6° CAPÍTULO - PARTE 2 - PENSAMENTO DE OTÁVIO
Quando abri a porta do quarto 219, foi assustador. Quem era aquela garota que tirou toda a atenção que eu precisava para explicar o quadro do pai. Cabelos castanhos, um metro e setenta no máximo, corpo esculpido, olhos azuis que lembravam o céu no dia de verão. Ela era intrigante, séria, sua feição não era de sofrimento ou susto, mas seus denunciavam tudo o que eu precisava saber. Sabia tão pouco sobre ela, mas sabia que ela era apaixonante. Me arrependi de ter sido estúpido com ela, era apenas uma garota preocupada. Mas eu estava assustado, perdi a concentração e não sabia o que dizer. Aquela foi uma “descontração” que eu precisei para poder me situar. Queria vê-la de novo, na verdade, eu acho que precisava disso. Aliás, acho que foi apenas um impulso. Eu sou médico do pai dela, eu sou um profissional, se envolver com uma familiar do paciente está totalmente fora do meu padrão de ética. Foi apenas um equívoco. Eu vou saber controlar, eu previso saber me controlar. Enquanto isso, torço pro nosso destino se cruzar em outros caminhos que não seja no corredor de um hospital.







