de meninas para meninas
eu escrevo para as meninas que se encontram perdidas. para as meninas que tiveram seus caminhos arrancados de si e foram jogadas na estrada. para as meninas de olhos brilhantes e corações suaves que anseiam por um final feliz; não feliz como o dos contos de fada, mas feliz como uma manhã calma de primavera com chuva fina e sol baixinho. eu escrevo para as meninas que não têm muita certeza do que virá, e que não sabem exatamente o que fazer para chegar até lá. eu escrevo para as meninas que não têm ideia do que seja o lá.
mas, antes de escrever para elas, eu escrevo para mim. para a minha versão menina perdida e indefesa que só precisa encontrar uma forma de se esconder nela, de se proteger do lado de fora. e eu escrevo para que, no final o texto, do poema, da frasezinha idiota ou da palavra significativa, aconteça algum tipo de big bang, uma intensa epifania misturada com empatia, e para que essas meninas consigam se encontrar dentro delas mesmas.
(inconstância)














