What's going on in that beautiful mind @Hathorne
Primeiras impressões enganam, pensou. Daniel era uma pessoa completamente diferente do que ela acreditava que era. Egocêntrico, metido, com complexo de superioridade – resumindo, um péssimo partido. Mas lá estava ele, elogiando-na e sendo a pessoa mais doce que ela poderia esperar. – Obrigada – Thorne sorriu de volta, e por um momento, se perdeu em seu rosto. O sorriso dela a aquecia, tão aberto, como se não sorrisse fazia tempos. Cassie se sentira envergonhada pelo fato do garoto ter passado tanto tempo observando seus olhos, mas com tanta coisa passando por sua cabeça, ela não tivera tempo de olhar os deles adequadamente. Eram castanhos escuros e a primeira coisa que passou por sua cabeça era de que eram o tipo em que você se afoga. Não como águas cristalinas, o azul ou o verde, mas como a lama que te prende e faz com que seja difícil de ser mover. Paralisante. Estranhamente bonitos.
Teve de sacudir a cabeça levemente para sair do transe e torceu para que Daniel não tivesse percebido nada. Ela riu para disfarçar, mas também riu do tom desesperador que o garoto usara – como se Hogsmead fosse sua última esperança. Cassie se sentiu ligeiramente lisongeada de que fora a escolhida para passar as únicas horas prazerosas para ele em sua companhia.
Foi pega de surpresa pela mão dele sobre a sua, então pigarreou de um modo nada discreto, o que acabou não sendo uma boa maneira de disfarce como gostaria. Ela sorriu envergonhada. - Espero que não, Daniel, se não você terá que me recompensar. – disse, sorrindo com a leve lembrança de que Daniel prometera a mesma coisa no primeiro encontro; de ser uma agradável companhia. Esperava que dessa vez o desfecho não fosse o mesmo. Naturalmente, Daniel não hesitou em aceitar seu convite e isso trouxe-lhe um pouco de ânimo. Ficara feliz por não ter de andar no castelo à noite sozinha. Ela deu de ombros, com um sorriso malicioso na pontas dos lábios. - Eu te aviso – responde, o tom misterioso proposital. – Agora vá embora e me deixe ler! - ela brinca, expulsando-no com a mão – A não ser que você queira me acompanhar. – e para isso já tinha a resposta.
Daniel estava acostumado a causar uma boa impressão nas garotas, normalmente não precisava de nada além de sua aparência. Cassie havia sido uma das poucas, senão a única, que o havia tirado de sua zona de conforto. Hathaway não fazia a menor ideia do que isso significava, muito menos sabia se era bom ou ruim, mas o fato era que não conseguia tirá-la da cabeça. Não conseguia parar de pensar em qual era a real tonalidade dos olhos delas, e no quão macia deveria ser sua pele. Durante algumas semanas aqueles pensamentos insistentes o assustaram bastante, mas agora, ali à frente da garota ele teve quase certeza que investir nela era a melhor coisa que poderia fazer. Possivelmente Cassie era a melhor coisa que já tinha acontecido em sua vida.
O sorriso estava de novo em seus lábios, era tão fácil conversar com ela, até mesmo se esforçava para arranjar assunto, algo que não fazia com frequência. – Prometo que você não vai se arrepender, mas caso isso aconteça, não se preocupe, você será bem recompensada. – piscou gentilmente para a garota. Um leve pânico se apoderou de si, Daniel gostava de demonstrar confiança em absolutamente tudo o que fazia, e era verdade que quase ninguém sabia se divertir tão bem quanto. Mas Cassie era tão absurdamente diferente dele, que o rapaz tinha receio de que sua ideia de diversão não fosse nem de longe satisfazê-la.
Apesar de preferir passar o dia inteiro com a cara nos livros a se levantar de sua cadeira, Hathaway sabia reconhecer quando era sua hora de se retirar. O garoto jogou as mãos para cima em um gesto falsamente ofendido, em seguida levantou-se e caminhou até Cassie. – Ok, sei reconhecer quando estou sendo expulso. – sorriu. Uma ideia lhe passou por sua mente, talvez não fosse o momento certo, mas Daniel nunca se importou muito em seguir regras, e sua impulsividade era basicamente sua característica mais marcante. Se curvou ligeiramente em direção a Cassie, e beijou de forma suave sua testa. O cheiro que desprendia dos cabelos dela era inebriante, e incrivelmente bom. Ele provavelmente não esqueceria aquele cheiro tão cedo, e muito menos o fato de seus pelos terem se arrepiados com um gesto tão singelo. Engoliu em seco, e em seguida sorriu novamente. – A gente se vê Cassie, você sabe onde me encontrar. – piscou para ela antes de se virar em direção ao que imaginava ser a saída da biblioteca. Pensou que por aquela garota ele não seria resistente a muitas outras visitas a biblioteca.













