I'm just the same as I was || @Dorald
Eu disse. Eu disse que ficaria a festa toda sentada em um banco comendo alguma coisa e pensando “quero ir embora”. Mas eu não podia ir embora, quer dizer, eu não queria. Lá no fundo, eu esperava por algo. Mesmo sem saber ainda o que eu tanto esperava, eu não conseguia sair de lá. E depois de um tempo ficou claro o que eu esperava: o Duck. Parte de mim não queria vê-lo, mas a outra parte queria esperar apenas pra dar uma olhadinha, de longe, matar um pouco a saudade… Qual é Dorys? Você vai mesmo ficar se maltratando desse jeito? Vai, vamos embora logo antes que o Duck chegue. Não quero ver ele. Isso, não quero. Mas sempre que eu pensava assim, me distraia com alguma coisa meio que de propósito e voltava pra situação inicial. Ai, como eu sou tonta. Pra que ver ele? Pra ficar com mais saudade e ter mais vontade de ir até lá abraça-lo enquanto eu não posso? Mas não importa o quanto eu pense nesse tipo de coisa, sou teimosa mesmo, eu ia esperar. E fala sério, um baile é pra se divertir e não pra ficar pensando nessas coisas com essa cara de boba.
Depois de muito tédio, decidi ir embora. Talvez ele nem viesse, talvez também estivesse se escondendo de mim… talvez, talvez. Me levantei e tentei contornar as pessoas que estavam se engolindo na pista de dança. Quando estava finalmente chegando perto da porta, meus olhos se encontraram com dois olhos azuis, os mais bonitos da face da Terra, os olhos que eu senti tanta saudade, aqueles inesquecíveis… os de Duck. Exclamei, sem querer, um palavrão mentalmente. Fiquei sem reação por um instante. - O-obrigada- Agradeci o elogio quase sem voz.— Podemos conversar? Tipo, lá fora? — Agora não tinha mais como fugir. Ta vendo? Era por isso que eu não queria vê-lo. Eu não queria conversar. Ou queria? Por um momento pensei em sair correndo, mas meus pés não se moviam, eu estava praticamente petrificada. - Tudo bem- sorri fraco. Senti um aperto no coração, um frio na barriga. Eu estava com medo, medo de qualquer coisa que ele pudesse me dizer. E se não fossem as coisas que eu imaginava todo dia antes de dormir? E se ele quisesse logo por um fim nessa situação constrangedora, porque ele não me ama mais? Andei atrás de Duck até a saída para o lado de fora do salão de festas. Tinham poucas pessoas lá, o que eu achei um alívio. -Então…- perguntei apreensiva.
Duckie não pode conter um sorriso leve quando Dorys aceitou conversar com ele. Pensou em pegar na mão dela, mas talvez isso fosse forçar demais a barra no momento, deveria esperar mais um pouco até fazer coisas assim. Ele a acompanhou até o lado de fora do salão e quando estavam um tanto afastados do baile, ele parou de frente á garota. Suspirou bem fundo e então começou. — Dorys…— Começou meio nervoso — olha, eu sei que eu não fui exatamente eu essa semana. Quer dizer, eu era eu, mas eu fiz coisas que eu nunca faria e eu queria pedir desculpas. — Falou tropeçando nas palavras. — Eu sei que o que eu fiz foi errado e que você ficou muito triste. E saiba que não foi só você, eu também fiquei desapontado comigo mesmo, tipo, muito mesmo. Você não merecia nada disso. Você é minha princesa, minha peixinha e eu não queria deixar você pra baixo, eu não queria ver você magoada. Eu te amo, Dorys, e só quero te ver bem. Nem que isso signifique que seja longe de mim. Que eu não quero, quer dizer, eu quero passar o resto da minha vida com você porque você é quem eu amo de verdade. Só você. Isso tudo só me fez perceber o quanto eu amo você e não consigo ficar longe de ti. Tu é tudo pra mim Dorys. Tudo mesmo. — Duckie estava de longe nervoso. Suas palavras haviam sido totalmente verdadeiras.
Com um novo suspiro, o menino puxou o violão das costas e olhou para a menina. — Eu não sei exatamente me expressar com palavras, mas eu acho que essa música diz mais ou menos o que eu quero dizer. — Explicou para a menina.
O patinho começou á tocar. Dedilhava as cordas de acordo como a música era.
So this is what you meant? when you said that you were spent. And now it’s time to build from the bottom of the pit right to the top. Don’t look back. Packing my bags and giving the academy a rain-check
Cantava lidamente. Olhava diretamente para Dorys, queria saber todas as suas reações.
I don’t ever want to let you down, I don’t ever want to leave this town, ‘cause after all, this city never sleeps at night…
It’s time to begin, isn’t it, I get a little bit bigger. But then, I’ll admit, I’m just the same as I was. Oh don’t you understand, I’m never changing who I am
Mordeu o lábio e respirou fundo antes de continuar. Abaixou o olhar para o violão e então começou á cantar novamente.
So this is where you fell, And I am left to sell Your path to heaven runs through miles of clouded hell, right to The top Don’t look back Turning to rags and give the commodities a rain-check I don’t ever want to let you down I don’t ever want to leave this town ‘cause after all This city never sleeps at night…
Repetiu o refrão duas vezes. Olhava para Dorys á cada duas palavras ou menos. A música escolhida, It’s Time, falava apenas uma pequena parte de tudo o que ele queria dizer, a outra ele teria que explicar depois, e não era com palavras.
This road never looked so lonely, This house doesn’t burn down slowly, To ashes, to ashes
It’s time to begin, isn’t it, I get a little bit Bigger, but then, I’ll admit, I’m just the same as I was Now don’t you understand That I’m never changing who I am
It’s time to begin, isn’t it, I get a little bit Bigger, but then, I’ll admit, I’m just the same as I was Don’t you understand, That I’m never changing who I am
Parou de tocar, a música havia chegado ao fim. Por algum motivo, meio desconhecido por ele, seus olhos estavam lacrimejados. — Peixinha, o que eu quero dizer é que: não importa a coisa que eu faça, eu sempre vou ser esse mesmo bobo apaixonado por você. Esse bebê de 17 anos que não sabe nada de nada, mas que adoraria descobrir tudo ao seu lado. E só do seu. — Falou mordendo o lábio.
Duckie colocou o violão no chão, e se aproximou mais de sua peixinha. — Dorys Blue, eu te amo. De verdade. — Deu um sorriso. O irlandês passou a mão no rosto da amada, e um movimento rápido a puxou pela cintura e lhe deu um beijo nos lábios. Um beijo demorado, apaixonado e cheio de saudades. Ficou um tempinho assim e então a soltou, ainda meio incerto, ela poderia lhe dar um tapa ou qualquer coisa assim. — Você ainda me quer de voltar? Se não, pode dar um tapa. — Falou brincalhão olhando para sua menina.












