the mind is not a book,
to be opened at will
and examined at leisure.
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𓂃 * RESUMO DA ÓPERA𓃊 Primeiro filho que vive às custas da fantasia dos pais. Seguidor de regras que também as quebra quando bem convém. Aventureiro, sangue livre, mas pouca proficiência em tomar tal liberdade para si de vez. Soft nerdy, bookstan. Deveria ser diplomático, mas geralmente resolve seus problemas em apostas das quais vira mundos para ganhar, e na última delas quase perdeu um olho. para deixar de ser tonto! Intrometido, mas rancoroso sim, fofoqueiro não. Estranho e extremamente singelo em suas palavras, ainda que carregue consigo simpatia para compensar o egocentrismo.
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001. INFORMAÇÕES OOC
lia, 26, ela/dela, geralmente fico online durante a noite pela semana, mas aos finais de semana sou ausente (curtir a vidinha off né alsdkmalskd).
002. INFORMAÇÕES IC
Nome e sobrenome do personagem escolhido: Davey Gudgeon
Principais pontos da personalidade:
CURIOSIDADE, INTROMISSÃO, AMBIÇÃO -- Davey cresceu em um ambiente de conhecimento, pois, sua família sempre se rodeou de livros e pergaminhos. Fato era que quando mais novo, o menino prometia contemplar uma das maiores bibliotecas mágicas de Londres, quiçá do mundo! O aprendizado sempre o acompanhou, mas sua ambição e curiosidade o levaram a ser um tanto quanto intrometido naquilo que não lhe era direito (que não remetia aos estudos, pois isso ele tratava de ser também o maior pé-no-saco, às vezes). Portanto, mesmo carregando um livro aqui e ali junto de seu semblante impassível, não é, nem de longe, uma pessoa a quem se deva confiar algum segredo ou mesmo desconfiar que ele já não saiba - porque, provavelmente, já sabe! Ou não, também... Ainda por cima, Davey é um bom seguidor de regras, capaz de igualmente desprezar certas atitudes que descumpram as mesmas (exceto as suas próprias, que, é claro, sempre têm um fundamento!).
QUIETUDE, SIMPATIA, SABEDORIA -- Não é nada bobo, apesar dos trejeitos calmos e simples. Ele é bem de vida, sempre foi, e um de seus maiores pontos fortes é a sociabilidade. É promissor na arte do sorriso, da gentileza, do aperto de mão, da boa educação ao apanhar algo caído, de um apoio amigo caso necessário, e nunca, jamais, tem intenções de ferir alguém. Tudo que faz e fez é unicamente para suprir sua curiosidade, e, apesar de ser um ponto negativo no seu caso, isso já lhe rendeu também boa ajuda na hora de prestar sua benevolência a terceiros. Davey é bom, tem um bom coração, e é tudo que importa acima dos defeitos, por mais irritante que possa parecer na maioria das vezes.
Curiosidades:
Ele é o mais velho de poucos irmãos, tendo sido sempre ensinado a carregar um sutil fardo das correntes que os próprios pais lhe prenderam, e que ele até hoje não sabe como desvencilhar. Apesar de tudo, ama o que faz, talvez por não ter opinião própria ainda, e certamente isso é algo que irá mudar conforme o tempo for passando. Não é provável que alguém que sempre teve as opções escolhidas por outrem, permaneça da forma que é.
Aventura, conhecimento, destino... Tudo isso permeia a cabeça do Gudgeon, simplesmente por saber que o mundo é muito mais do que o que ele vê. Esse traço de liberdade ele foi criando conforme as regras de seus pais foram sendo reavaliadas em sua mente, e por isso ele tende a ser muito insistente nas coisas que deseja saber.
É muito determinado e competitivo, isso é fato, tanto para o estudo quanto para a aventura. Por conta disso é que o fatídico incidente com o Salgueiro Lutador lhe fez ponderar por pouco tempo. Não foi o suficiente, no entanto, para lhe parar.
Sua teimosia geralmente lhe leva a lugares que ele não espera. Como um considerado “nerd”, Davey já topou certas situações que não lhe eram convenientes, mas que podiam amaciar seu ego caso fosse bem sucedido. O fato é que dentro de si habita uma necessidade estupenda de se mostrar e exibir para qualquer um. Seu desejo é ser olhado por todos (pais, irmãos, colegas, professores...) com orgulho, por isso que se justifica cada regra que quebra em prol do seu egocentrismo.
Banda favorita: Bee Gees
Bicho-papão: A escuridão, simbolizando uma vida sem flashes, sem reconhecimento, sem lembrança de quem ele poderia ser.
Espelho de ojesed: Sendo fotografado na escadaria de sua recém-inaugurada biblioteca mágica, com pergaminhos e livros voadores atrás dele se auto-organizando nas estantes quilométricas; com um bom terno trajado e um sorriso simples, porém, muito orgulhoso e cheio de sua vitória.
Clubes e atividades extracurriculares: Clube de Feitiços e do Slug e Adivinhação, Runas Antigas e Estudos Espectrais.
A corvina poderia dizer que já foi a imensos eventos. Mas nada daquele género. Nada que pudesse saltar, gritar e 3 dias seguidos de apenas música e diversão. “Se quiser, eu trouxe um..” Claro que Hestia Jones não ia a lado nenhum sem o seu livro. E na bolsa que trazia, que estava magicamente transformada, tinha alguns se o amigo quisesse ler. Ela colocou o braço dentro e retirou para demonstrar “O que lhe apetece ler?” Arqueou a sobrancelha, era só ele pedir que ela daria “Nunca escutei ela. Mas estou adorando, já até decorei dancinha para mais tarde dançar sem parar.”
“Mentira?!” Fez uma careta assim que virou subitamente para olhá-la. Era inacreditável! Davey abriu um sorriso de ponta a ponta e riu. “Não sei... Na verdade, foi um modo de falar. Acho que é bem melhor se a gente aproveitasse, não?” Fez uma careta. Logo ele, o Gudgeon, que tanto gostava de estudar estava declinando uma oferta de ler. No entanto, com a barulheira era praticamente impossível se concentrarem, e também não deixaria Hestia de lado só para ler algum livro que ela tivesse. “Me diz, o que mais você tem dentro da sua bolsa? Comida de graça, talvez? Eu também decorei a dança, mas... sou péssimo em dançar. Não acho que tenho coordenação motora pra isso. Não é como lançar um feitiço na aula de Duelos, sabe?! Mas, infelizmente, vou ter que aprender em algum momento. Quando tivermos o baile vamos precisar saber.”
“Mentira?!” Fez uma careta assim que virou subitamente para olhá-la. Era inacreditável! Davey abriu um sorriso de ponta a ponta e riu. “Não sei... Na verdade, foi um modo de falar. Acho que é bem melhor se a gente aproveitasse, não?” Fez uma careta. Logo ele, o Gudgeon, que tanto gostava de estudar estava declinando uma oferta de ler. No entanto, com a barulheira era praticamente impossível se concentrarem, e também não deixaria Hestia de lado só para ler algum livro que ela tivesse. “Me diz, o que mais você tem dentro da sua bolsa? Comida de graça, talvez? Eu também decorei a dança, mas... sou péssimo em dançar. Não acho que tenho coordenação motora pra isso. Não é como lançar um feitiço na aula de Duelos, sabe?! Mas, infelizmente, vou ter que aprender em algum momento. Quando tivermos o baile vamos precisar saber.”
O show de Taylor Switch era o mais aguardado pela bruxa. Enquanto havia um sorriso de orelha a orelha em seu rosto que não era gerado por conta de suas plantas, a jovem bruxa, pulava no próprio lugar para ver se conseguia enxergar um pouco da cantora favorita. Por mais que Taylor fosse alta, a multidão de pessoas reunidas estava tapando toda sua visão. Fazendo com que ficasse bem difícil para a Catchlove assistir.
Pensou em subir em seus caixotes da sua bancada, mas não iria conseguir pegar e voltar a tempo sem perder. Taylor Switch havia sido seus hinos, e uma forte razão para não desistir de seus sonhos. Sempre cozinhava ou fazia seus chás aos sons da bruxa, e tudo que ela queria agora era uma boa visão daquele show. Resmungou odiando ser tão baixinha. Uma figura mais alta se fez na sua visão, e Greta abriu um sorriso.
"Dav, Dav, Dav. Please, please, please. Eu faço tudo o que você quiser, mas me ajuda a assistir. Eu prometo que sou levinha, e eu vou te dar tudo que você quiser. Toda comida, toda bebida. Tudo pelo resto da vida, mas me ajuda assitir o show da Taylor." Fez o maior bico que conseguiu para convencer o outro a lhe ajudar.
Poucos artistas faziam o tipo de som que Davey gostava de escutar, mas Taylor Switch era definitivamente uma das mais aguardadas do dia. Ele sabia que suas músicas eram bem grudentas e até sabia alguns refrãos, mas não era de cantar a letra toda. Sua vibe era bem mais calma e menos pop, e certamente as eras mais antigas da Taylor o agradavam mais. No entanto, estava aproveitando as músicas recentes e aprendendo, quando fora tirado de seus devaneios com o desespero alheio próximo a si. Virou o rosto rapidamente e parou para analisar as feições de Greta, sem compreender porque tamanho alvoroço, até que se inclinou na direção da mesma e a escutou, sorrindo em seguida. "Você em miniatura realmente fica difícil de ver." Se permitiu brincar com a outra já que já se conheciam e Greta não parecia ser do tipo que se afetava tanto por algo. Então, quando a mesma concluiu sua justificativa, Davey procurou se abaixar um pouco a fim de oferecer o joelho para que a outra pudesse pegar impulso e então subir nas costas dele, lhe dando também a mão para tal ação. "Não sei se vai adiantar muita coisa pra você, mas vamos ver se te aguento também."
witchella, dia dois, durante o somzão da dua limax.
com: @hestinhajones
Aproveitar o evento era algo novo para Davey, que nunca havia se permitido sair da linha que fora traçada por seus pais. Agora, ele se encontrava em um momento único de sua vida, aproveitando tudo, e, é claro, na presença dos amigos isso tudo sempre melhorava ainda mais. Hestia era alguém com quem sempre teve proximidade por diversos motivos, um em especial por serem tão apegados aos livros. “Essa é a primeira vez que não trago uma mochila nos ombros. E nada pra ler também, que estranho.” Olhou na mesma hora para a Jones, fazendo uma careta. Em seguida, bebeu um pouco da cerveja amanteigada. “E nunca também ouvi uma música da Dua Limax. Você conhece ela? Talvez eu até escutei, mas não sei ela toda, só o refrão... eu acho.”
... Eu não sei como realmente me sentir com essa prova de amor. Fico preocupado com isso... Não seria masoquismo da sua parte? I mean, a gente pode apenas enfeitiçar uma bila com desenho de olho de gato. Eu não me importaria de enxergar só com um, afinal, se Merlin decidiu que o destino me retiraria um olho, então é porque realmente não era pra eu enxergar com o par que tenho. Já escapei uma vez, se escapasse duas seria muito conveniente.
DIA UM,
um marco positivo ou negativo sobre Davey Gudgeon na sua infância.
FLASHBACK DE ALGUNS ANOS ATRÁS, NOS PRIMEIROS ANOS DE ENSINO EM HOGWARTS.
O cheiro dos livros preenchia as narinas do Gudgeon, que estava muito bem sentado no gramado de frente para o castelo. Vários colegas passavam de cá para lá, mas o barulho nunca perturbou ele de forma alguma. Era sempre tão concentrado na leitura, desde cedo, que chegava a ser uma habilidade especial o fato de sua audição se desligar do mundo ao redor. Era só silêncio quando as páginas lotadas de letrinhas se montavam em palavras na sua cabeça, contando uma história, um fato. Davey amava aquilo, amava sua rotina, mas, é claro, tudo teve um quê por trás para o amante de livros e existiam pouquíssimas coisas que o tirassem do transe.
Uma delas tinha sido resinificada bem antes de entrar em Hogwarts. Seu pai era um homem grotesco com relação às responsabilidades dos filhos. Ele, por ser mais velho, nunca teve a liberdade esperada, e seguia as diretrizes de seu superior com afinco, pois, caso saísse da linha, seria imperdoável. Precisava manter o nome da família intacto para que, eventualmente, fosse uma família reconhecida, respeitada, notória. Era tudo sobre sucesso, mas, para Davey não era nada além de uma prisão. O fato de ter que cumprir com tarefas era excessivamente relembrado, só que toda essa lição tinha um fundo competitivo. Davey precisava ser o melhor da turma, o mais inteligente, o sabe-tudo, o mais mais! Por quê? Bem, se Dumbledore via que ele se destacava, certamente o acolheria debaixo da asa. Haveria um propósito futuro para si, bem-sucedido, e era exatamente o que o patriarca Gudgeon desejava para si - não para seu filho.
Então, quando era desafiado ou quando se sentia meramente ameaçado, Davey recorria a uma competição. Não importava o que era, ele dava um jeito de fazer e vencer. Perder não era uma opção, nunca foi, por isso sua mentalidade era tão distorcida com a questão sobre falhas.
Naquele dia em questão, o fatídico dia, o moreno esguio estava quieto, pacífico, e fora tirado de sua leitura quando uma turma de colegas se aproximou dele com vozes altas, impossíveis de serem ignoradas - especialmente porque eram referidas à si. “Hey! Davey, não é?!” Fez que sim com a cabeça quando fora questionado, e parecia confuso sobre a aparição repentina. “Você quer fazer uma coisa legal? Estamos precisando de mais um participante e disseram que você é um dos mais inteligentes da nossa sala, então...” Não deixou de achar gratificante aquilo. Ser reconhecido de tal forma fez um sorriso abrir de ponta a ponta, mostrando os dentes amarelados. Davey estava deslumbrado. “Sim!” Rapidamente deixou o livro dentro da bolsa, fechando-a com pressa e se erguendo da grama. O Gudgeon era alto e pouco corcunda; o fato de ser minimamente maior que seus colegas o fazia se sentir superior de alguma forma, mas não deixava que aquele pensamento subisse à cabeça. Era algo apenas a ser lembrado. “Do que precisam? Sei fazer bons contra-feitiços, fui até elogiado por Minerva.” O que era parcialmente mentira, pois, na realidade, ela tinha elogiado a boa pronúncia dele, e apenas isso. Uma única vez. O falatório e risos começaram após o dito, fazendo-o encher a pompa rapidamente. “Nós só precisamos que você acompanhe a gente, ‘tá?” E, por fim, uma afirmação com a cabeça para fazê-los puxarem Davey para dentro do grupinho.
Era difícil para ele se sentir incluído de alguma forma; era muito chato e picky na maioria das vezes, ninguém suportava o bastante. Mas, infelizmente, era fruto de um ensino rígido dentro de casa e da pressão que ele sentia por sempre ser perfeito e sabichão.
De todo modo, passados alguns minutos deles andando até fora do castelo, pouco distante ainda nas dependências de Hogwarts, chegaram perto de uma leve inclinação que jazia plantado um Salgueiro. Ele tinha poucas folhas, se mexia vez ou outra para afastar passarinhos de pousarem em seus galhos, e era enorme. Davey nunca tinha visto de perto o Salgueiro, mas quando os risos e cochichos pararam e o tal garoto que havia lhe convidado voltou a falar, sua atenção foi para este imediatamente. “A brincadeira é a seguinte: você tem que tocar o Salgueiro e o Bulstrode vai te dar uma Nymbus de presente se conseguir.” Na época, as vassouras de corrida tinham acabado de serem inauguradas e embora Davey nem fosse um membro do time de Quadribol, era vantajoso ter algo tão caro em sua coleção. Dessa forma, ele soltou o ar por entre os lábios, fez um movimento com a cabeça e encolheu os ombros brevemente antes de falar: “Moleza.” O que, em suma, não exibia sequer um traço do nervosismo que estava sentindo.
A vontade de sempre estar por cima era instintiva em Davey, por isso que competir e ser o melhor sempre fora seu objetivo enquanto em Hogwarts. Mesmo que não fosse algo de necessidade para si, parecia ser muito fácil. Fácil até demais... No entanto, estava com a varinha em mãos para caso precisasse se defender, mas não achava que o Salgueiro lhe atacaria se ele fosse relativamente calmo... certo?
Esses pensamentos foi que guiaram seus passos seguintes até ir se aproximando da árvore, lenta e pacientemente, ela nem mexia um galho, sequer uma folha; talvez as coisas estivessem correndo bem. Talvez, na realidade, fosse um taboo exagerado sobre o Salgueiro ser tão violento, afinal, ele nunca nem viu alguém ser machucado pelo mesmo, portanto não deveria ser verdadeiro tudo que diziam.
Assim, Davey deu um outro passo, e mais um, e no seguinte pressionou um galho caído com o pé, quebrando-o. O estalo foi alto devido o silêncio ambiente. Nem o vento nas folhas fazia tanto barulho.
Foi em questão de segundos tudo, mas pareceram minutos.
No que o menino olhou para cima, respirou fundo e viu a movimentação sutil do Salgueiro levando seus galhos para trás, não teve tempo nem de correr. Já estava próximo o suficiente para receber uma bofetada muito bem energizada quando os galhos voaram para frente outra vez, e giraram na órbita das raízes em que estavam plantados. Esse giro fez com que o corpo de Davey fosse arremessado para o lado e deslizasse pela grama, agora parcialmente distante do Salgueiro.
A comoção foi rápida. Suspiros altos foram ouvidos e os cochichos de antes voltaram menos discretos, além da aproximação dos colegas para onde Davey fora atirado. O baque forte fez com que ele ficasse ao chão, chorando, mas, conseguia sentir a pressão que fora empregada no golpe em seu rosto, lascando alguns arranhões por sua face e, em especial, na região de seu olho esquerdo. Sangue também podia ser claramente visto das feridas, que praticamente cegavam-no, além do globo ocular dele estar afetado pelas veias vermelhas, pequenos vasos sanguíneos se aglomerando devido o trauma. Talvez, se não fosse pela mão que ele colocou bem na hora para suavizar aquele impacto, não estivesse agora choramingando por simples arranhões e uma mão que ardia de dor.
Aquilo que deveria ser uma brincadeira engraçada, havia se tornado um problema, e não muito depois de ser ajudado para ir a enfermaria imediatamente devido o sangue que perdia, ainda permaneceu por mais alguns dias na ala até que as feridas estivessem minimamente saradas.
[ . . . ]
Anos mais tarde, na palma a marca de uma linha de cicatriz e no rosto um olho mais baixo que o outro, além de pequenos riscos nas extremidades - mínimos e quase imperceptíveis. O trauma que se deu na região não foi meramente físico, mas emocional. Desde então, Davey quis se permitir ser mais flexível com relação ao que lhe fora ensinado.
Será mesmo que ele precisava sempre provar aos outros que era bom em tudo?
Pensou nas palavras ingenuas de Davey. Ele? Conquistar o afeto de alguém? Tirando seus pais que eram obrigados a amá-lo ele não esperava conquistar o afeto de ninguém. Seus olhos cercaram o outro e até mesmo soltou um suspiro ao notar a simplicidade dele. Deveria ser fácil estar sempre acreditando no "copo mais cheio". Infelizmente, Benjy era cético demais para aquele tipo de comportamento. Desde cedo ele via o mundo da maneira mais cruel possível. Seus pais eram "traídores de sangue" segundos seus "amigos". Principalmente quando a "linhagem" Fenwick "se misturou". Ele ainda sentia o gosto amargo das pessoas o julgando por conta de sua ascendencia. Benjy queria mais que todos os parentes fossem embora. Seria o responsável por mostrar para todos o poder que ele teria e todas as mudanças que faria. "Não acho muito provável. Eu o chuto para fora todas às vezes. E se não o faço, ele sabe que eu o quero o mais longe possível. Eu só queria que ele me deixasse um pouco em paz." Não era tão verdade assim. Para alguém com poucos afetos ou proximidade em seu amâgo a presença de Angel era sempre bem aceita, ele só não gostava de admitir.
"Você ainda se sente azarado? Sabe que há inúmeros contra feitiços, posso até tentar lançar alguns se quiser."
A propensão de Davey assustar-se com a explicativa de Benjy era gigantesca, especialmente depois de ver como o próprio reagia fisicamente - sem muita emoção conquanto ao animal. Talvez, apenas não fosse da índole dele ter qualquer bicho, mas, como bom curioso, também pensava se não tinha algo mais por detrás dos motivos. De toda forma, fez uma careta antes de aprofundar. "E você não gosta dele? Não gosta do bichano? Ele parece tão... fofo." Felpudo, inofensivo e afins, seriam ótimos adjetivos para expressar o que pensava. "Ah! Não, tudo bem. Eu acho que não foi bem azar, foi modo de dizer. Seria bom se a questão fosse só essa, porque aí sim eu poderia ter evitado qualquer problema. Sou muito bom em contra feitiços, sabe." Embora a faceta demonstrasse pouco crédito para o que dizia, era claro o egocentrismo tomando conta das falas. Davey era bem difícil de se conversar se puxasse para esse lado toda vida - e não era raro que isso acontecesse. "Creio que tenha sido só um infortúnio do momento. Talvez, simplesmente devesse acontecer. Você acredita que ações trazem consequências, não é? Destino."
Dizer que Ophelia era decidida com as coisas, seria ser boazinha com as maneiras que ela arrumava para fazer as coisas que queria. Ophelia era doida, isso sim. Mas dentro de suas loucuras, ela ainda tinha leves momentos de lucidez, e por isso, naquele momento, ela estava andando tranquilamente por Hogwarts transformada em Davey Gudgeon, um velho conhecido. Mas você se pergunta: como isso é ser lúcido? Bem, pelo menos ela não havia tentando ir direto para a torre da Corvinal! O desejo de Ophelia era entrar no Salão Comunal de todas as casas, e como teste, queria ver se conseguia se passar pelo amigo, para fazer isso mais facilmente. Pelo menos, não custava tentar né? Estava distraída caminhando tentando encontrar alguns corvinos, para ver se o disfarce daria certo quando ouviu a voz e virou-se. “ - Oi, não… - ”
Primeiro de tudo que fez foi deixar o queixo cair da pressão imposta no maxilar após a fala, quando deu de cara com a outra pessoa à sua frente. Ele. Sim, ele mesmo! O próprio! Será que aquilo era um espelho ou ele estava tendo um pesadelo e iria ter que duelar com seu eu do mal agora? Não, não tem como ser... Era real demais para isso; real demais para um sonho lúcido, sequer que fosse. “Ei, espera aí. Você... eu-” Se aproximou imediatamente, tensão e tudo. Só que foi nesse momento que ouviu a própria voz - afinada e os cabelos caindo pelos ombros. Ora, que tipo de sonho era aquele que era tão bizarro? “De todos os sonhos mais estranhos que já tive com significado, esse é o mais confuso.” Comentou por fim em um tom até que calmo para alguém que estava mais do que perdido. “Acho que é um tipo de teste mental. O que eu tenho que fazer pra quebrar esse transe? E, aliás, por que sou uma garota e não eu mesmo? Que teste estranho...”
No momento em que Lily Evans não apareceu na biblioteca no horário combinado Dorcas suspeitou que alguma coisa tinha acontecido com a amiga, afinal de contas a ruiva era uma das pessoas mais pontuais que a bruxa conhecia e isso sem falar que ela o tipo de pessoa que sempre honrava com seus compromissos. Por isso a grifana não pensou duas vezes antes de sair para procurar a amiga; os estudos teriam que ficar para mais tarde, pois sua prioridade no momento era encontrar Lils e ver se a amiga estava precisando de alguma coisa. “Daisy”, chamou a aluna da Hufflepuff que estava no sexto ano. “Por acaso você viu a Lily por aí? Tínhamos combinado de fazer o trabalho de Defesa Contra as Artes das Trevas juntas, mas ela não apareceu na biblioteca…” perguntou.
“A Evans? Well, a reunião do Clube do Slug acabou há meia hora, mas quem sabe ela ainda não está por lá. Você sabe como ela é uma das alunas favoritas do Slug, então é provável que ela esteja agarrada em alguma conversa com o professor Slug”.
Doe abriu um sorriso diante da resposta da Daisy Hookum. Embora a garota fosse mais jovem e elas não fossem tão próximas, era inegável o jeito doce e educado da jovem. “Muito obrigada!”, disse e logo se afastou da estudante em passos apressados. Quando chegou perto da sala onde ocorriam as reuniões do Clube do Slug, Meadowes encontrou Lily Evans no local como tinham lhe dito, mas ela não estava conversando com o professor e, sendo bem sincera, estava com uma expressão um pouco estranha. “Boa tarde para você também, Lils”, respondeu. “Na verdade, eu que deveria estar te fazendo essa pergunta. Está tudo bem com você? Fiquei plantada na biblioteca te esperando e depois revirei o castelo te procurando. Aconteceu algo? Por acaso o aquele seboso do Snape foi babaca com você novamente?”
Lils?, pensou rapidamente com uma careta feia expressa em seu semblante. Sequer conseguiu conter a face, e quanto mais a morena falava, menos Davey entendia. Era algum tipo de pegadinha, talvez? Embora ele tirasse o juízo da Evans, não era como se fosse assim tão parecido com ela. Eles só eram inteligentes e muito chegados no professor Slughorn, nada além disso. Podia ser capaz até de considerá-la uma amiga, se assim podia dizer, mas não alguém a ser confundido com. Quando Dorcas não parecia estar brincando ou tirando uma com sua cara, Davey resolveu então se pronunciar, e antes que uma letra saísse de sua garganta por seus lábios, o ato de erguer a mão para apontar para ela o deixou confuso quando, imediatamente, pode ver mãos femininas no lugar das suas. Mãos nada calejadas, suaves. Então, os olhos arregalaram. “O que é isso? O que é isso? Por que eu ‘tô assim? Não sou eu! Eu não sou eu!” Repetiu aumentando o tom de voz gradativamente. O medo expresso em seu rosto era nítido, mas, então, a voz da razão fez-se presente. “Ah, era só o que faltava! Eu acho que tomei poção polissuco. Então não era suco suco mesmo, bem que senti um gostinho diferente...” Ponderou por generosos dois segundos antes de se tocar que a outra ficaria tão confusa quanto ele. “Sinto muito, Meadowes. Não sou a Lily, mas com certeza alguém é fã dela porque, bem... eu me transformei nela. Sou eu, Davey.” Tomou para si que qualquer um no castelo o conhecia pelo menos de vista, tal como ele também a conhecia de vista. “E também não a vi. Ela saiu faz alguns minutos do encontro, só fiquei por aqui por... costume. Na verdade confesso que estou procurando uma coisa, mas não quero passar essa vergonha na sua frente, então- É, ela não está por aqui. Será que não te avisou sobre o encontro com Slughorn? Ele tem dessas de alugar a atenção dela mesmo.”
Até mesmo os cérebros mais gigantes da história cometeram alguma falha em algum momento de suas vidas, sendo, portanto, não uma burrice da parte de Davey quando tomou aquele suco sem saber que na realidade era polissuco. E pior de tudo: ele sabia o gosto que diferenciava um do outro, mas, o que uma pessoa sem plena noção do que está fazendo, concentrada unicamente em um pergaminho que achara sobre passagem de informações à público, faria senão ignorar detalhes tão bobos como aquele?! Davey estava em seu direito de cometer aquela falha, lógico, e talvez por isso mesmo que ficou tão tranquilo encostado em uma das colunas. O breve desconforto sentido durante um período mínimo de tempo foi estranho, mas não foi suficiente para acordá-lo de seu transe ou sequer fazê-lo notar que estava idêntico a outra pessoa que não ele mesmo... Caos acompanhava aquele garoto onde quer que fosse, era fato. Somente a aproximação alheia que lhe fez emergir e sorrir educadamente enquanto perguntava: “Oi. O que foi, precisa de algo?”