A mente da jovem Rogers estava mais que confusa. Sua expressão demonstrava medo, aflição, preocupação, tudo em um misto enquanto observava Sharon, que para Grace, estava aparentemente calma. Sabia que sua mãe não iria querer demonstrar sua real preocupação e a assustar mais ainda, por isso, procurou focar em qualquer outra coisa e fazer o mesmo que a mais velha: ficar calma. “Mãe… Você não acha realmente que isso está sendo causado por um mutante, não é? Pode me falar a verdade… É algo muito pior que isso? Porque é o que está parecendo.” Nos olhos de sua mãe ela encontrava a paz, assim como nos braços ela encontrava toda a proteção que precisava naquele momento. “Não adianta, eu vou me preocupar, eu não quero te perder… Fiquei anos separada de você, não aguentaria isso uma segunda vez, mamãe!” Grace queria ser forte naquele momento, queria mostrar que não ia se deixar abalar e iria lutar para que tudo acabasse bem em um curto período de tempo, mas não conseguia. Tudo o que vinha em sua mente era destruição, escombros e incêndios, como há pouco mais de dez anos. As palavras de Sharon funcionavam como um leve calmante na menina, a frase repetindo em sua mente como forma de lembrá-la quem ela é. “I’m a Rogers, I’m brave.” Pensava. Seu olhar focou no objeto jogado em suas mãos, firme, observando cada detalhe da arma pequena e letal. “Eu posso tentar. Afinal, não sou só uma Rogers, também sou uma Carter.” Grace deixou um pequeno sorriso enfeitar seu rosto, olhando para a mãe como forma de agradecimento. “Eu prometo.”
◤ ✕ ° ›› Sharon Carter podia transparecer um estado de calma, mas seu interior era o contrário do que ela aparentava. Todo aquele padrão lhe lembrava muito o primeiro ataque que sofreram, quando tantos perderam tudo e ela teve sua filha tirada de si. A indagação de Grace paralisou a mais velha, que ainda se encontrava perplexa com toda aquela situação. Era evidente que enfrentavam algo grande e Sharon tinha medo das dimensões que tal confronto poderia ter. “Eu não sei, Gracie. Mas, acho que nós vamos precisar estar prontas para o que quer que seja.” A resposta não era nem um pouco satisfatória, mas era a única que podia oferecer para sua menina no momento. já que nem mesmo ela própria tinha alguma teoria do que de fato estava acontecendo. Porém, a garota merecia a verdade. “Acho que sim, é algo muito pior. Alguém muito pior. I think he’s here. I think we’re at war.” Aquelas eram palavras que nenhum pai desejava ter que dizer para suas crianças, mas no mundo em que vivia, Sharon se viu obrigada a fazer o uso de tal afirmação mais de uma vez. Com a declaração dela, não pode conter as lágrimas que começavam a deslizar por seu rosto pálido, apertando ainda mais a garota. “Você não vai! Mamãe vai ficar o tempo com você, meu amor. Eu nunca mais vou te deixar, entendeu? Mommy loves you so much, my child.” Dessa vez, se alguém tivesse a audácia de sequer encostar na garota, Sharon faria questão de mandá-lx para o inferno pessoalmente. Ninguém iria tirar-lhe sua garotinha. Entretanto, o forte estrondo que a mulher reconhecia tão bem estourou. “Você está bem? Se machucou?” Uma bomba havia explodido perto do dormitório e ela se apressou para sair do quarto, verificando se haviam feridos. “C’mmon, vamos mostrar para essas coisas que não só os garotos Rogers sabem chutar uma bunda.” Ofereceu a mão para Grace, ainda temerosa do que o futuro poderia lhes aguardar, porém, dessa vez, ela e Grace ficariam juntas até o fim.