cursingamethysts:
Amethyst saía de seu transe, o sono dissipando-se; abriu os olhos com a visão turva e incerta, sentindo novamente braços a segurando, dessa vez sendo chacoalhada. Não demorou para que empurrasse quem a segurava e saísse dali, praticamente correndo até o canto do quarto e batendo contra a parede, hiperventilando. Encolheu-se contra a mesma, as lágrimas caindo em um dos piores ataques de pânico que já tivera. Colocou os braços em volta de si e escondeu o rosto por ali, finalmente ganhando mais consciência de onde estava. Ainda assim, ao tentar conter seus ânimos, alguns sussurros dizendo “não” saíam conforme seu coração batia fora de controle. Ela respirava fundo, procurando pelo ar que parecia não encher seus pulmões, e ao levantar o rosto, avistou Gabriel. Foi como se algo se quebrasse dentro dela assim que pousou os olhos nele. — Eu sinto muito. — Disse, mortificada pelo escândalo que devia ter feito.
Empurrado por Amethyst, Gabriel precisou de alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo. Observou-a correndo pela fraca luz do quarto, encolhida contra a parede como um animal acuado, sem respirar direito. Ela estava péssima. Gabriel não se lembrava de tê-la visto ruim daquela maneira; fora diferente no chalé. Lá, Amethyst estava desanimada; na ilha, a filha de Circe realmente passava por um ataque de pânico. Escutava os soluços do choro da mais nova, sentado na cama, ponderando o que faria para tentar ajudá-la. Deveria confortá-la? A primeira coisa que fizera fora empurrá-lo, afinal, e não estava muito certo de que Amethyst receberia um ombro amigo de bom grado, contudo, precisava tentar. Mais por um impulso do que pela racionalidade, o semideus levantou-se e foi em direção a ela. Abaixou-se, colocando uma das mãos hesitantes nos ombros dela. — Não foi culpa sua. — Murmurou, fitando-a de forma séria. — Se não quiser me contar o que houve, tudo bem, mas queria ajudá-la.
Amethyst encolheu-se contra a parede ao ser tocada, preocupada com Gabriel. — As lágrimas, você não pode tocar. — Disse, puxando o ar e pegando a mão que pousara sobre seu ombro, sem, no entanto, soltá-la. Tocá-lo a acalmava, lembrava que estava ali. — Foi só mais um pesadelo. Acontece o tempo todo, não tem muito o que ser feito. Obrigada por querer ajudar. — Anunciou, forçando um sorriso compassivo, ainda que continuasse a tremer. Grudou o olhar ao chão, esfregando os olhos com a mão livre. — Geralmente não é tão ruim assim, fazia tempo que eu não sonhava com ele. Mas eu não conseguia fugir, e ele me segurava, foi como se tudo acontecesse de novo. — Enclinou a cabeça contra a parede e fechou os olhos, finalmente recuperando o fôlego e sentindo uma enxaqueca começar a fazer sua cabeça latejar. — Foi a noite da maldição, mais uma vez. A mesma floresta, o mesmo menino. — Disse, voltando a fitá-lo. Gabriel parecia realmente preocupado, e embora Amethyst não gostasse de tocar no assunto, o contaria se estivesse realmente interessado. Ele merecia saber, afinal era a coisa mais próxima que tinha de um amigo, e apesar das diferenças, confiava nele. A não ser que estivesse apenas sendo bom e quisesse voltar a dormir, caso em que o deixaria em paz. — Já passou, pode voltar a dormir, eu vou pra sala.












