Dedalus Eoghan Diggle. 7th. Hufflepuff. Half-Blood.
“Good people are like candles, they burn themselves up to give others light.”
Talvez não exista família mais ordinária e comum do que os Diggle. Originários da Irlanda, o fato de serem uma família antiga não os torna influentes ou grandiosos. Na verdade, tratar os Diggle com desdém e deboche é um hábito antigo da sociedade mágica formada pelos clãs mais respeitados, afinal, eles não passam de uma família numerosa e humilde demais que parece não saber se preferem conviver entre os bruxos ou entre os trouxas. Um desperdício de sangue mágico, eles diriam.
Com as unhas sujas de terra, altos demais e olhos cor de safira como principal herança genética, há gerações a família reside em Dingle, num rancho não muito longe dos precipícios onde o mar bate contra as rochas. Eles possuem o sal do mar na pele, o tronco das densas florestas irlandesas em sua espinha e a simplicidade de pessoas que não contam com muitas posses além da propriedade que está na família há séculos, a velha casa de fazenda que viu Diggles nascerem e morrerem. É no rancho que criam ovelhas, cavalos, vacas, galinhas e gansos, que plantam trigo e cevada e que, apesar da situação financeira não muito favorável, é onde toda a família se reúne ao som de banjos, tambores e flautas para assar peixes na fogueira e beber cerveja artesanal, porque o que os Diggle não tem de dinheiro, certamente tem de alegria.
Dedalus nasceu durante o outono quando os tons cálidos tomavam conta da paisagem em volta do rancho. Talvez isso fosse um sinal de como aquele pequeno menino de cabelos claros seria no futuro, warm como as folhas alaranjadas. Mesmo sendo o décimo filho de Desmond e Moira Diggle, o menino foi nomeado em homenagem ao seu avô paterno que havia morrido semanas antes de seu nascimento, um bruxo conhecido nas redondezas por ser um homem honesto e ter uma mente inventiva para resolver problemas. Seu nome significa curioso e astuto e tais características lhe caiam como uma luva.
Como o mais novo de uma enorme família, Ded sempre teve que se esforçar para conquistar seu espaço. Ficar com o último pedaço de bife, não ter sobremesa suficiente para que ele tivesse um pedaço e brincar sozinho nas plantações de trigo porque seus irmãos mais velhos haviam ido visitar a vila era algo muito comum para ele. Não é como se fosse uma criança gulosa e egoísta que desejava para si os melhores pedaços de comida e demandasse atenção a todo tempo, não. Na verdade, Ded não desejava tais coisas porque nunca soube como era tê-las. Apesar de se sentir perfeitamente confortável em preferir ficar na companhia do pai ajudando-o nos afazeres da fazenda ou passar o tempo livre no curral dos cavalos, o menino sempre se perguntou como seria se sentir bem recebido e lembrado. Ele sabia que seus pais, irmãos, tios e primos o amavam e desejavam o melhor para ele, mas era impossível não se sentir perdido e deslocado, como se fosse mais um em uma família grande demais.
Por ter passado tanto tempo na companhia do pai, sua habilidade com a terra e os animais acabou se desenvolvendo desde cedo. Os cavalos preferiam Dedalus quando estavam sendo adestrados, os gansos o seguiam por toda parte e as ovelhas eram mais suscetíveis a serem tosquiadas pelas mãos dele. Gostava da natureza, do cheiro da chuva molhando a terra, da sensação da vegetação em seus joelhos, de sentir os dedos se espalharem pelo solo, de ouvir o som da água do mar se chocando contra as pedras no penhasco, da sensação de tranquilidade que sentia quando pescava. Era como se os ventos fortes de Dingle estivessem em harmonia com o sangue que pulsava em suas veias e o coração que batia em seu peito e ele amava aquele lugar acima de tudo.
Sua primeira manifestação de magia aconteceu durante uma das muitas tempestades que assolam o litoral irlandês. O trigo havia sido colhido e empilhado no quintal e assim que as primeiras trovoadas anunciaram a chuva, Dedalus correu em direção aos montes de trigo para evitar que todo o trabalho de uma semana com o pai e os irmãos fosse desperdiçado e molhado pela água. Quando as primeiras gotas de chuva caíram do céu cinzento, era como se uma redoma invisível protegesse a colheita, algo que aparentemente não tinha explicação mas que foi rapidamente associado a Dedalus, que havia sido o primeiro a chegar ao local. Semanas após o seu aniversário de onze anos, a carta de Hogwarts serviu apenas para confirmar o sangue mágico que corria em suas veias.
Com os livros e material escolar já usado por seus irmãos, visto que dinheiro não era algo que a família Diggle podia se dar ao luxo de desperdiçar, e com roupas costuradas por sua mãe no malão, Dedalus Diggle partiu para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts com um entusiasmo contagiante. Para ele, aquela era a sua oportunidade de conquistar algo para si, de trilhar o seu próprio caminho sem que vivesse a sombra dos irmãos e irmãs mais velhos, uma aventura que ele mal via a hora de iniciar. Na cerimônia de seleção, apesar de estar ansioso com o resultado, o que mais se lembra é da forma que sentiu pois mal conseguiu comer durante a viagem por estar ocupado demais fazendo novos amigos. Por isso, não se lembra exatamente das palavras que o Chapéu Seletor sussurrou em sua mente, mas jamais irá esquecer do quão alto ele gritou “Hufflepuff!” para que todo o salão principal pudesse ouvir.
O chapéu falante não podia estar mais correto, A casa do texugo era o seu lar.
Durante as primeiras semanas de aula, apesar de mostrar-se um garoto que trabalhava duro, sua facilidade para se distrair foi rapidamente notada. Para Dedalus, era muito difícil se concentrar durante uma aula inteira sem que começasse a incomodar os colegas que se sentavam ao seu redor por mexer demais as pernas ou batucar na carteira sem perceber. Muitas coisas eram capazes de desviar sua atenção: a cor do cabelo da garota de gravata carmim, os padrões na madeira da sua mesa, o efeito que a luz do sol provocava quando atingia as janelas de vitral colorido, a exuberante pena tinteiro do colega ao lado… Isso refletiu em suas notas, que não eram as melhores de seu ano. Além disso, era muito comum que ele esquecesse das coisas, como se vivesse desconectado ou com a cabeça nas nuvens, algo que se tornou motivo de brincadeiras entre os seus amigos e que até mesmo o próprio Dedalus achava engraçado no começo, mas que tornou-se algo preocupante quando esse hábito persistiu ao longo dos anos. Quando o garoto se esforçava para guardar algo na memória e se lembrar de coisas importantes que precisava fazer como, por exemplo, um trabalho para entregar, Dedalus se tornava tão hiper concentrado em uma determinada coisa que acabava negligenciando todas as outras.
Foi exatamente nessa época que começou a contar com o auxílio de pergaminhos que faziam vezes de lembretes.
“Lembrar de levar o trabalho de Poções na quarta feira”, “Treino de quadribol no sábado de manhã”, “Responder corujas de casa até o final da semana”, “Passeio em Hogsmeade com Mary no fim de samana”. De repente, lembretes como esses se tornaram extremamente comuns em sua vida. Não mais limitados a uma agenda pessoal, logo eles estavam espalhados pelo seu criado mudo, nos dosséis de sua cama e na parede do dormitório. Ded também se esforçou para manter suas notas num nível aceitável, mas matérias teóricas nunca foram o seu forte e eram aulas como Trato das Criaturas Mágicas e Feitiços que o faziam suportar a semana. Então, em seu quinto ano, quando já estava cansado do seu histórico de tarefas e projetos pessoais abandonados, Diggle procurou ajuda do Healer de Hogwarts e, depois de algumas perguntas e avaliações, entendeu qual era o seu problema. Ele tinha déficit de atenção e distúrbio de hiperatividade.
As poções receitadas para ele ajudaram, mas não resolveram completamente o seu problema. Dedalus consegue perceber exatamente quando elas começam a fazer ou perder o seu efeito e, quando está sob influência delas, elas anestesiam as necessidades básicas de seu organismo e ele as vezes se esquece de comer. Então Diggle aprendeu que precisava aprender a lidar com o seu problema antes de qualquer coisa.
Em seu sétimo e último ano na Escola de Magia, o rapaz está atualmente tentando trabalhar para melhorar suas notas para conseguir ao menos se formar, porque para pensar em uma futura carreira, ele precisa aumentar suas notas primeiro. Dividindo-se entre o time de quadribol, uma de suas paixões, e a equipe de Gobstone, Diggle luta diariamente contra a sua condição mas, principalmente, em mostrar que ela não é capaz de dominá-lo, que ele é muito mais do que o pobre rapaz que não consegue tirar notas boas e que, ao contrário do que pensam aqueles que não o conhecem, ele não é estúpido.
É um rapaz carismático, gentil e uma companhia genuinamente agradável e divertida. Gosta de fazer seus amigos mais próximos sorrirem e de saber que estão bem, do contrário, a tristeza dos outros pode muito bem ser absorvida por ele. Ded é simpático, alegre, extrovertido, dono de um caráter admirável, tem elevado bom senso e grande percepção e conhecimento social, como se tivesse a habilidade de sentir quando alguma coisa está errada ou quando alguém próximo a ele não está bem, uma espécie de profunda ligação emocional com aqueles que são importantes para a sua vida. É extremamente protetor e dedicado aos seus amigos e familiares e coloca o bem estar deles em primeiro lugar, muitas vezes esquecendo-se de si mesmo em alguns momentos pois, para Dedalus, se eles estão sorrindo, isso será suficiente.
Dinâmico, inquieto e elétrico desde criança, é o tipo de pessoa que sempre procura algo novo para fazer e que se entedia com muita facilidade de tarefas muito maçantes. O fato de ter déficit de atenção e distúrbio de hiperatividade só agravam ainda mais tais características e tornam para ele hábitos comuns como estudar e prestar atenção nas aulas algo muito mais difícil. Contudo, é seu trabalho duro (uma das características que o colocou na casa do texugo) em lidar com os próprios problemas e superar essas adversidades que mais se destacam no rapaz. Ded não se lamenta de sua situação ou se apoia nela para contar vantagem, colocando culpa em seus transtornos para matar aula ou se safar dos estudos, pelo contrário, ele tenta desesperadamente nadar contra a corrente para mostrar que pode sim dominar sua própria mente, mesmo que tenha ajuda de poções para isso.
Extremamente leal, Dedalus é o tipo de pessoa que ficará ao lado dos seus amigos em todas as situações possíveis, defendendo-os e apoiando-os até mesmo quando isso não é necessário. É também muito engraçado e divertido, mas suas piadas e brincadeiras geralmente tem como objetivo confortar ou distrair os seus amigos e nunca depreciar alguém. Talvez seja um pouco ingênuo ao acreditar sempre no melhor das pessoas e no lado positivo das situações mais difíceis de sua vida, jamais deixando-se levar por negatividade porque ele acredita que para mudar a sua vida, desejar fazê-lo é o primeiro passo. Não tolera mentiras e é muito honesto e transparente tanto na forma de agir quanto na de se expressar, porque suas emoções parecem transparecer totalmente em seu rosto. Dedalus é como um livro aberto e se ele está sangrando, isso estará estampado na primeira página de quem desejar lê-lo.
Dedalus possui sérios complexos de inferioridade. Por conta do déficit de atenção e da hiperatividade terem influenciado diretamente em suas notas por tanto tempo, o hufflepuff convive diariamente com a sensação de fracasso e de achar que não é inteligente o suficiente, que é estúpido demais. Contudo, não divide esse fardo com ninguém. Acredita que seus problemas são somente seus e que ninguém é obrigado a ouvi-los, por isso, guarda todas as suas frustrações para si mesmo.
Tem dificuldades de lidar com o próprio temperamento. As vezes pode ser um pouco explosivo e o Dedalus não faz ideia de como lidar com a raiva. As brincadeiras depreciativas de seus colegas sobre o seu intelecto o aborrecem profundamente mas o rapaz finge que não se sente atingido pelas piadas, tendo feito um excelente trabalho guardando a raiva para si mesmo. Não sabe, contudo, até quando poderá continuar a fazê-lo.
É o décimo filho de seus pais e apesar de amar a eles e a seus irmãos e irmãs profundamente, Ded sempre se sentiu deslocado e perdido em sua família. Muitos nasceram antes deles e conquistaram feitos admiráveis antes mesmo que ele aprendesse a andar e o jovem Diggle sente que nunca será alguém do qual a sua família poderá sentir orgulho.
Pais: Desmond Diggle e Moira Diggle
Dedalus é beater do time de quadribol da sua Casa e faz parte da Equipe de Gobstone.
Seu FC é Austin Butler e sua player a Nanda.