[seis meses]
Há quase um ano percebi que era hora de encarar a verdade. Comecei a questionar por quanto tempo mais eu ia adiar o inadiável. Sabia que precisava mudar, mesmo com medo. Por pra fora "a fera" presa em mim, que guardada a sete chaves se debatia nas paredes. Eu já tinha me deixado dominar, mas tive a chance de tentar de novo. Fui privilegiado por ter essa segunda vez (muitos não têm nem uma). Consegui acalmar a fera, até sentir segurança para soltá-la. Confesso que inúmeras vezes quis acabar com ela. Era um segredo que eu nunca quis ter.
Há quase um ano percebi que era hora de encarar a verdade. Comecei a questionar por quanto tempo mais eu ia adiar o inadiável. Sabia que precisava mudar, mesmo com medo. Por pra fora "a fera" presa em mim, que guardada a sete chaves se debatia nas paredes. Eu já tinha me deixado dominar, mas tive a chance de tentar de novo. Fui privilegiado por ter essa segunda vez (muitos não têm nem uma). Consegui acalmar a fera, até sentir segurança para soltá-la. Confesso que inúmeras vezes quis acabar com ela. Era um segredo que eu nunca quis ter.
2019 foi como um salto de paraquedas. Eu só precisei puxar pra ele se abrir. Foi mais fácil do que eu imaginei. Pouco antes do meu aniversário, comecei a olhar pra dentro e ver que, mesmo com as mudanças que viriam, eu sempre seria o mesmo, só que em paz. Passei uns meses no lugar da onde vim e, com gosto de nostalgia, percebi que eu tinha um porto seguro. Era só confiar. Olhei pra dentro e mesmo com medo: soltei a fera.
O medo que eu tinha, era de não aguentar a maldade do mundo. Já tinha sentido algo parecido antes. Por sorte ou privilégio, dessa vez tem sido diferente. Mas mais que isso é como eu tenho me sentido, como eu tenho mudado. O cuidado e o amor incondicional por mim, eu não sei nem medir. Acho que é a felicidade que eu passei a transbordar de lá pra cá. Sei que a jornada é longa, mas ainda sim nunca estive tão bem.
Depois de decidir que era hora de encarar a verdade, de por tudo pra fora, tracei alguns objetivos. Fiz planos e embora muitos deles ainda estejam no papel, o principal eu consegui: entender quem sou eu. Perceber cada mudança do meu corpo. Seja a roupa que não serve mais, seja o pelo no rosto ou seja a voz ficando mais grave. Só quem já se olhou no espelho e não se enxergou sabe o quão delicioso é se redescobrir. E assim tem sido esses últimos seis meses de hormonização. Tem sido um prazer dizer: oi, eu sou Murilo (a fera).
Por ~ @derepentecoisas (16.06.2020)















