Analogia 1
Eu sempre procuro meios de explicar como algumas situações funcionam, nem sempre de forma objetiva, mas sempre de forma simples e clara. E pensando esses dias em relacionamentos não recíprocos, supus que a vida era uma mesa e já que a palavra recíproco me lembrava recipiente, imaginei que pessoas eram como copos e a água era como o amor. Percebi que há copos baixos, rasos, quase vazios e mesmo cheios, teriam pouca água devido ao seu tamanho; há copos médios que estão até cheios mas, nunca até a borda, são suficientes e tem medo de sempre sobrar água, que ao alguém esbarrar pode cair na mesa e inundar a casa, e há, por fim, copos grandes que apesar do tamanho, ainda assim, transbordam por não se sentirem suficientes. Quando pessoas tem quantias diferentes em copos de tamanhos diferentes, uma sempre receberá mais que a outra, e não por egoísmo, mas porque cada um dá somente a quantia que tem. Quando uma pessoa rasa se relaciona com uma pessoa que transborda, ela se sente perdida, pois nunca recebeu mais água do que seu copo cabia. Acaba não sabendo lidar com a água que cai e normalmente se sente cheia demais. Em compensação, a que transborda, se sente tão vazia por ter recebido pouco, que acaba completando o espaço que sobrou consigo mesma, criando a falsa ilusão de completude, quando na verdade, preencheu seu vazio sozinha. E as médias? Ah, essas são apenas suficientes, medíocres. Se contentam com seu próprio tamanho e dimensão. Não deixam faltar, mas também não surpreendem. Não querem mais, nem menos. Querem sempre a mesma quantia. E na mesa da vida, nunca escolhemos o copo em que vamos beber, porque geralmente só queremos matar nossa sede. E em meio a goles desesperados, comparamos tamanhos de copos e nos sentimos frustrados pela quantia que queríamos ter ganho perante a quantia que de fato recebemos. O problema nem sempre é a água ou o copo do outro, mas sim o tamanho do nosso recipiente e a quantia que estamos dispostos a dar em troca de nossa sede. Hoje, de rasa, me basta as poças que sujam a barra da minha calça e de suficiente me basta o que visto e como. Se você não se sente suficiente para quem te foi raso, saiba: de fato você não foi, você foi mais! Copos rasos não suportam grandes quantias. Não diminua sua água para se encaixar em quem é pequeno, escolha um recipiente que o suporte e o aceite em exagero. Como diria minha mãe: antes sobrar, que faltar. Não seja menos. Seja mais que suficiente. Transborde!
Bárbara (27-10-2017)













