eu achava que te conhecia. quando você fez seu café - forte demais - e me emprestou seus livros, quando você me fez ouvir frank sinatra depois de uma foda espetacular às duas da manhã e quando você me ligava, do nada e para nada, no meio da manhã de quinta-feira. eu achava que te conhecia quando você me contava as burradas em que você se metia, quando ouvia sua mãe me cumprimentava pelo telefone e quando seu irmão passou a implicar comigo porque eu roubava sua atenção. eu achava que te conhecia quando você segurava meu cabelo e me chamava de nomes que me deixariam nervosa na boca de qualquer outro, quando você se deitava cansado ao meu lado e sussurrava meu nome no meio da noite. eu achava que te conhecia quando você se permitia desabar. eu achava que te conhecia por te ver ir e saber, com plena convicção, que você voltaria - e você sempre voltava. perceber que talvez não te conhecesse tanto assim. eu achava que te conhecia quando você calou tua voz e teu sorriso pra mim, quando você não mais me confiava segredos e quando você foi, passo a passo, esquecendo de me levar pela mão. eu achava que te conhecia até você não voltar. eu achava que conhecia teu cheiro. você trocou de perfume. eu achava que conhecia teu corpo. você fez novas cicatrizes. eu achava que conhecia teu toque. você não me tocou mais. eu achava que te conhecia.















