"Os elfos raramente dão conselhos imprudentes,pois o conselho é uma dádiva perigosa, mesmo dos sábios para os sábios, e tudo pode dar errado."
Pág:86

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"Os elfos raramente dão conselhos imprudentes,pois o conselho é uma dádiva perigosa, mesmo dos sábios para os sábios, e tudo pode dar errado."
Pág:86
Só mais um surto: 01*
Ela havia ido ao cemitério...
O lado oculto a chamava desesperadamente, e ela foi, sem saber o motivo, apenas seguindo o instinto.
Chegando lá, desesperada, com a loucura batendo à porta do pensamento, ela parou o carro.
E o Oculto, finalmente, mostrou a ela que o fim não existe...
Que o nada é apenas uma invenção.
Que somos apenas representantes de nossas almas.
E gritava ao redor...
Apenas siga a estrada que tu criaste
Sem medo...
E perceba que, esse sono profundo é só mais um portal.
Nada mais...
Não brinque
Por que você brinca com o tempo?
Não percebe que ele já é adulto?
Que não gosta de brincadeiras
e está sempre levando momentos?
Por que pensar que o tempo ignora sua própria natureza de eremita?
Cercado de solidão e sabedoria,
trilha caminhos silenciosos
e faz companhia ao afastamento.
O tempo suscita,
medita,
conduz
e se realiza.
J. R.
02/06/2026
A Floresta
A floresta inquieta,
com suas folhas e flores selvagens,
incendeia cada horizonte
que perpassa e atravessa
o seu unipotente.
A floresta inquieta ,
toda excitada,
lubrificada
e sensibilizada
por cada toque e aperto
que recebe e retribui.
Ela Sente,
lateja,
respira
e grita.
J.R
Enrubescendo o alvorecer,
o passo que segue ao amanhecer,
o tempo vai seguindo
e levando,
segundo por segundo,
felicidades não percebidas,
tristezas escondidas
e sonhos divididos.
Ah, esse tempo,
com seu saco cheio de passado,
furtando e levando
esse nosso precioso presente,
que não consente
em partir
eternamente.
Restando somente traços
que, guardados,
vão formando o nosso ser
ou destruindo o nosso eu,
até que é apagado,
restando somente a sombra
daquilo que um dia fomos.
Jéssica Rosa
Que vontade de consumir o universo:
as estrelas,
o sol
e o verso
de cada ser.
Que vontade de consumir o universo
e olhar para o nada,
para então perceber
que tudo
habita dentro do meu ser.
Ah,
que vontade,
que maldade latente,
essa fome
de possuir tudo
e, ao mesmo tempo,
saber
que nada se possui.
J.R
Sentidos
Caminhando e vislumbrando o céu desta manhã, lembrei-me de uma frase de um dos meus filósofos preferidos: ‘A existência precede a essência’, Sartre. Ou seja, muitos acreditam fielmente que nascemos com um propósito de vida e que devemos descobri-lo ao longo da existência. Porém, segundo Sartre, primeiro existimos; somente depois, durante toda a trajetória da vida, construímos quem somos e aquilo que desejamos ser, e isso, de forma incontável....
Nosso propósito, portanto, não nasce pronto. Ele é moldado pelas experiências, pelas escolhas, pelo contexto social e pelos diversos fatores que vamos vivenciando, observando, consumindo e repudiando. E além disso, dependendo do nível de autocriticidade que o sujeito vai obtendo, o fator de ser moldado diante das massas... é ainda mais forte, mas isso é outro assunto...
Tudo aquilo que você faz contribui para a sua construção enquanto indivíduo, e essa liberdade possui um certo peso, justamente porque não viemos ao mundo com um manual pronto.
Segundo Sartre, somos condenados à liberdade: cada escolha carrega responsabilidade, e é através dela que moldamos nossa essência. Assim, viver é um constante processo de criação de si mesmo, em meio às incertezas, aos erros e às possibilidades que a existência oferece.
Assim, nessa bela manhã, com o Sol surgindo, ao espantar a frieza e a racionalidade dos meus pensamentos, chego à conclusão de que:
• Não há um destino previamente definido;
• Não existe uma “receita” universal para viver;
• Somos responsáveis por nossas escolhas e pela construção de quem nos tornamos....
Portanto, nascemos sem um propósito fixo. É ao longo da vida, por meio de nossas escolhas, experiências e ações que criamos sentido para a nossa própria existência. E o pior, se esse sentido que criamos ao longo da nossa jornada , não fizer mais sentido, iremos simplesmente criar outros sentidos... É, afinal, um sentido, atrás de outro sentido... Um ciclo de sentidos...afinal....
J.R
De Zack Magiezi
Livro: Estranherismo
De Charles Bukowski.
Livro: Maldito Deus arrancando esses poemas de minha cabeça.
Estamos todos tentando aprender como viver.
Escadas...
Descendo as escadas
que vão se derretendo
a cada passo.
Descendo as escadas
que, à frente,
nunca parecem ter fim.
A cada descida,
os degraus se derretem
como algodão-doce
ao tocar no céu
da boca...
Cada degrau se dissolve
sob meus passos,
que, lentamente —
ou depressa demais —
se recusam a parar.
Pois o tempo,
com seu chicote invisível,
insiste que eu desça...
E sigo,
descendo
e dissolvendo,
como algodão-doce,
sumindo,
pairando,
deixando
somente a essência
daquilo que ficou para trás.
até que reste apenas
o gosto breve
de ter existido entre os degraus.
J.R
A cegueira
Vagando pelas sombras da minha mente,
entre as ameaças das tempestades,
olho para todos os lados…
O que eu vejo?
O que eu quero ver?
É isso?
Senão aquilo…
Que o meu olhar cegue
aquilo que meu eu tanto almeja ver.
Mas a minha cegueira,
meus delírios,
minhas paranoias,
encarregam-se de esfumaçar
toda a realidade
que insisto em viver.
Mas resisto...
Sigo...
E vou adiante
daquilo que encarrego em crer.
J.R
Poema baseado em meus pesadelos
O merecido descanso
Saindo do conforto de sua casa, ela abre a porta para a saída e se depara com o nevoeiro: triste, denso e misterioso. Mesmo assim, decide seguir em frente e enfrentar os próprios medos.
Caminha sem conseguir enxergar com clareza o próprio corpo e nem ao seu redor, como se estivesse distante de si mesma, perdida em sua própria perspectiva.
No caminho, encontra uma casa estranha. De dentro dela vinha uma música alta, desconhecida e incômoda. Ainda assim, decide entrar. Afinal, durante todo o trajeto, o nevoeiro não lhe permitira ver nada — nem mesmo a si própria —, mas, curiosamente, permitira que enxergasse aquela casa. Por quê?
Ao entrar, encontra uma linda mulher sentada sobre uma pedra, convidando-a a entrar ali. O lugar parecia uma floresta viva: havia terra úmida, folhas espalhadas, árvores altas e várias pessoas deitadas em camas improvisadas, segurando taças de vinho enquanto conversavam entre si.
No entanto, ninguém realmente escutava ninguém. Apenas falavam, falavam e falavam, como se as palavras fossem usadas para jorrarrem dores que ninguém queria encarar em silêncio.
Enquanto caminhava por aquele ambiente estranho e acolhedor, sentia crescer dentro de si uma necessidade intensa de despertar de uma realidade que estava vivenciando , como se tudo ao redor fosse apenas uma extensão de seus próprios conflitos internos.
Ao caminhar entre aquelas camas vazias, ela finalmente compreende que sua hora havia chegado. Precisava descansar. Precisava apenas deitar-se, observar o céu acima das árvores, sentir o silêncio da natureza e permitir que toda a tristeza, raiva e angústia acumuladas ao longo da vida fossem embora.
Durante anos, tentou desesperadamente tornar-se alguém melhor, alguém digno de aceitação e paz. Lutou contra si mesma, moldou-se às expectativas, carregou pesos invisíveis e feridas silenciosas. Porém, no fim, percebeu com amargura que nunca conseguira alcançar aquilo que tanto buscava: a sensação de pertencimento e felicidade durante toda sua vida.
Ali, naquele estranho refúgio entre o sonho e a realidade, restava apenas o cansaço de uma alma que havia suportado demais, e finalmente, deitou e descansou.
J.R
A cada centímetro seu,
sinto o meu fôlego
se perder e crescer.
A sua respiração,
que entra e sai
misturada às emoções
que transbordam
por todo o meu ser.
O seu olhar,
que me devora
antes mesmo
do toque,
já me satisfaz.
E, a cada instante
em que te vislumbro,
eu vibro.
No encontro do seu toque,
meu corpo estremece
até o fim.
J.R
O seu ar invade o meu ser,
e eu sinto…
Sinto até demais.
O seu olhar não apenas me vê —
ele me atravessa,
me despe sem pressa,
me toca,
me consome.
Já estou inteira para você
em cada instante,
antes mesmo do toque,
do gesto,
antes até
do silêncio
que carrega
tudo o que existe entre nós.