Cansada
é assim que me sinto na grande maioria dos finais de dias, as vezes nem tão finais assim, o sintoma pode aparecer assim que abro os olhos. “Tudo virou de cabeça para baixo” eu sei, é uma frase extremamente cliche, mas é o que melhor define minha vida a esta altura... Meu pai foi embora, aos 39 anos, lutador de jiu-jitso desde que me entendo por gente, negro, forte, bonito pra caramba, inteligente, sábio, cristão e suicida. Sim, ele fez isso e só agora consigo começar a associar as coisas, depois de quase tres meses.
Ao que tudo indca esse foi o estopim pra odiar minha vida, minha realidade, os meus dias, a falação na minha casa, a ansiedade que sinto, minha faculdade (será que eu devia mesmo tranca-la agora?), minha carencia, enfim... a maioria de tudo que me cerca, principalmente a peça principal disso, de nome Ariadne (”é diferente mas é lindo”, é o que todo mundo fala) Lourenço da Silva, 19 anos, nascida em Campinas- SP, estudante de biologia, que sonha em ser perita criminal (ou, pelo menos, sonhava).
A um tempo, eu simplesmente nao sei o que fazer. Sempre fui super racional e tive tudo traçado na cabeça, mas agora eu me sinto caindo num lugar escuro, gritando demais, e as vezes sem forças para tal. Me sinto sem rumo, perdida, deslocada. Deposito todas as minhas fichas nas 100mg de cloridrato de Sertralina, recomendadas pelo dr. Marcelo.
Eu gostaria que voce estivesse aqui, pai. Na verdade, é mais do que isso, eu PRECISO que voce esteja aqui. Sua partida desencadeou uma série de coisas que sua pretinha não ta sabendo lidar, por favor, me ajuda a passar por isso, minha irmã, a mãe, Miguelito (como voce sempre dizia), o Mu, minhas amigas, enfim, muita gente precisa de mim, da mesma maneira que preciso delas, único motivo pra nao ter o último adjetivo associado ao meu nome, assim como o seu. é extremamente egoísta da minha parte falar e pedir aos berros e choro incessante para que voce volte sem ao menos saber o que estava passando, me desculpe por isso. Eu te amo, e devo á voce, todo o meu agradecimento, não só pelos traços que me deu, mas principalmente pela história e a força que tenho orgulho de infatizar ao falar de voce. Tenho medo de nao ter falado o suficiente, quando voce estava aqui, o quanto te admiro, o quanto te amo, o quanto precisava de voce, a saudade estrondosa que sentia (e que massacra o meu coraçao desde o dia 27 de julho), o quanto voce era incrível.
Acredito que essa fase vá passar e eu vou voltar a me sentir plena de novo, peço sua ajuda pra isso, não acho que consiga sozinha. Eu vou te dar orgulho, pai. Um dia eu vou parar com o remédio, parar de chorar pelos cantos, de me estressar a toa, levar as coisas mais a sério e ser a filha que voce e minha mae merecem. Eu nao vou falhar com voces, quero ser boa por tudo que passaram.Nunca pensei que seria tudo tao dificil, mas eu vou tentar, pai. Eu me sinto fraca demais pra conseguir agora, preciso de um tempo (quanto?) mas eu vou conseguir.

















