Não era pra ser tão difícil levantar da cama,
como se cada manhã fosse um parto da alma.
O corpo pesa, o mundo exige, e eu… me arrasto.
Não era pra ser tão difícil sair com amigos,
como se o sorriso precisasse ser ensaiado,
mil vezes diante do espelho —
pra fingir que existe alegria onde só mora o esforço.
Não era pra ser tão difícil abrir os olhos
e já negociar com o humor do dia,
implorando por estabilidade como quem pede ar.
Não era pra ser tão difícil.
É um peso que ninguém vê.
Uma dor que não sangra, mas dilacera.
É o vazio que habita até os dias cheios,
Tentei preenchê-lo com compras impulsivas,
Será que um dia ele cala?
Não era pra ser tão difícil.
Viver… não era pra ser tão difícil.
É tropeço disfarçado de rotina.
uma batalha entre extremos que ninguém vê.
E não, não é falta de fé.
Quem dera fosse algo tão simples de resolver.
é o fogo e o gelo revezando dentro do peito,
sem saber quando um invade o outro.
Tentando não afundar nessa multidão.
mesmo quando não sei mais onde me apoiei da última vez.
Não era pra ser tão difícil.
E isso, só isso, já é uma forma de coragem.