A frio da noite não fora o bastante para fazer Lucy desistir daquele baile na Mansão Gray, na verdade, estar neste lugar era o que lhe provocava ainda mais a vontade de comparecer a tal evento, mais ainda depois que @damnedjohn lhe fizera o convite para o mesmo. Lucy havia o reencontrado a pouco e mentiria se dissesse que não havia ficando nenhum pouco tocada com a presença alheia. Lembrava-se dos momentos que passaram juntos e sempre os guardou com carinho, mas Lucy não imaginava que iria vê-lo outra vez e a surpresa de reencontrá-lo era no mínimo animadora.
O vestido branco fora ajustado em seu corpo antes de sair de casa, para que ficasse o mais perfeito possível quando o trajasse. A máscara, o presente de seu pai, era uma claramente uma joia que deveria ter custado caro, os adornos em ouro brilhavam quando Lucy a movimentava, com certeza não seria uma peça que passaria em vão e, mesmo que usasse apenas isso de mais valioso, tinha certeza que deveria ser um dos acessórios mais caros da festa. Teve a ajuda de Laura para se arrumar, Lucy a agradeceu imensamente já que adorava ter tudo bem feito nos mínimos detalhes e Laura tinha bom gosto para tal, era feliz por tê-la convidado para morar em sua casa, afinal teria uma companhia familiar sem ser as empregadas de sua mãe. Elinor havia decretado que a prima lhe acompanhasse no baile pois não seria de bom tom que Lucy fosse vista sozinha com John, entretanto, a filha sabia muito bem como enrolar a mãe nesses casos e, por mais que nunca houvesse feito nada ‘desrespeitoso’ antes, não gostava de deixar a menina como sua sombra o tempo todo, deveria ser tão desconfortável para Laura quanto para Lucy, desta forma, Laura sabia que não precisava ficar com ela o tempo todo.
A troca de palavras durante o percurso até a mansão de Dorian fora bem curta, Lucy não conseguia deixar a timidez de canto ao estar com os dois dentro da carruagem, mesmo sentido-se a vontade com ambos separadamente, Westenra preferiu guardar as prosas para o baile em si. Não demoraram a chegar para a felicidade de Lucy, que fez questão de avisar Laura para que aproveitasse o evento sem ela, até que finalmente pode ficar mais a vontade com John.
“A decoração está impecável, não acha?” emitiu um riso baixo enquanto se via deslumbrada com a visão que tinha do local do baile. “Devo dizer que é um dos lugares mais bonitos que já estive, fico feliz que tenha me convidado. Provavelmente teria que vir com meu pai e não sei se seria tão divertido.” desviou os olhos para seu acompanhante, lhe direcionando um sorriso quase que atrevido com o canto dos lábios.
As últimas viradas de ano de John não haviam significado tanto quanto deveriam. Distante da família, amigos e de significantes paixões, suas viagens poderiam sim guiá-lo a lugares mágicos e aventuras magníficas, mas também significavam uma vida solitária, cheia de rasoura, sem grandes vínculos com as pessoas que perpassavam seu caminho.
Talvez fosse o único momento do ano em que se sentia paralisado, olhando para os lados completamente perdido, sem rumo, enquanto que pessoas abraçavam e beijavam umas às outras. A melancolia era inevitável e escruciante. Mas, se fechava em si mesmo, engolia a sensação ruim, colocava um sorriso no rosto e agradecia por estar vivo.
Neste ano, no entanto, criou uma expectativa irradiante em seu subconsciente, crendo, à sua maneira, que as coisas seriam diferentes. Quando Wendy sugeriu um terno novo, aceitou a ajuda. Quando se viu diante de mais de um perfume, não escolheu qualquer um, insensatamente. A máscara preta, sobretudo, era simples, mas dotada de sua própria elegância.
Foi à casa de Lucy e nem mesmo a presença da prima da moça, Laura, parecia capaz de lhe trazer incômodo. Conheceu o patriarca da família e teve uma conversa seca com ele, o que lhe ocasionou certa euforia, mas se manteve intransigente e pacífico. Tinha conhecimento que o sobrenome Seward não era exatamente bem visto pela sociedade londrina e temia que Sr. Westenra optasse por impedir o relacionamento dos dois.
Quando Lucy desceu pelas escadarias, em um vestido branco, imaculado, que revelava muito mais que ele jamais teria visto dela, suas maçãs do rosto enrubesceram imediatamente, fazendo-o se sentir febril, com a garganta seca, o coração batendo muito forte abaixo da camisa branquíssima. Como nas outras noites de ano novo, estava paralisado e sorridente, ainda que a sensação fosse outra, bem mais iluminada.
Sr. Westenra deixou os dois a sós, como John havia pediu mais cedo naquela mesma noite. Ele ergueu uma das mãos para ajudá-la a descer do último degrau, depois soltou os dedos da moça tão somente para alcançar o interior de seu terno, tirando do bolso um medalhão espesso e dourado, com pedras azuis e vermelhas incrustadas. Havia o conseguido em uma viagem feita há um ano atrás e optou por presentear a moça com ele.
Seguiram para o Baile na Mansão em Essex de Dorian Gray, os três em uma carruagem confortável e espaçosa. Teve a oportunidade de conhecer Laura e perceber que talvez ela não seria companhia desagradável ao restante de sua noite.
Dentro do Baile, após cumprimentarem o anfitrião, John virou-se para Lucy, que conversava com ele: - Concordo integralmente, apesar de que não me surpreenda o bom gosto de Dorian. Seja para ambientes, seja para pessoas. Se não fosse tão educado, não teria o cumprimentado esta noite. Não com você ao meu lado. - Riu, fazendo uma careta de falso medo, talvez porque tivesse noção do quanto Dorian poderia ser sedutor. Lucy não duraria um dia nas mãos dele. - Ela não vai me impedir de dançar ao menos uma vez com você, vai? - Perguntou, olhando para Laura depressa e depois para Lucy, encarando-a, louco para valsar com ela. @lucywestenr4