Aniversário de Briorville. Beth e Nathan.
O plano para a noite era tão simples! Como Perdita tinha estragado tudo aquilo que estava em sua cabeça? Tinha bebido demais para estar apresentável para qualquer possibilidade de estágio em uma das agências. Beth não tinha preferências, só queria um futuro brilhante para si mesma. Era pedir demais?
Estava a beira das lágrimas quando se deparou prestando atenção em algumas das mesas a sua esquerda. Haviam ali homens de terno preto com gravatas elegantes e barbas cheias, feitas para a ocasião. E mulheres com vestidos gloriosos, nada comparado ao simples que Perdita vestia. “Eles devem ser importantes”, pensou. Sua intuição não precisava pronunciar a palavra na mente, mas ela sabia que eram agentes da Spectre. O jeito como o sotaque inglês se acentuava e as conversas fluíam, um tanto desconfiadas e políticas demais... Por mais que fossem discretos, negar seria estupidez. Além disso, havia uma clara separação ali, cada um dos lados do jardim fora estrategicamente posicionado para servir as duas agências e evitar conflitos; Perdita sabia disto pois havia reparado que o centro do espaço reservado para as mesas estava vazio ou ocupado por estudantes.
Com a noite já estava se deleitando sob céu, Perdita concordou consigo mesma que deveria se esforçar para contatar alguém. Ao menos uma pessoa; que fosse a pessoa certa. Apesar de que, se estragasse tudo, a ruína seria a sua única chance, não sabia o que esperar. Teria que obter sucesso através de um único contato. Não gostaria de chamar a atenção dezenas de vezes, conversando com as pessoas sem importância das agências ou confundindo-as, isso certamente a arruinaria.
Ao se aproximar das mesas, andando como uma mulher e não como aluna, Perdita se posicionou para vê-los mais de perto, estrategicamente. Num gesto rápido, passou o olhar sob todos dali: Um homem de gravata torta, azul, não combinando com o terno; provavelmente solteiro e agente, ele não precisaria impressionar ninguém nesta noite. Outra: mulher, aproximadamente 30 anos, unhas feitas, com ar de perfeita harmonia: não, provavelmente não era ela quem estava a procura. Esta deveria ser apenas mulher de algum dos homens na festa. A senhora em seu lado esquerdo usava um lenço amarrado no pulso; já vira aquele lenço, estava sempre no bolso frontal do terno de David Yark. Com um golpe de sorte, aquela poderia ser sua mãe. Homem, cabelos loiros e recém aparados, havia um corte fino com sangue seco em seu pescoço, provavelmente novo na empresa... Foi então que seus olhos ligeiros se depararam com um homem de cabelos castanhos e íris azuis, terno ajustado na medida, mas usado outras vezes, havia uma pequena mancha clara no tecido, próximo da manga. Os fios do cabelo estavam arrumados, mas arrumados com pressa, como se ele não fosse cobrado pelas aparências. O ar de desconfiança olhando para o lado o delatara também.
“Agente. Spectre.” Sua cabeça murmurou, quase instintivamente.
- Senhor? - Perdita baixou os olhos para o homem e fez uma leve referência cordial com a cabeça. - Podemos conversar? Sou Perdita Cassis, estudante de Briorville.