uma perna de cada vez, descompassada.
Jonny me perguntou onde eu estava, e eu disse que tinha ido fumar lá fora. Hayden apareceu logo em seguida.
Depois de um tempo, consegui recuperar a consciência e ficamos conversando o resto da noite. No final, ele apenas se despediu com um beijo no meu rosto e um “até breve” que não era só cordialidade.
A gente iria se ver de novo.
Notas:
Hayden Christensen é com toda certeza minha nova obsessão
🫀🫀🫀
Its the daddy issues in me I swear
O único dark romance que eu leria na minha vida seria uma fic do Darth Vander, pronto falei.
Só de pensar q é o Hayden todo fudido debaixo dessa masca me faz sentir coisas ô 🤫🤫🤫
thinking about dilf anakin skywalker … that’s it that’s the post
if you want to know me
Gente eu tô cheia de coisa pra fazer e mt entediada esses dias com as responsabilidades.
Se vcs estiverem vivas me mandem ideias pra escrever sobre o Enzo, mo sdd dele cara