Edward odiava aquela situação. A culpa era sua por pensar demais; por um momento tinha tudo o que sempre quis, mas conseguiu arruinar em segundos. Não queria soar dramático, mas parecia que perder era o seu maior castigo naquela cidade. “Eu não quis te assustar, não sabia que estava saindo.” Edward tentou oferecer um sorriso, que logo se desfez quando percebeu que Cordelia não estava feliz com a enrolação que o mais velho inventou sobre a porta. Nem podia culpá-la por isso, já que Edward não estava sendo sincero o suficiente por muito tempo. Talvez fosse mesmo o melhor pra ela o manter afastado, mas Edward simplesmente não tinha força o suficiente para ficar longe dela. Ao mesmo tempo… o Chapeleiro nunca foi bom com palavras, é muito menos em pedir desculpas; Cordelia provavelmente já o conhecia bem àquela altura para estar cansada disso também. Teria que pelo menos fazer um esforço ali, mas como poderia falar a verdade se ela não tinha ciência da maldição? “Não, eu… eu queria falar com você. Sobre o que aconteceu no Halloween.” Ele começou, observando a reação alheia só pra ter certeza de que ela queria que ele explicasse algo sobre o assunto. Por um lado, desejava poder voltar no tempo para quando as coisas ainda estavam bem entre eles, mas parte de si não queria mudar o fato de que a beijou. Sim, ele estragou tudo, mas ainda tentaria consertar e tentar uma nova chance. Um suspiro de alívio escapou de si mesmo quando Cordelia sorriu com o presente e o aceitou, era um passo e talvez ela não o odiasse tanto quanto imaginou. Não era muito atualizado na tecnologia daquele mundo, mas pensou que ter Cordelia bloqueando suas ligações significava que tudo estava perdido. De novo, ele podia ser um pouco dramático. Encolheu os ombros, seguindo o olhar alheio pra baixo. “Eu sei que você provavelmente não quer me ver, mas… bem…” Mas ele ainda queria se explicar… de alguma forma sem que Cordelia achasse que ele era mais louco. Com as próximas palavras dela, acabou franzindo o cenho antes de voltar o olhar para a outra, surpreso com o convite para acompanhá-la. “Ok… eu quero.” Ele até tentou conter o sorriso que acabou se alargando em seus lábios, e tinha certeza que ela podia notar em seu olhar que Edward estava feliz de poder estar ao seu lado novamente, então não perdeu tempo ao esperar que Cordelia começasse a caminhar até o Granny’s. Enfiou as mãos nos bolsos do casaco, já voltando a sentir o vento frio de Storybrooke. “Sabe, uma amiga disse que era um mau sinal você ter me bloqueado por tanto tempo. Quase imaginei que você jogaria o presente na minha cabeça e… acho que isso seria um sinal ainda pior.” Edward voltou-se pra ela, comprimindo os lábios e sentindo seu coração falhar algumas batidas porque às vezes se pegava olhando pra ela por mais tempo que o necessário, como se inconscientemente tivesse medo de esquecer-se das feições alheias. “Senti sua falta.” Ele admitiu, suspirando por fim antes de voltar a prestar atenção no caminho. As pessoas da cidade provavelmente estavam se divertindo na Vila dos Elfos e comprando seus presentes, então as ruas estavam mais vazias. “Desculpe, eu estou falando demais hoje e você provavelmente está com fome! E eu sei quando você está com cara de quem precisa de um waffle.” Ele brincou.
Cordelia optou por não respondê-lo quando Edward disse que não sabia que ela estava saindo, apenas dando de ombros para o assunto. O fato era que havia sido pega desprevenida, pois achava que não o veria por algum tempo. Sim, era idiotice pensar isso, até porque a cidade era pequena, porém, isso não mudava o fato de que ele havia ido embora primeiro, ele havia lhe deixado primeiro. Claro que ela tinha sua parcela de culpa, principalmente por ignorar toda e qualquer tentativa de contato que vinha dele, mas quem podia culpá-la? Havia sentido seu coração partir em milhões de pedacinhos pelos dias que se seguiram, e agora ali estava Edward, enquanto ela tentava esquecer e seguir em frente, afinal, o que havia acontecido no tinha que ser um sinal, certo? Quando ele disse que queria se explicar pelo o que aconteceu no Halloween, Cordelia piscou um pouco mais forte, como se quisesse se teletransportar para qualquer outro lugar que não fosse aquele. “Não tem o que explicar, de verdade. Acho que o que aconteceu foi bem autoexplicativo.” Querendo simplesmente sair dali, a Waller fechou a porta de casa e deu os primeiros passos para fora em direção ao Granny’s e sabia que Edward lhe acompanharia já que havia feito convite e ele tinha aceitado, o que ao mesmo tempo era bom — porque mesmo com o ocorrido, a companhia alheia nunca era demais e se possível sempre queria passar mais tempo ele —, mas também era ruim, já que teriam que falar sobre o que aconteceu no Halloween, e se fosse para ser sincera consigo mesma, havia repassado aquele momento mais vezes do que queria em sua cabeça e em todas vezes gostaria de manter apenas a memória de que haviam se beijado, sem a parte em que ele parou tudo e a deixou. Cordelia parou de andar, deixando um suspiro escapar ao olhá-lo. “E não é que eu não queira te ver, ok? É só que...” Você me deixou e pelos próximos dias fiquei chorando, sem voz e com um vazio enorme porque eu não tinha você por perto. “Eu estava digerindo as coisas.” Foi o que limitou-se a dizer, voltando a andar e respirando fundo. Vez ou outra se pegava olhando para as feições alheias e apesar de saber que seu coração entrava em um completo descompasso, ao mesmo tempo também sentia uma certa leveza depois de tantos dias sentindo um peso enorme em seu peito, e logo um pequeno sorriso aparecia em seus lábios, mas não muito depois desviava seu olhar para a calçada, com medo de ser pega a qualquer momento olhando para ele. Porém, acabou rindo quando Edward disse que pensou que Cordelia jogaria o presente na cabeça dele. “Bom, definitivamente foi um mal sinal eu ter te bloqueado, então sua amiga estava certa. Mas, o presente não tem culpa de nada, então não jogaria ele na sua cabeça.” Ela o olhou, abrindo um sorriso por fim. Estava feliz por ter ele ao seu lado, feliz por simplesmente estar conversando com ele. Por dias, seus pensamentos também giraram ao redor do medo de não poder mais tê-lo ao seu lado, inclusive, sabia que pouco importava a extensão de seus sentimentos por Edward, preferia passar o resto da vida tendo que escondê-los do que ter que viver sem a presença dele. “Eu também senti sua falta. Muita.” Confessou, desviando o olhar para a calçada que andavam. Felizmente, o Granny’s não era longe e por isso ao virarem a esquina, Cordelia se deparou com a entrada do estabelecimento e logo abriu a porta. “É tão óbvio assim que tudo o que vim pensando no caminho foi um waffle com muita calda de chocolate? Achei que estava conseguindo esconder. Droga!” Cordelia entrou na brincadeira e fingiu estar frustrada, abrindo um sorriso enquanto adentrava o restaurante.