Flashback; When the sun burns down, Angela&Knox
Por mais que às vezes Angela tivesse vontade de matar Knox, naquele momento não queria de forma alguma machuca-lo. Suas feições se transformaram em uma careta de dor, mesmo que não fosse ela quem sentiria tudo, nem conseguia imaginar o quão dolorosa deveria estar aquela queimadura. Torcia a blusa lentamente, para que o molhasse aos poucos pensando que isso evitaria ou ao menos diminuiria parte da dor. O primeiro contato da água com o corpo do moreno a fez ter certeza de que aquela queimadura era bem mais do que aparentava, pelo grito que ecoou de Knox. Angie rapidamente se afastou, assustada, tentando pensar em uma outra forma de ajuda-lo. Queria que ele ao menos pudesse levantar para que pudessem ir para casa onde seria mil vezes mais fácil trata-lo, mas parecia impossível naquelas condições.
A morena hesitou mas logo voltou para a posição anterior tentando controlar o próprio corpo para continuar o que pretendia fazer, mas fora impedida pelo movimento rápido do outro. Olhou para ele confusa e ficando ainda mais preocupada pelo sangue que escorria pela boca do rapaz. – Cala a boca e fica quieto! Me deixa fazer isso antes que fique pior. – Disse mantendo a voz firme, ainda que suas mãos tremessem segurando a blusa de Knox. – Bem? Aham, você vai ficar melhor ainda se se mexer demais. – Rebateu segurando o braço dele para que ficasse parado. Respirou fundo, sabendo que não ajudaria nada se ela ficasse irritada agora. – Eu vou molhar sua blusa e colocar em cima pra você conseguir chegar até em casa, ok? Eu ajudo você a levantar. – Anunciou derramando o restante da água da garrafa na blusa, a abrindo em seguida para que pudesse cobrir toda a extensão do machucada. – Se ficar exposto no sol vai piorar. – Lembrou rapidamente, antes que ele falasse qualquer coisa. Aquele era o momento perfeito para ela mostrar que o tal sol que ele tanto amava, era também perigoso. Até mesmo para ele que se achava o praticamente a reencarnação de Apollo após ter descoberto a habilidade.
“Okay” Murmurou para si mesma segurando a blusa encharcada antes de aproxima-la das costas de Knox colocando-a aos outros, pressionando os olhos de acordo com que a blusa cobria a queimadura. Seguiu fazendo o movimento com cuidado, tentando ao máximo não soltar a blusa de uma vez de forma que pudesse piorar a situação. Quando finalmente o tecido se estendeu por completo e ela notou que não permaneceria molhado por muito tempo, Angela apoiou um dos pés para levantar-se e tocou o braço de Knox novamente. – Acha que consegue agora? Vem. – Murmurou com um tom preocupado e calmo, tentando usar o corpo para apoiar o rapaz da melhor forma possível.
- E ainda nao quer que eu treine – Knox murmurou sarcasticamente, sob sua respiração, quando ficou quase evidente que Angela não conseguia lidar com seu peso. Eles praticamente quase caíram de bunda no chão. Se a menina não o deixasse treinar para ficar de babá, eles certamente não teriam nenhuma chance de se defender das criaturas, por mais que esses seres, até agora, só saíssem à noite. Nunca se sabe, não é mesmo?
De qualquer maneira, o rapaz resolveu focar no ato em desenvolvimento, e tentou ganhar mais equilíbrio enquanto subia os degraus. Não seria exatamente agradável voltar a cair, e a dor em suas costas não parecia estar diminuindo. E, se estivesse, não em uma velocidade desejável. Após ter falado, soltando sua piadinha, Knox não esperara uma resposta, mas sentiu Angie menear a cabeça, e só então prestara atenção. Ele a havia feito rir? Well, that’s a first. O moreno franziu as sobrancelhas, não se lembrando da última vez que havia feito aquela menina rir, se é que isso já houvesse acontecido. É, o mundo estava mesmo mudado. Não necessariamente para pior, contudo.
Ouviu a proposta de Angela e apenas assentiu com a cabeça, grunindo enquando se ajeitava sobre o sofá. Aquele movimento todo não estava fazendo bem para seu músuclo praticamente exposto. Knox odiava se sentir vulnerável daquele jeito e dar vazão a comentários sobre sua possível fraqueza, mas quem já tivera uma queimadura com o calor do Sol puro diretamente em suas costas que atirasse a primeira pedra. Oh, wait. Ninguém. Percebeu que Angie o direcionava para que ela pudesse olhar a queimadura, e, antes que pudesse pensar no que dizia, a provocação estava na ponta da língua – Não sabia que você era enfermeira agora. Me diga, doutora, está ruim? Meu físico impecável ficará marcado para sempre? – a ironia era presente em sua voz, mas Knox virara-se de lado, tentando, ao mesmo tempo em que tentava (e justamente para) se distrair da dor, procurando Asher pelo apartamento. – Acha que o fedelho acordou? Por que nós realmente não precisamos disso agora.
Se Angela já não era extremamente forte normalmente, depois que descobriu seu poder e sua fragilidade em relação ao sol força só poderia fazer parte de seus atributos depois que o sol de punha. Naquele momento em especial, justamente pelos efeitos da luz solar sobre si, certamente a morena não era a pessoa mais indicada para ajudar Knox, mas não era como se ela fosse procurar alguém melhor já que quanto mais tempo ele ficasse ali, pior o machucado ficaria.
Tentou firmar os pés no chão para puxar o corpo do rapaz de uma forma que ele conseguisse se apoiar, mas logo o corpo do outro pendeu para o chão e ela teve que praticamente cair junto com ele para tentar amortecer o impacto. Respirou profundamente, soltando o ar em um suspiro forte, erguendo uma das mãos para tirar os fios de cabelo que pendiam pelo rosto e só então apoiou-se de forma mais firme para tentar ergue-lo de novo. Sentiu um peso maior dessa vez e se obrigou a não deixar o corpo vacilar, permanecendo imóvel até que ele estivesse completamente de pé.
Pressionou os lábios involuntariamente, satisfeita por terem conseguido. Passou o braço dele por cima do próprio ombro, tomando cuidado para apoiar-se no ombro do outro e não nas costas, para não correr o risco de machuca-lo ainda mais. Começou a caminhar lentamente na direção da casa, torcendo para que Asher continuasse dormindo no quarto improvisado em que estava e não tivesse acordada com os gritos de Knox.
A medida que se aproximavam, Angela sentia o peso do rapaz força-la para o lado contrário mesmo que ela forçasse para manter o ritmo e o caminho. Subiu o primeiro degrau da escada da entrada, apoiando-o com o próprio corpo, imaginando onde deveria deixa-lo agora, quando ouviu a voz do outro um pouco baixa e rouca, fazendo-a erguer o olhar em um riso curioso. Não era hora para aquele tipo de piada, mas ainda assim a morena não conteve um riso curto e um aceno rápido. – Eu vou deixar você deitado e pegar mais água pra isso ai. Seria uma boa hora para o hospital voltar a funcionar… – Comentou num tom baixo, mais como um lembrete do que mais aquela barreira havia tirado de todos. Pensou que talvez fosse uma boa ideia procurar nas farmácias ou nos postos de saúde que ainda estavam em pé, mas algo lhe dizia que todos já deveriam ter sido saqueados. – Aqui. –Murmurou indicando o sofá. – É melhor você deitar de lado… – Continuou, ajudando-o a se acomodar de forma que pudesse ver a queimadura.














