Sempre escrevi. Sobre sentimentos, acontecimentos, sensaçÔes, pessoas... sempre gostei de escrever. Mais do que falar, Ă s vezes, atĂ© demonstrar, eu escrevi. O fato Ă© que, pra mim, isso sempre foi uma parte mais fĂĄcil... o meio mais coeso que eu encontrei de lidar e de compartilhar partes de mim. A maioria dos meus escritos, como uma boa quase-tĂmida, guardei pra mim. Outras poucas coisas, eu publiquei em algum desses blogs quando era adolescente e, vez ou outra, eu revisito algumas lembranças pra, sei lĂĄ, saber o que eu pensava quando mais nova. Fuçando em uma das pĂĄginas desse meu pequeno acervo, achei um texto que escrevi, com dezoito anos, sobre como eu achava que era o amor. o tĂtulo se chamava "o amor nĂŁo Ă© complicado". vou compartilhĂĄ-lo aqui:
"O amor vai chegar. E, quando isso acontecer, vai ser fĂĄcil, vai ser leve, ele vai te abraçar, te colocar no colo e te fazer querer ficar. O amor vai te mostrar que nĂŁo Ă© complicado, que nĂŁo faz jogos, que nĂŁo te confunde. Ele sĂł vem. vem e te faz bem, vem e te faz sorrir e, algumas vezes, atĂ© chorar, nem que seja de saudade, nem que seja de emoção. Quando Ă© amor, vocĂȘ nĂŁo vai saber explicar, sĂł vai lembrar que, em algum momento, olhou para aquela pessoa e algo aconteceu. E vocĂȘ pode atĂ© sentir medo... a diferença Ă© que, dessa vez, nĂŁo vai conseguir dizer nĂŁo, porque Ă© para aquela pessoa. O amor, o verdadeiro, vai chegando de mansinho, se encaixando aos poucos e te ganhando nos momentos quase imperceptĂveis. Porque o amor Ă© assim, quando vocĂȘ menos esperar e quiser alguma coisa dele, ele vai te dar tudo."
Hoje, lendo isso, eu vejo que, numa sĂĄbia inocĂȘncia, descrevi o que eu sinto por vocĂȘ. Um sentimento leve, fĂĄcil, quase como uma brisa de verĂŁo, mas carregado de uma emoção imensa, que me faz sentir tudo e mais um pouco. E querer tudo e mais um pouco com vocĂȘ. Se, antes, eu me imaginava concretizando os momentos de felicidade que sempre sonhei, hoje, eles incluem vocĂȘ. Primeiro porque, certamente, serĂŁo bem mais divertidos (o que Ă© o mais importante). Segundo porque o que temos Ă© bom, Ă© raro, Ă© precioso... Ă© amor. Me apaixonar por vocĂȘ foi como pegar no sono, quase imperceptĂvel, apenas aconteceu. Como se tivesse que ser assim, apesar do medo, apesar da aposta ser alta, afinal, eu estava me apaixonando pelo meu amigo... mas era vocĂȘ. E, aos poucos, entre erros e acertos, a gente se encaixa, se gosta, se ensina e aprende um com o outro todos os dias... e todos os dias que temos um ao outro, temos tudo. Ou pelo menos, tudo o que importa. Anos atrĂĄs, quando ainda nem sonhĂĄvamos em acontecer, parece que eu jĂĄ sabia que amor era tudo aquilo que, hoje, vocĂȘ me dĂĄ. E por isso sou feliz.
JĂșlia Loiola, Rascunh-ar