Quando o ódio toma corpo
Tudo parecia calmo.
O céu azul,
o corpo em paz.
Eu, quase viva.
Mas de repente —
algo acende o inferno em mim.
A raiva me rasga.
Não pede licença.
Não grita: devasta.
Meus olhos mudam.
Meus dedos coçam.
Quero quebrar o mundo com as mãos.
Quero destruir tudo que me vê.
Tudo que respira.
Tudo que não entende.
Quero arremessar objetos,
fazer o chão tremer,
fazer o ódio sair de mim em forma de estilhaço.
Talvez, se o caos tomar forma,
a dor se esconda.
Talvez, se eu sangrar,
essa fúria se cale.
Ou talvez —
eu só desapareça no meio do estrago,
e ninguém perceba
que tudo que gritou…
foi só meu silêncio tentando sobreviver.
-Danielly R.












