- Não. “ Queria dizer, evitava porque já devia ter se curado a muito tempo, se fosse a alguma das reuniões que deveria ter ido desde o dia que saiu da clínica, diria que estava mentindo sempre que dizia que tinha trinta ou sessenta dias no qual não usava nada, bem, havia provado até mesmo além da maconha a alguns dias, a crise de abstinência podia ter sido pior se não tivesse evitado cair na tentação de provar algo mais forte como heroína, por exemplo. Desviou o olhar, pensar na família nunca ajudava, pois agora existia uma névoa assustadora sobre a possibilidade de sua irmã poder provar alguma das drogas que o destruiu e preferia apenas evitar que elas soubessem que nem mesmo ele foi forte o suficiente. Todos esses pensamentos fizeram o rapaz encolher os ombros, meneando a cabeça, não era uma boa ideia, por que tinha que usar o outro homem daquela forma? Que merda. - Desculpa. ” Não respondeu sobre a pizza e ignorou a lamentação dele em relação ao que sentia naquele momento, dando alguns passos para trás. - Quer saber? É melhor deixar pra lá. “ Iria pra casa, se encolher em um canto e fingir que não tinha ninguém em casa, ou apenas ficar caminhando pelas ruas até que essa sensação passasse. - Eu como alguma coisa no caminho, vou pra casa. Você não precisa fazer isso, já ajudou muito, só por ouvir. ” Sorriu, virando o corpo e dando passos na direção oposta, não sendo o lugar que deveria seguir enfim, não iria pra casa dele, não precisava saber onde ele morava, e preferia que tudo continuasse daquele jeito, onde estava com a cabeça? Colocar um completo estranho que parecia ter uma vida bem organizada e direcionada, para cuidar de si, daquela forma? Que idiota!
Isso não é bom. Passar por algo como aquilo já não era algo bom, passar sozinho, então? Cristian não queria imaginar a solidão que o outro deveria estar sentindo. O policial ou tinha contato com viciados quando eles estavam ainda entregues às drogas, ou quando eles já estavam livres disso por causa do tratamento que poderia ser oferecido quando a família tinha algum dinheiro; nunca viu alguém no meio do período de recuperação. Não sabia o que fazer mas sabia o que não fazer. E, naquele momento, com o rapaz enfrentando uma crise, era não deixá-lo sozinho. Zedekiah poderia cair de novo ao uso e talvez até para itens mais fortes ou quantidades maiores. Por isso acabou franzindo o cenho quando o ouviu pedir desculpas e não apenas isso, mas quando o rapaz se afastou, Cristian congelou por alguns segundos antes de levantar depressa. ' ——— Não, não. Ei.' apressou-se para se colocar na frente do moreno, balançando a cabeça em negação. ' ——— Na última vez eu não te conhecia e achei difícil te deixar aqui sozinho. Agora? Conhecendo um pouco você? Ou... bem, sabendo seu nome..' sorriu, tentando amenizar a situação. ' ——— ... não vou te deixar de novo dessa vez. Se você não for lá pra casa, eu vou começar a te seguir.' alertou, estreitando os olhos para ele. Poderia parecer loucura querer levar um desconhecido, um viciado para sua casa, mas Cristian sabia se defender; além do mais, o outro parecia em um péssimo estado para lhe fazer algum mal. O sono de um ônibus se aproximando o fez virar a face na direção; ele logo deu a mão ao perceber que era o seu. ' ——— Vamos, por favor? Esse é o meu ônibus, você vem e vamos comer uma pizza quentinha ou eu vou ter que te seguir seja lá pra onde for?'












