5° CAPÍTULO - A HORA DA VERDADE
Fui entrando devagar no quarto, meu pai não estava acordado e isso me fazia me sentir pior. Fiquei alguns minutos lá, parada, apenas olhando. Eu não entendia muito bem todos aqueles aparelhos ligados nele, mas conseguia entender que seus batimentos estavam um pouco baixos. Decidi sair e conversar com a minha tia, não tinha entendido o pedido de desculpa no corredor, afinal, foi ela quem estava com ele na hora do ocorrido, de certa forma, ela teria salvado a vida dele. Quando sai no corredor, ela estava cabisbaixa, sentei-me ao lado dela e perguntei:
- O que houve tia Márcia?
-Querida, me desculpe, eu jamais pude imaginar que…
- Tia, o que houve? (Interrompi, repetindo a pergunta).
- Seu pai estava com dores pelos corpo, eu dei um remédio pra ele no qual eu o fiz ingerir com gim, dizendo que seria melhor. Algum tempo depois, ele de queixou de novo e quando menos esperei, ele caiu e não se levantou mais.
Eu pensei em várias coisas pra dizer naquele momento, como por exemplo o quão ela era irresponsável ou que ele podia morrer e a culpa seria toda dela, mas ela é humana, tinha todo direito de errar. Então, de tudo o que havia passado pela minha cabeça, eu resolvi dizer uma coisa bem simples, mas com um tom de frieza e quem sabe, um pouco de desprezo:
- A senhora não é médica Tia Márcia, erros são cabíveis até certo ponto. Sua irresponsabilidade foi tamanha, pois ele poderia estar morto, mas a senhora soube assumir o erro. E eu, sei perdoar.
Ela apenas me abraçou e chorou durante alguns minutos, minutos que pareciam séculos.
Ficamos horas paradas ali, sem saber o que dizer, talvez tivesses assunto, mas nenhum servia para aquele momento. Eu estava preocupada, nenhum médico tinha vindo até o quarto desde a hora que cheguei, já se passavam 3 horas de agonia. Minha tia disse que precisava ir descansar, e eu disse que tudo bem, afinal, meu pai só poderia ter um acompanhante, nada mais justo, que eu ficar ao lado dele. E essa questão não entraria em discussão, minha Tia sabia disso. Ela se despediu, virou-se e foi embora.
Senti que ela queria dizer alguma coisa, mas nada poderia concertar o que ela fez, então, preferiu o silêncio.
Logo que ela se foi, eu decidi ir ao quarto ficar ao lado dele, esperando que ele acordasse ou demonstrasse algum sinal que me fizesse acreditar que ele estaria bem, mas tudo foi em vão. Nesse tempo, havia ligado no meu trabalho e conversado com meu chefe, ele me liberou três dias e também disse que não descontaria meu salário. Eu sabia que ele faria algo do tipo, ele se importa com as pessoas.
Horas e horas se passavam e nada. Até que uma enfermeira entrou no quarto para aplicar um medicamento, mais que depressa eu perguntei:
- Com licença enfermeira, que horas vem um médico aqui para que eu possa falar com ele?
- Rosa, pode me chamar de Rosa. (Disse ela com um ar suave e doce). Olha querida, o médico do seu pai estava de plantão essa manhã, então só voltará amanhã de manhã. Mas o plantonista de hoje, poderá vir aqui para tirar algumas dúvidas suas, tudo bem? (complementou).
- Ah, claro. Obrigada Rosa!
- Estarei aqui a noite toda, caso precisa de alguma coisa, aperte esse botão (apontou ao lado da cama), uma luz irá ascender lá onde eu fico, virei o mais depressa que eu puder.
Consenti com a cabeça, e ela saiu.
Liguei para minha tia e pedi que arrumasse algumas trocas de roupas e contratasse um serviço se motoboy para levá-las pra mim. Em pouco tempo, minhas roupas estavam lá. Me troquei, e sentei ao lado dele, esperando alguma reação. Percebi que alguns números que estavam caindo, repetidamente, apertei o botão que ascendia a luz o mais depressa possível, a enfermeira chegou e ao ver aquilo, já chamou outros médicos e enfermeiros, meu pai estava tendo uma parada cardíaca.
Me tiraram do quarto, eu fiquei muito brava, mas entendia os procedimentos. Passou alguns minutos e a Rosa saiu e veio em minha direção. O olhos dela estavam tristes, eu já estava esperando o pior.
- Querida, o médico está vindo e vai falar com você, desculpa não poder dizer mais nada! (disse ela).
Logo veio o médico, que disse:
- Boa noite, senhora…?
- Me chame de Malu, só isso.
- Bom Malu, meu nome é Doutor Carlos Simão, vou ser bem direto! Qualquer dúvida me interrompa que eu explico.
Eu balancei a cabeça dizendo que sim e ele continuou:
- Seu pai teve uma parada respiratório, nós intubam pois o coração não estava tendo batimentos suficientes que o mantivesse vivo. Agora, temos que esperar, eu pedi mais alguns exames, e amanhã cedo, quando o médico dele voltar, irá ter os resultados e passará tudo pra você. Alguma dúvida?
- Não, Doutor!
Ele sorriu, e saiu.
Aquele riso pra mim, foi um sinal de que eu estava com sorte por meu pai estar vivo ainda. Apesar de tudo o que estava acontecendo e a situação que meu pai se encontrava, me deixaram ficar no quarto ainda, acho que eles pensaram que ele não teria muito tempo.








