Mas ela esperou, cara. Esperou algum sinal de carinho que você não deu. Ela esperou que pegasse no cabelo dela sem precisar pedir. Ela esperou que você escolhesse um filme de comédia que ela gostasse, mesmo não sendo um dos teus preferidos, e ficasse aguardando ela chegar em casa, com pipoca, o chocolate que ela adora e um sorriso no rosto. Esperou que você lesse o textos dela como um hobby da tarde, só pra que soubesse no que ela anda pensando nos últimos dias. Ela imaginou que você soubesse o quanto ela ama escrever. Enquanto você dirigia, ela esperou que você pegasse na mão dela e fizesse um carinho, sem precisar dizer nada. Ela iria entender. Ela sempre entendeu. Ela esperou diversas coisas de você. Nunca foram coisas extraordinárias, nem declarações exuberantes, apenas pequenos gestos. Ela quis te ter por perto nos dias frios de janeiro. Só isso. Quis que a pegasse no colo de surpresa e tirasse o salto alto apertado que ela colocou só pra que você a chamasse de linda. Durante anos, ela esperou o dia em que você olhasse nos olhos dela e dissesse que a ama, que se lembra do primeiro beijo de vocês e do gosto que a boca dela tinha naquela noite. Ela era toda sua, irmão, e o que você fez? Deixou ela ir embora aos poucos. Você a perdeu.
Rascunh-ar, Júlia Loiola (via rascunh-ar)























